
Quem acompanha o blog sabe que os dias chuvosos quase sempre ganham posts. Mas não é para menos: é só as gotas pesadas caírem do céu para que o simples fato de nadar se locomover em São Paulo se torne uma aventura digna dos filmes de Indiana Jones. Por exemplo, ir para a faculdade pode virar uma corrida com obstáculos, onde árvores carnívoras tentam, a qualquer custo, comer seu guarda-chuva.
Aliás, esse é o caso de 99,9% das ruas da cidade. Quem consegue caminhar tranquilamente com o guarda-chuva na mão, sem ter que desviar dos “monstros famintos” que tentam tirá-lo de você? Em todas Na maioria esmagadora das vezes, você tem que andar com a mão na trava do guarda-chuva, fechando-o e abrindo-o de acordo com a quantidade de árvores presentes na calçada. Quando elas são baixas, você até tenta ser malandro amigável, levantando o guarda-chuva para que ambos, você e a árvore, possam coexistir no mesmo espaço. Mas a lei da física também se aplica a este caso: o guarda-chuva e a árvore não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.
Então ali está você: mão no fecho do guarda-chuva, desviando dos obstáculos naturais. Mas, como se trata de um filme do Indiana Jones, não poderia ser tão “fácil”. Se o nosso herói escapa habilidosamente de areias movediças, é a sua vez de saltar entre as poças quilométricas que se formam no caminho. E mais: você ainda deve ficar de olhos nos cruzamentos, para não atropelar algum carro desavisado e, ao mesmo tempo, torcer o pescoço para que seu ônibus não apareça antes de você chegar no ponto.
Mas não se engane! Ao entrar no veículo, você pode achar que sua missão terminou e se entregar à comemoração prematura da vitória, mas é aí que surge um novo desafio: conciliar o guarda-chuva (que deixa um rastro por onde passa – resquícios da missão anterior), a bolsa e, é claro, o movimento. É aí que se aplica a lei de Newton sobre a inércia.
Depois de vencer essa nova provação, você finalmente chega à esquina do ao seu destino. E aí começa tudo outra vez.