Sonhos Literários – Hogwarts

Por , 31 de março de 2011 20:19

Accio trilha sonora!

Sempre esqueço…

King's Cross St. Pancreas - Só falta o Ford Anglia do Sr. Weasley!

Senhores e senhoritas, bruxos, abortos, trouxas ou elfos. A viagem de hoje é para Hogwarts! Espero que todos já tenham guardadas as vestes compradas na Madame Malkins. Não se esqueçam de que todo primeiro-anista pode levar, se quiser, uma coruja, um gato ou um sapo. Preparem-se para muitas citações, no meio do texto. Empunhem as varinhas e guardem a bagagem. O Expresso de Hogwarts já está pronto para sair!

-Eu juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom.

“Plataforma 9 ¾. Esse número não existe… existe?”

Bem, na verdade ele não fica exatamente entre as plataformas 9 e 10. Confesso que tive que andar um bocado na estação de King’s Cross St. Pancreas para encontrar a tal parede de tijolinhos.

Mas, SIM, esse número existe e tem um carrinho atravessando a parede, chamando a atenção de qualquer pottermaníaco que passa por ali! O que você faria se encontrasse a Plataforma 9 ¾? Bom, como infelizmente não dá pra atravessar na realidade, a gente sonha e tira uma foto no ar!

Voando de King’s Cross para Victoria Station, comprei um bilhete para o segundo destino: Universidade de Oxford! Já acomodada na cabine e com muitos sapos de chocolate (“Eu tirei o Dumbledore!”), feijõezinhos de todos os sabores (“Jorge jura que até de meleca ele já comeu”) e bolo de caldeirão, coloquei os fones de ouvido e me preparei para mais uma viagem no meu inconsciente, trazido à tona.

O trajeto demora mais ou menos uma hora e meia, dependendo do tipo de trem que você pega e de quantas paradas ele faz. Como os galeões eram escassos, acabei pegando um que parava 3 vezes antes de chegar em Oxford.

A estação é pequena, igual à cidade. Basicamente de universitários, com prédios e campus espalhados em todas as regiões. Desde os mais modernos, como o de engenharia e tecnologia, quanto os mais tradicionais, como Christ Church, meu destino final.

As fachadas das construções mais antigas são deslumbrantes. Quase totalmente esculpidas. É impossível perceber todos os detalhes nos primeiros 10 minutos, mas alguns padrões podem ser notados: anjos, demônios, vinhas, brasões e símbolos do século XIII.

Christ Church está quase perdido, lá no final da rua, disfarçado por um parque e um portão de ferro que escondem toda força daquele lugar. É um complexo de prédios de ensino que compreende basicamente muitas salas de aula, uma biblioteca monstro, um pátio gigante e uma igreja.

Logo na entrada, corredores labirínticos, como os das masmorras. Muitas portas pesadas de madeira, e eu podia jurar que a qualquer momento o professor Snape sairia de alguma delas, dizendo: atrasada para a aula, novamente, Srta. Gonzalez. Menos vinte pontos para a Grifinória.

O mais sensacional em andar em lugares como o Christ College é que, sim, há igrejas, claustros e passagens estreitas que você tem certeza de que já abrigaram muitos monges safadinhos ou alunos fugitivos, no passado.

Aliás, a Igreja da propriedade é fantástica. Com seus vitrais coloridos, órgãos gigantes, daqueles com dezenas de tubos, e fileiras de mesinhas, com luzes e livros para as celebrações. Dado do mal: John Locke (aquele moço do liberalismo) está enterrado lá.

Infelizmente a biblioteca não estava aberta para a visitação. Uma pena, porque eu realmente precisava de um livro da Seção Restrita, sobre pragas e bruxos das trevas do século V.

Quando cansei de andar, como mágica, acabei na entrada de uma ala. A ala das escadas (“elas gostam de mudar”), que conduziria ao tão procurado e esperado Grande Salão (“Que se inicie… O banquete”).

