Entre Páginas – Incarceron
Ensaiei a leitura deste livro por mais de um ano. Já estava com a “pulga atrás da orelha” desde que a Lívia, do Wishing a Book, indicou a obra de Catherine Fisher como must read. E então, para “piorar”, me deparei com o livro em “carne e osso”, ou melhor, “tinta e papel” ali, na prateleira da livraria. Porém, mesmo tendo Incarceron em mãos por meses, acabava adiando a leitura. Até que… decidi dar uma chance!
Incarceron é uma prisão tão vasta que não tem apenas celas, mas também florestas de metal, cidades em ruínas e vastos desertos. Finn, um prisioneiro de 17 anos, não tem nenhuma memória de sua infância e tem certeza de que ele veio de Fora de Incarceron. No entanto, apenas alguns poucos prisioneiros acreditam que exista algo lá Fora, o que faz com que uma fuga pareça impossível.
E então Finn encontra uma chave, um cristal que o permite se comunicar com uma garota chamada Claudia. Ela diz viver lá Fora—ela é a filha do Diretor de Incarceron, e condenada a um casamento arranjado. Finn está determinado a escapar da prisão, e Claudia acredita que ela pode ajudá-lo. Mas os dois não percebem que há mais em Incarceron do que os olhos vêem. Uma fuga custará toda sua coragem e mais do que eles imaginam.
(Sinopse by Maeva, do Murphy’s Library)
Imagine uma prisão que é tão, mas tão grande, que é quase como se fosse um universo à parte – quer dizer… é praticamente um outro universo! Repleta de corredores sombrios, regiões perigosas e pessoas pouco “amigáveis”, Incarceron é um verdadeiro labirinto que engole vidas e esconde segredos.
Suas entranhas são formadas por diversas alas – muitas destas, desconhecidas – e divididas basicamente como bairros. Inclusive, muitos “moradores” de certas cercanias não se relacionam muito bem com os de outras e assim por diante, o que só aumenta a sensação de uma “panela de pressão” a ponto de explodir.
Essa é a ambientação no mínimo curiosa criada por Catherine Fisher. A prisão é uma personagem viva, que respira, trama, segue de perto os seus internos e gela os nossos ossos! Uma coisa é lutar contra um vilão que quer impedir os seus planos… Mas outra completamente diferente é ir contra uma estrutura imensa e com uma inteligência própria – e terrível. De certa forma, me atrevo a dizer que Incarceron é basicamente um thriller psicológico (mas sem aquela conotação “serial killer de ser”), que mexe com a gente e nos faz repensar a ideia de liberdade e realidade.
Mas não para por aí! O lado “de fora” também não é exatamente como estamos acostumados. Apesar de a história se passar em uma época que parece ser no futuro, ela retoma os elementos do passado. O livro não deixa muito claro quais foram os acontecimentos que levaram a sociedade a regatar os valores, a cultura e linguagem de antigamente, apenas cita que os avanços tecnológicos estavam se tornando prejudiciais para o mundo e, portanto, a melhor solução seria aderir à forma de vida “clássica”, digamos assim. Logo, prepare-se para carruagens, vestidos, espartilhos e muita cerimônia!
Aliás, acredito que esse tenha sido um dos fatores que pesou na dificuldade do inglês da narrativa: a linguagem mais rebuscada. Confesso que durante as primeiras páginas, li mais o dicionário do que o livro em si! Intrigada, fui pesquisar mais um pouco e descobri que a autora é do País de Gales, o que também deve ter influenciado na escrita “pomposa”. Mas, uma vez familiarizada com o universo e com os personagens, a leitura fluiu mais tranquilamente.
Quanto aos personagens, fico um tanto quanto dividida. Finn me conquistou com sua fragilidade interior, mascarada por um exterior forte e determinado. Parte integrante do grupo visto como a “escória” do lugar, o garoto é conhecido por seu um “Starseer” (ou “observador das estrelas” em uma tradução bastante livre). Ele não se lembra de como foi parar na prisão, mas tem flashes de uma vida que ele não sabe se é (ou foi) sua, ou se são apenas imagens desconjuntadas enviadas por uma espécie de lenda de Incarceron. Isso meio que lhe compra um certo respeito aos olhos dos outros prisioneiros que, na dúvida, preferem não criar encrenca com o único possível meio de fuga.
Já Claudia… no geral, gostei de sua personalidade forte, da sua sede por conhecimento e da sua ligeira tendência a quebrar o Protocolo (literalmente!). Porém, a sua dinâmica com Jared me remeteu muito à cumplicidade de Danaerys com Jorah, de As Crônicas de Gelo e Fogo – inclusive na impetuosidade acentuada dela, e nos conselhos “calmantes” dele (o que, se você acompanha as reviews de Game of Thrones, sabe não é uma comparação muito boa…).
A lenda de Sapphique foi um dos elementos que mais me prendeu, assim como os trechos de lendas, músicas, cartas e regras apresentados no começo de cada capítulo – e que servem para nos inserir no assunto que será explorado nas próximas páginas. A mitologia de Incarceron é impressionante, mas acredito que ela poderia ter sido um pouco melhor explorada… muitas perguntas ainda seguem sem resposta e faltam alguns elementos para ambientar melhor o leitor. Espero que a continuação consiga ligar todas as pontas soltas de forma satisfatória e manter o grau de suspense no máximo!
(Rolam boatos de que a Editora Novo Século detém o direito de publicação da série no Brasil, mas o lançamento segue sem previsão)
*nível de inglês: difícil*
Ficha Técnica:
Título: Incarceron
Autor: Catherine Fisher
Editora: Firebird Fantasy
Páginas: 442
Avaliação: 3.5/5 estrelas











