Sonhos Literários – Hogwarts
Accio trilha sonora!
Sempre esqueço…
Senhores e senhoritas, bruxos, abortos, trouxas ou elfos. A viagem de hoje é para Hogwarts! Espero que todos já tenham guardadas as vestes compradas na Madame Malkins. Não se esqueçam de que todo primeiro-anista pode levar, se quiser, uma coruja, um gato ou um sapo. Preparem-se para muitas citações, no meio do texto. Empunhem as varinhas e guardem a bagagem. O Expresso de Hogwarts já está pronto para sair!
-Eu juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom.
“Plataforma 9 ¾. Esse número não existe… existe?”
Bem, na verdade ele não fica exatamente entre as plataformas 9 e 10. Confesso que tive que andar um bocado na estação de King’s Cross St. Pancreas para encontrar a tal parede de tijolinhos.
Mas, SIM, esse número existe e tem um carrinho atravessando a parede, chamando a atenção de qualquer pottermaníaco que passa por ali! O que você faria se encontrasse a Plataforma 9 ¾? Bom, como infelizmente não dá pra atravessar na realidade, a gente sonha e tira uma foto no ar!
Voando de King’s Cross para Victoria Station, comprei um bilhete para o segundo destino: Universidade de Oxford! Já acomodada na cabine e com muitos sapos de chocolate (“Eu tirei o Dumbledore!”), feijõezinhos de todos os sabores (“Jorge jura que até de meleca ele já comeu”) e bolo de caldeirão, coloquei os fones de ouvido e me preparei para mais uma viagem no meu inconsciente, trazido à tona.
O trajeto demora mais ou menos uma hora e meia, dependendo do tipo de trem que você pega e de quantas paradas ele faz. Como os galeões eram escassos, acabei pegando um que parava 3 vezes antes de chegar em Oxford.
A estação é pequena, igual à cidade. Basicamente de universitários, com prédios e campus espalhados em todas as regiões. Desde os mais modernos, como o de engenharia e tecnologia, quanto os mais tradicionais, como Christ Church, meu destino final.
As fachadas das construções mais antigas são deslumbrantes. Quase totalmente esculpidas. É impossível perceber todos os detalhes nos primeiros 10 minutos, mas alguns padrões podem ser notados: anjos, demônios, vinhas, brasões e símbolos do século XIII.
Christ Church está quase perdido, lá no final da rua, disfarçado por um parque e um portão de ferro que escondem toda força daquele lugar. É um complexo de prédios de ensino que compreende basicamente muitas salas de aula, uma biblioteca monstro, um pátio gigante e uma igreja.
Logo na entrada, corredores labirínticos, como os das masmorras. Muitas portas pesadas de madeira, e eu podia jurar que a qualquer momento o professor Snape sairia de alguma delas, dizendo: atrasada para a aula, novamente, Srta. Gonzalez. Menos vinte pontos para a Grifinória.
O mais sensacional em andar em lugares como o Christ College é que, sim, há igrejas, claustros e passagens estreitas que você tem certeza de que já abrigaram muitos monges safadinhos ou alunos fugitivos, no passado.
Aliás, a Igreja da propriedade é fantástica. Com seus vitrais coloridos, órgãos gigantes, daqueles com dezenas de tubos, e fileiras de mesinhas, com luzes e livros para as celebrações. Dado do mal: John Locke (aquele moço do liberalismo) está enterrado lá.
Infelizmente a biblioteca não estava aberta para a visitação. Uma pena, porque eu realmente precisava de um livro da Seção Restrita, sobre pragas e bruxos das trevas do século V.
Quando cansei de andar, como mágica, acabei na entrada de uma ala. A ala das escadas (“elas gostam de mudar”), que conduziria ao tão procurado e esperado Grande Salão (“Que se inicie… O banquete”).
Peço licença para colocar o texto em legendas, agora. Fotos grandes são necessárias.

Espaçosas, rodeadas de janelas e guardadas por luzes em forma de poste, lá estavam elas. E, novamente, a sensação de dejavu: Neville Longbottom, o sapo perdido, a apresentação de Draco e Harry e a face séria de Minerva McGonnagall, reprimindo a bagunça antes da seleção oficial para as casas.

Com um agito de varinha (“é só girar e sacudir”), as portas se abriram e meu queixo caiu. TUDO estava lá. As mesas enormes, a ala dos professores, o teto (que "foi enfeitiçado para parecer o céu, à noite”), o cheiro de comida gostosa e os quadros, que a qualquer momento acenariam ou ririam da minha cara de primeira-anista.
E se eu fechasse os olhos, as mesas se encheriam com diferentes pratos para o almoço. E eu poderia ouvir as risadas de deboche de Pansy Parkinson e as risadinhas das meninas da Corvinal para o novo artilheiro de quadribol da Grifinória. E sentir o cheiro de fuligem, imaginando por acaso a cabeça de Sirius surgindo, na lareira. E os olhos ternos do nosso eterno Dumbledore, fitando-me sob os oclinhos de meia-lua. E o som do correio-coruja, entregando a minha edição especial d’O Profeta Diário, com notícias de última hora sobre o Ministério da Magia.
Despertada por um senhor guia muito entusiasmado, ouvi que um dos quadros do lado direito era o retrato de Lewis Carroll, pai de outra das minhas paixões literárias: Alice. Aquela do frasco e do biscoito, do coelho branco, do gato, da Rainha de Copas, da Lebre, do Chapeleiro e do chá.
Ele estudou aqui! E escreveu seus livros, criando figuras parecidas com as que ele via em Oxford!
Estreitei os olhos e estiquei o pescoço para ouvir o resto da história. Imagine encontrar uma escultura com cara de Humpty-Dumpty! Ou ter aulas com um professor Mad-Hatter! Duvido que alguém acertaria a pergunta sobre o corvo e a escrivaninha.
Inclusive, a verdadeira Alice, a criança que o inspirou, comprava caramelos e doces numa loja perto daqui!
Foto: Divulgação - site de Alice's Shop
Aí ele pediu pra que eu saísse correndo. Não precisei nem ir muito longe. A Alice’s Shop ficava quase em frente a Christ Church e fechou meu dia com chave de ouro!
O que vendia? Doces, miniaturas dos personagens de todos os tipos, cartões, jogos, livros de muitas impressões diferentes, versões ilustradas, cartoons, joias, pins e claro chás, biscoitos, chaleiras e jogos de porcelana com desenhos do livro.
O que eu comprei? Bem, considerando que eu estava na Inglaterra, numa loja sensacional e fazia frio, eu escolhi um conjunto de pires e xícara, decorados com a cartola do Chapeleiro.
O último adeus a Oxford tinha cheiro de cookies e gosto de chá com leite.
Um suspiro.
-Mal-feito feito!
E a viagem de volta, já querendo me fazer ficar para sempre.
E agora, meninas, garantam suas almofadas no sofá, arrumem fitas bonitas, coloquem os cachinhos no lugar e preparem o bordado, porque o próximo destino é Alton, a casa da musa diva deusa rainha dos romances, Jane Austen… E eu já ouço o cavalo de Mr. Darcy chegando, na estrada…
Um saludo e até a próxima parada!
Domitila Gonzalez é colunista do Itu.com.br
Antiga brasileira, atual cidadã do mundo. Estudante de Jornalismo. Devora livros nas horas vagas. Passa horas ouvindo música. Fotografa com os olhos. Respira arte. Muitos colegas – poucos amigos. E adora contar histórias.




