Peço licença para colocar o texto em legendas, agora. Fotos grandes são necessárias.


 

Espaçosas, rodeadas de janelas e guardadas por luzes em forma de poste, lá estavam elas. E, novamente, a sensação de dejavu: Neville Longbottom, o sapo perdido, a apresentação de Draco e Harry e a face séria de Minerva McGonnagall, reprimindo a bagunça antes da seleção oficial para as casas.

Com um agito de varinha (“é só girar e sacudir”), as portas se abriram e meu queixo caiu. TUDO estava lá. As mesas enormes, a ala dos professores, o teto (que "foi enfeitiçado para parecer o céu, à noite”), o cheiro de comida gostosa e os quadros, que a qualquer momento acenariam ou ririam da minha cara de primeira-anista.

E se eu fechasse os olhos, as mesas se encheriam com diferentes pratos para o almoço. E eu poderia ouvir as risadas de deboche de Pansy Parkinson e as risadinhas das meninas da Corvinal para o novo artilheiro de quadribol da Grifinória. E sentir o cheiro de fuligem, imaginando por acaso a cabeça de Sirius surgindo, na lareira. E os olhos ternos do nosso eterno Dumbledore, fitando-me sob os oclinhos de meia-lua. E o som do correio-coruja, entregando a minha edição especial d’O Profeta Diário, com notícias de última hora sobre o Ministério da Magia.

Despertada por um senhor guia muito entusiasmado, ouvi que um dos quadros do lado direito era o retrato de Lewis Carroll, pai de outra das minhas paixões literárias: Alice. Aquela do frasco e do biscoito, do coelho branco, do gato, da Rainha de Copas, da Lebre, do Chapeleiro e do chá.

Ele estudou aqui! E escreveu seus livros, criando figuras parecidas com as que ele via em Oxford!

Estreitei os olhos e estiquei o pescoço para ouvir o resto da história. Imagine encontrar uma escultura com cara de Humpty-Dumpty! Ou ter aulas com um professor Mad-Hatter! Duvido que alguém acertaria a pergunta sobre o corvo e a escrivaninha.

Inclusive, a verdadeira Alice, a criança que o inspirou, comprava caramelos e doces numa loja perto daqui!

Foto: Divulgação - site de Alice's Shop

Aí ele pediu pra que eu saísse correndo. Não precisei nem ir muito longe. A Alice’s Shop ficava quase em frente a Christ Church e fechou meu dia com chave de ouro!

O que vendia? Doces, miniaturas dos personagens de todos os tipos, cartões, jogos, livros de muitas impressões diferentes, versões ilustradas, cartoons, joias, pins e claro chás, biscoitos, chaleiras e jogos de porcelana com desenhos do livro.

O que eu comprei? Bem, considerando que eu estava na Inglaterra, numa loja sensacional e fazia frio, eu escolhi um conjunto de pires e xícara, decorados com a cartola do Chapeleiro.

O último adeus a Oxford tinha cheiro de cookies e gosto de chá com leite.

Um suspiro.

-Mal-feito feito!

E a viagem de volta, já querendo me fazer ficar para sempre.

E agora, meninas, garantam suas almofadas no sofá, arrumem fitas bonitas, coloquem os cachinhos no lugar e preparem o bordado, porque o próximo destino é Alton, a casa da musa diva deusa rainha dos romances, Jane Austen… E eu já ouço o cavalo de Mr. Darcy chegando, na estrada…

Um saludo e até a próxima parada!

Domitila Gonzalez é colunista do Itu.com.br
Antiga brasileira, atual cidadã do mundo. Estudante de Jornalismo. Devora livros nas horas vagas. Passa horas ouvindo música. Fotografa com os olhos. Respira arte. Muitos colegas – poucos amigos. E adora contar histórias.

