
Primeiro, foi a capa. Depois, a sinopse. O enorme burburinho na blogosfera também fez sua parte e eu me vi instantaneamente curiosa para colocar as mãos em Delirium e desvendar o universo distópico da Lauren Oliver. Então, acho que já dá para imaginar minha alegria quando fui convidada para participar da booktour realizada pelas meninas do Murphy’s Library, não é mesmo?
Antes de os cientistas encontrarem a cura, as pessoas pensavam que o amor era uma coisa boa. Elas não entendiam que uma vez que o amor—o delírio—aflora em seu sangue, não há como fugir dele.
Agora, as coisas estão diferentes. Os cientistas são capazes de erradicar o amor, o governo obriga que todos os cidadãos recebam a cura ao completarem 18 anos. Lena Haloway sempre ansiou pelo dia em que ela seria curada. Uma vida sem amor é uma vida sem dor: segura, medida, previsível, e feliz.
Mas faltando 90 dias para seu tratamento, Lena faz o impensável: se apaixona.
(sinopse traduzida pela Maeva, do Murphy’s Library)
Faz pouco mais de 20 minutos que acabei de ler este livro e minha cabeça ainda está rodando. Com os olhos secos e os batimentos cardíacos controlados, finalmente consegui me sentar para tentar escrever sobre ele. Mas a tarefa não é fácil… São tantos sentimentos conflitantes que nem sei por onde começar.
Sentimentos. Essa, sem dúvida, é uma história dedicada a eles.
“Eles dizem que nos dias antigos, o amor levou as pessoas à loucura. A mais mortal dentre todas as coisas mortais: ele te mata tanto quando você o tem, quanto quando não o possui”.
Preocupação, dificuldade de foco, boca seca, transpiração, perda de interesse, dificuldade de respirar, letargia, falta de apetite… Se você sofre desses sintomas, cuidado! Você pode ter contraído amor deliria nervosa, uma doença realmente grave que pode te levar à morte. Mas não precisa entrar em pânico! Existe uma cura. Um mundo livre de dor e aflições te aguarda assim que você atingir a maioridade.
Essa é a realidade de Portland. A cidade americana foi uma das primeiras a ter suas fronteiras fechadas e a se livrar da epidemia da doença. E, para evitar que ela retorne, o governo mantém regras bem rígidas, como toques de recolher, batidas policiais e, mais importante de tudo, a segregação entre homens e mulheres “não-curados”.
Lena, a nossa protagonista, está a 95 dias de receber sua cura e mal pode esperar para se ver livre da doença que matou sua mãe. Porém, ela nunca poderia prever as surpresas e os questionamentos que o verão traria. Será que a verdade que ela sempre tomou como inquestionável é tão correta assim? E será que o amor é mesmo uma doença tão letal?
Confesso que tenho uma “quedinha” por distopias. Ao mesmo tempo em que sentimos um certo alívio por viver em um mundo que preza (pelo menos em teoria) pela liberdade de expressão e pela facilidade de comunicação, percebemos que a nossa realidade também não é exatamente o que pregamos. Além de encontrarmos diversos países onde liberdade é uma palavra que não existe no vocabulário (oi China!), ainda temos que lidar com as manipulações do “Grande Irmão” e da mídia.
Em Delirium, Lauren Oliver soube explorar muito bem esses aspectos com uma narrativa envolvente e bem emocionante – no sentido literal da palavra. Lena é uma protagonista que chega a irritar de tão ingênua no começo, mas que evolui de tal forma que é impossível não se apegar a ela com o desenrolar da história. E o Alex, então… É o “subversivo” mais fofo desde Peeta.
Os personagens são muito bem construídos e é possível perceber que seus pensamentos e atos refletem diretamente o seu passado. Lauren caprichou no background e nas personalidades, o que só enriquece ainda mais a leitura. Particularmente, eu desenvolvi um carinho especial por Hana. Quem não gostaria de ter uma melhor amiga como ela, disposta a arriscar tudo por aquilo que acredita ou para salvar seus amigos?
Delirium é mesmo cativante! É impossível interromper a leitura e, se por acaso somos obrigados a fazê-lo, continuamos pensando na história até a hora de colocar as mãos no livro novamente. E o final… é literalmente de tirar o fôlego! Mergulhei de cabeça nas páginas, a ponto de ofegar junto com Lena e verter lágrimas por seu sofrimento.
Uma leitura mais do que recomendada para todos aqueles que sentem.
“Isso vai me matar, isso vai me matar, isso vai me matar. E eu não me importo”.
Ficha Técnica:
Título: Delirium
Autor: Lauren Oliver
Editora: Harper Collins
Páginas: 441
Avaliação: 5/5 estrelas