 

Fala Série! – 10 Coisas que Eu Odeio em Você

Por , 30 de março de 2011 22:43

Tenho certeza que, ao ler o título, você voltou no tempo e visualizou Julia Stiles, de cabelo chanel, corando ao ouvir Heath Leadger entoar a letra de “Can’t Take My Eyes Off You” na arquibancada do campo de futebol.

Essa cena ficou marcada na história do cinema e transformou o filme 10 Coisas que Eu Odeio em Você em um clássico das comédias românticas. Porém, não é ao filme que eu me refiro neste post. Apesar de ter o mesmo nome, o mesmo diretor e a mesma premissa da versão cinematográfica, a série americana 10 Coisas que eu Odeio em Você consegue dar um novo ar à história de William Shakespeare. (Sim, para quem ainda não sabe, tanto o filme quanto a série foram inspirados na obra A Megera Domada, do autor inglês).

De um lado temos Katherine (interpretada por Lindsey Shaw), idealista, feminista e sem papas na língua. Do outro, Patrick (Ethan Peck), um valentão de modos um tanto quanto grosseiros e temido por todos. Porém, quando os dois se encontram, a explosão é garantida! Pode esperar por brigas, provocações e, é claro, uma grande atração.

Além do casal principal, que arranca bons risos e suspiros ao longo dos únicos 20 episódios, temos Bianca (Meaghan Jette Martin), a irmã mais nova de Kat, que deseja mais do que tudo se tornar popular. Ela acaba se metendo nas situações mais absurdas (e engraçadas) para se aproximar de Chastity (Dana Davis), a chefe das líderes de torcida e seu trampolim social. Encantado pela moça (mas não retribuído), temos Cameron (Nicholas Braun), um garoto sonhador e apaixonado, que faz de tudo para conquistar Bianca. Ele é o extremo oposto de Patrick – diferença esta que acaba sendo explorada em diversos momentos da série e que leva os dois personagens a repensarem a forma com que lidam com as mulheres de quem gostam.

Descobri a série sem querer, navegando pela internet. Como já gostava do filme, achei que não custava nada “dar uma espiadinha” para ver do que se tratava. Resultado: em 3 dias (fim de semana, graças a Deus!) acabei assistindo à temporada inteira! É impossível parar antes de chegar ao final! Me apeguei principalmente aos protagonistas e à impulsividade de Katherine. Apesar de ser toda segura de si, a mocinha também um lado muito passional e vive às voltas com a aparente frieza de Patrick. Dá uma dozinha dela de vez em quando pela forma que ele a trata…

Eu realmente não entendo porque a série da ABC não foi renovada. Dá uma dorzinha no coração quando o 20º (e último) episódio termina e sabemos que não teremos mais nem um minutinho de consolação (ainda mais depois do jeito como o episódio termina… Mas não quero revelar spoilers!!).

Para os românticos de plantão (ou para aqueles que só querem uma diversão mesmo), 10 Coisas que Eu Odeio em Você é programa obrigatório!!

Parolagem Com Sentido – Music ou Comedy Television?

Por , 29 de março de 2011 14:42

 

 

 

Depois de dias fora do ar mostrando apenas os bastidores, a MTV Brasil voltou com sua programação no último dia 15.

Com a grade de apresentadores e de programas renovadas, está esperando o aumento de audiência. Mas por que mesmo que mudou?

A princípio, a justificativa da demissão de Marina Person e Léo Madeira foi a de que emissora iria focar mais na música e que os dois não se adequavam a isso. Mas observando a nova programação, vemos que não mudou muita coisa.

Um programa sendo substituído por outro do mesmo gênero. É isso a nova MTV. Fugindo dos princípios que há 20 anos foram impostos para a vinda da emissora para o Brasil, a música está cada vez mais fora do contexto. A maioria do Vjs faz parte do teatro e seus programas são focados na comédia, não havendo relação nenhuma com a base da emissora.

A música que está acabando ou a nova administração que esqueceu o que significa a sigla MTV?

 

 

 

A. Claudia Marioto. Supersticiosa, pisciana, blogueira no Qual Seu Mundo, indecisa, adoradora de Tumblr  e movida à música.

Book Blogger Hop #3

Por , 27 de março de 2011 21:55

 

Book Blogger Hop é um meme semanal, criado pelas meninas do Murphy’s Library. Toda semana elas lançam uma pergunta sobre o universo dos livros.

A pergunta desta semana é:

Se você pudesse se colocar na história de um livro ou de uma série de livros, qual seria, e por quê?

Hum… Pergunta difícil, pero no mucho. Apesar de adorar o universo de diversas histórias, acho que me incluo nos 98,7% das pessoas que adorariam viver em um mundo onde a magia está presente no nosso dia a dia. Sim, eu queria estudar em Hogwarts, queria ter uma coruja como meio de comunicação e adoraria escrever para o Profeta Diário (mas sem o sensacionalismo da Rita Skeeter, por favor!). Ainda estou esperando minha coruja chegar…

Tenho certeza de que você já adivinhou de que série estou falando, mas sempre vale a pena enfatizar: eu ADORARIA estar presente na história do Harry Potter!

Alguém mais??

Entre Páginas – Tormenta

Por , 26 de março de 2011 20:41

A série da Lauren Kate sempre me ganha pela capa! Quem nunca se sentiu atraído ao ver um dos livros da saga Fallen ali na prateleira, com aquela capa maravilhosa e com toque de veludo? Pois é. Não resisti à Tormenta.

Inferno na terra. É assim que Luce se sente quando está longe de seu namorado, um anjo caído, Daniel. Demorou uma eternidade até que eles se encontrassem, mas agora ele lhe diz que precisam se separar novamente. Somente pelo tempo necessário para caçar os Párias — anjos caídos, como ele, mas que desejam Luce morta mais do que tudo. Daniel leva sua amada mortal até a Shoreline, uma escola na rochosa costa californiana que esconde alunos com talentos únicos: os nefilim, filhos ou descendentes de relacionamentos entre anjos e mortais. Na Shoreline, Luce aprende mais sobre as sombras, e como pode utilizá-las como janelas para suas vidas passadas. Porém, quanto mais Luce descobre todas aquelas Luces anteriores a ela, mais ela suspeita que Daniel está escondendo um segredo — um segredo mortal. E se a versão de Daniel para o passado dos dois não é exatamente verdadeira? E se Luce devesse estar com outra pessoa — em uma vida não amaldiçoada por esse amor proibido? Será que ser amada por um anjo vale todo o sofrimento em séculos de existência?

Atenção: Contém spoilers de Fallen!

Minhas expectativas para Tormenta não eram muito altas. Apesar da capa lindíssima, com a foto da modelo brasileira Fernanda Brussi Gonçalves, a história de Luce e Daniel nunca exerceu tanto fascínio sobre mim. Quer dizer, não é a história… Eu gosto bastante do enredo e do universo criado pela Lauren Kate, mas o casal principal não consegue me conquistar.

E olha que iniciei a leitura sem opiniões pré-estabelecidas, uma vez que li Fallen há um bom tempo, no começo de agosto do ano passado. Aliás, confesso que foi um desafio e tanto voltar à série tanto tempo depois… Levei metade do livro para me lembrar do que havia acontecido no volume anterior e tive que dar uma “colada” de vez em quando.

Tormenta se inicia logo após a batalha travada entre anjos e demônios no cemitério da Sword & Cross. Após conhecer um pouco da história de seu relacionamento conturbado com Daniel, proveniente de diversas vidas passadas, Luce se vê no meio de um conflito histórico.

Porém, antes do embate final entre os anjos caídos, o bem e o mal devem se unir contra um inimigo em comum. Está estipulada então, uma trégua de 18 dias, tempo este que Luce deve passar dentro dos muros de Shoreline, uma escola onde grande parte dos alunos é formada por Nephilins. Mas o que Daniel não contava era que sua namorada fosse bater o pé e exigir respostas mais claras sobre tudo o que está acontecendo, inclusive sobre a real situação do relacionamento dos dois. Enquanto isso, Luce descobre mais sobre os Anunciadores e sua habilidade de convocar as sombras, além de fazer novos amigos leais.

Sim, a história é bem interessante! Mas, como disse, para mim falta química no casal principal. Luce é muito birrenta e Daniel muito meloso e controlador. Os dois claramente não se entendem, tanto que a própria mocinha começa a questionar se o melhor para ela é mesmo ficar com ele.

Gostei bastante dos novos personagens! Shelby é muito carismática e Miles é um fofo! Gostei até da Dawn e da Jasmine! As duas dão uma pitadinha de humor bem bacana! Espero sinceramente que os protagonistas “melhorem” no próximo livro.

Vamos ver o que Passion reserva para a gente, não é mesmo?

Ficha Técnica:

Título: Tormenta (Torment)

Autor: Lauren Kate

Editora: Galera Record

Páginas: 392

Avaliação: 3/5 estrelas

Sessão Pipoca – Sem Limites

Por , 25 de março de 2011 18:23

Há anos o escritor Eddie sofre de um bloqueio criativo. Quando um velho amigo lhe apresenta um remédio revolucionário, sua vida muda instantaneamente. Ele consegue lembrar de tudo que já leu, ouviu ou viu em toda sua vida. Aprende línguas, faz cálculos, consegue ler e escrever muito rapidamente. Eddie vira o rei de Wall Street chamando a atenção do mega empresário Carl Van Loon, que o contrata para fechar um dos maiores negócios da história.

Com Bradley Cooper e Robert De Niro

Estreia hoje nos cinemas

E se você pudesse ter o mundo nas suas mãos? Quando você não tem absolutamente nada, esse é um salto e tanto…

Esse é o caso do protagonista de Sem Limites, um autor fracassado que vive às voltas com seu livro interminável e que, de uma hora para a outra (e com a ajudinha de um “remedinho”), se transforma em um verdadeiro mito.

Cheio de ação, esse é um daqueles filmes que mostram que, com grandes conquistas, vêm grandes cobranças. Chega uma hora em que a “invencibilidade” começa a dar sinais de esgotamento e você começa a pensar que talvez essa dádiva não seja tão boa assim…

Fiquei super curiosa e morrendo de vontade de ver esse filme! Vai ficar em casa no fim de semana? Que tal um cineminha?

Sonhos Literários – Avalon

Por , 24 de março de 2011 16:22

Atualizado, com trilha sonora para o post!

Loreena McKennitt – The Mists of Avalon

 


 

A verdade é que era a minha segunda vez na Inglaterra. E eu estava decidida a conhecer Glastonbury, nem que eu tivesse que rodar Somerset inteira atrás das ruínas da abadia.

Um agradecimento especial ao casal mais querido de Londres: Vanessa e Andrew! Obrigada por participarem de um dos momentos mais incríveis da minha vida! – E por dirigirem o carro, também.

Senhores passageiros, acomodem-se e apertem os cintos. A viagem é longa, mas eu garanto fotos e relatos detalhados!

Prontos?

 

 

Embalada pelas palavras de Marion Zimmer Bradley e pelas imagens tantas vezes revisitadas em sonhos, conscientes ou não, escolhi meus destinos: Abadia de Glastonbury e Tor.

A cidade é pequena. Quase um povoado, uma aldeia. Ou pelo menos era a parte pela qual passeamos. As casas antigas, grandes  propriedades com portões de madeira, algumas com estábulos e cavalos nos fundos, uma manhã fria e ensolarada, o cheiro do inverno no ar e muitas placas indicando o caminho para Glaston.

Na subida para a rua principal, muitas lojas esotéricas, muitos restaurantes naturebas, e um cheiro constante de incenso, que mesmo com o vento forte tomava conta dos narizes e não fazia questão de ir embora.

Senti o ar sumir dos pulmões e os pelos eriçarem quando, depois da curva, avistei a torre de uma das igrejas da cidade. Eu não conhecia o caminho, mas sabia que estávamos perto. O sino soou: 11h da manhã. Estacionamos o carro e, à direita, uma placa: Abbey.

Aí eu já não sabia o que fazer primeiro. Voltar a respirar foi a melhor das opções, então depois que consegui retomar o fôlego, entramos por um caminho de pedra que terminaria numa grande e pesada porta de madeira e vidro. Abrindo a porta, um museu e a bilheteria.

Não lembro o preço, mas deve ter sido algo em torno de 6 libras – estudantes têm desconto.

Museus normalmente me agradam, e muito. Mas eu estava tão ansiosa pra entrar e ver as ruínas que acabei deixando de lado alguns fósseis e pergaminhos.

Como descrever uma Abadia? Uma grande propriedade, com várias construções. Nessa de Glastonbury, as ruínas distribuídas em  14 hectares (140 mil m²) de área incluem capelas, casa do “abbot” (não sei a tradução pra isso, mas era o “dono” do lugar), cozinha, claustro, refeitório, cozinha dos monges e por aí vai.

Eu me senti numa lenda. Mais do que uma lenda, senti que todas aquelas imagens que eu tinha das histórias de Marion Zimmer Bradley estavam ali, na minha frente. É uma pena ver o estado das ruínas, mas é um alívio saber que pelo menos uma parte delas ainda está lá.

Vi a grande capela, imaginei as cores das paredes, a altura do teto (que seria quase do tamanho da catedral de San Pietro, em Roma), vi azulejos do século XII escondidos debaixo de um minialçapão, conservados até onde as intempéries permitem.

Passeei pela Abadia, senti o cheiro das flores e imaginei monges andando ali e ensinando meninos, 9 séculos atrás. Por um momento, ouvi os sinos dos cristãos, espantando o povo de Avalon.

De repente, o susto: uma placa indicando um local.

“Local do antigo cemitério no qual em 1191 os monges cavaram para encontrar o túmulo de Arthur e Guinevere”.

CLARO que eu surtei e fui logo procurando o resto da história. Eu sabia que os corpos não estavam aí.

Do outro lado, dentro de uma das ruínas, outra placa:

“Dizem que no ano de 1191 os corpos de Rei Arthur e sua rainha foram encontrados no lado sul da Lady Chapel. Em 19 de abril de 1278, seus restos mortais foram removidos na presença do rei Eduardo I e da Rainha Eleanor, para uma tumba de marfim negro, neste lugar. A tumba sobreviveu até a dissolução da Abadia, em 1539”.

– Marfim negro é muito chique, né??

A verdade é que a história do Rei Arthur tem muitas versões. Até pouco tempo, eu achava que era lenda. Então, li As Brumas e fui atrás de referências e da história de Glastonbury. E um ano depois de ler a saga, visitei as ruínas da abadia, passei por lá, senti o vento e o magnetismo daquele lugar. E não me importo se os corpos estão perdidos há 6 séculos.

Eu acredito.

E acredito porque preciso acreditar em um rei justo e honesto, que apesar de todos os pecados que cometeu (Idade Média, gentem… santinho ele não era…), conseguiu governar por uma vida, colocando seus 12 cavaleiros (alusão aos 12 apóstolos?) numa posição igualitária, sentados à Távola Redonda.

Foto: Divulgação - site de Glastonbury

Outra surpresa agradabilíssima foi encontrar Matilda, a peregrina, passeando pelos campos entre as ruínas.  É um mimo que o pessoal de lá oferece: personagens da época vagando pela propriedade e contando a história de cada pedacinho de pedra.

Com Matilda, aprendemos não só sobre a Abadia, mas sobre os costumes da época. Na cozinha, grãos, frutos secos, raízes, pães e vinho. No corpo, se você não for da família real, somente cores neutras e tecidos leves. É uma moça de respeito? Então cubra seus cabelos. Na bolsa: uma faca, um cantil, uma cuia e uma autorização de viagem dada pelo bispo responsável pelo seu povoado. Quem não tem autorização de viagem e é flagrado só tem um destino – forca.

E quando eu achava que não havia mais nada para ver, descobrimos o caminho para o Tor.

Ele estava lá. No topo da colina. Já era final de tarde, então o vento estava mais frio, o sol estava indo embora e a névoa recomeçava a aparecer. Subimos, claro. E de lá dá pra ver toda Avalon Glastonbury, com suas grandes propriedades. Só senti falta de uma coisa: sentir o cheiro das macieiras de Avalon… Era inverno, então, macieiras FAIL pra mim.

Foi um dia mágico. E se você acredita, eu não sei. Mas, como diz Morgana:

…O que não é óbvio é secreto…

Un saludo e até a próxima parada: Oxford!

Domitila Gonzalez é colunista do Itu.com.br

Antiga brasileira, atual cidadã do mundo. Estudante de Jornalismo. Devora livros nas horas vagas. Passa horas ouvindo música. Fotografa com os olhos. Respira arte. Muitos colegas – poucos amigos.E adora contar histórias.

Parolagem Com Sentido – A vez da Escritora

Por , 22 de março de 2011 22:09

Depois do fim da parceria com o irmão, Sandy resolveu mostrar todos os seus talentos. Agora, atacará de escritora.

Formada em Letras, recebeu a proposta de publicar seu conto em uma coletânea com fins beneficentes da agência de conteúdo Contente.

Além de Sandy, a obra contará com outros cantores de diversos gêneros, como Pitty, Lenine,Erasmo Carlos e Rogério Flausino.

A história da cantora tratará de uma menina que está em busca da receita perfeita derosquinhas de coco.

Fonte: Veja

A. Claudia Marioto. Supersticiosa, pisciana, blogueira no Qual Seu Mundo, indecisa, adoradora de Tumblr  e movida à música.

Book Blogger Hop #2

Por , 21 de março de 2011 23:15

 

Book Blogger Hop é um meme semanal, criado pelas meninas do Murphy’s Library. Toda semana elas lançam uma pergunta sobre o universo dos livros.

 

A pergunta desta semana é:

Você leu um livro de determinado autor e amou. Você lê outros livros desse mesmo autor, mesmo que não seja seu estilo de livro?

Dependendo do autor e do tipo do livro, sim. Na verdade, é muito difícil eu não gostar de um tipo específico de livro… Leio desde literatura fantástica, até romances históricos, passando por ficção científica e grandes reportagens. Portanto, se eu gostei do autor (principalmente da escrita dele – olha o lado de jornalista/escritora dando sinal de vida), é bem provável que eu procure mais obras dele.

 

E você? Qual é a sua opinião? Você leria?

Pop Music Festival – Diário de bordo

Por , 20 de março de 2011 21:36

Eu tinha em mente uma espécie de “diário de bordo” da aventura, mas acabou ficando bem grandinho… Eu prometo que vale a pena ler tudo!

Um gostinho:

O trem estacioniou na estação do Morumbi. Com um vocalista hiper carismático, os rapazes do Train capricharam! Abriram logo de cara com um dos hits, If It’s Love e empolgaram a galera!

As primeiras notas de Pienso En Ti começam a ser entoadas e eis que surge ela, toda altiva em seu manto cor de rosa: Shakira. A estrela da noite começava a brilhar.

Pegue o guarda-chuva, alongue as pernas, e me acompanhe nessa aventura!