Blá Blá Blá – Doentes de Amor

Por , 1 de junho de 2014 10:30

“Todo mundo fala que o amor machuca, mas isso não é verdade.

A solidão machuca.

Rejeição machuca.

Perder alguém machuca.

Todo mundo confunde essas coisas com amor, mas na realidade, o Amor é a única coisa nesse mundo que apaga toda a dor e nós faz sentir maravilhoso novamente.”

A culpa é das estrelas, filme baseado no romance de John Green, estreia quinta-feira dia 05/06 nos cinemas do país (Veja o nosso review do filme), mas essa não é a primeira história em que uma jovem se apaixona antes (ou após) descobrir que tem uma doença difícil pela frente.

É um caso clássico, da mesma temática contada diversas vezes. Mas  que com uma perspectiva diferente, nos fazem chorar e se apaixonar a cada novo lançamento.

Voltamos no tempo (allonz-y!), e chegamos em 1970. Ryan O’ Neil e Ali MacGraw, encantaram uma geração inteira, com a história de Jenny e Oliver, inspirado pelo livro de Erich Segal, Love Story.

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E há neste primeiro grande sucesso, todos os elementos que encontraríamos nas outras tramas: pessoas jovens passando por uma situação complicada demais para a sua idade. Cenas de descontração aliado com momentos a dois inesquecíveis. Lições sendo aprendidas e colocadas em prática.

E o mais importante: um casal que se ama e tem que enfrentar uma situação sem controle.

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O drama de Hazel e Augusts não fica muito distante dos pontos listados acima. Green, traz os dois personagens ainda em seus anos de adolescência, que são obrigados a  lidar com a sua mortalidade, ou como a personagem Hazel lindamente coloca:

“Alguns infinitos são maiores que outros….Há dias, muito deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado.”

Eleva-se assim, uma das questões mais tristes desses livros: Alguém vai morrer.

Estamos falando de ficções, mas que são baseadas em doenças reais, em pessoas reais, que tem sonhos, planos, amigos, família e um amor. São pessoas que tem que deixar esse mundo muito cedo e que tem todas as razões para estarem zangadas.

E a grande beleza dessas histórias, é que por mais impossível que a situação seja, a pessoa que ama, sempre tem esperança, torce e espera por uma melhora, um milagre em alguns casos. E mesmo quando isso não acontece, o amor que foi sentido e entregue, é maior do que própria perda.

A pessoa amada se foi, mas pelo menos, ela teve alguém do lado até o fim.

Ela partiu sabendo que foi verdadeiramente amada.

Uma das grandes lições, não é só o amor puro, mas também como lidar com a perda, e que infelizmente o universo não é justo.

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Assim como a Hazel, Tessa Scott de Antes de Morrer de Jenny Downham, também não quer aceitar o seu tempo reduzido.

Ela fica brava com a sua família e principalmente, com o Universo, por lhe tirar tão cedo.

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Quando faz a sua lista de ‘exigências’ do seu enterro, pede que seja lido soneto n° 12 de Shakespeare que em um trecho diz: “Como a doçura e a beleza se abandonam,
E morrem tão rápido enquanto outras crescem;”

E deitada na cama enquanto a sua vida vai ficando fina, ela pensa sem ter força para dizer: “Vamos dizer sim, então. Sim para tudo só por mais um dia.”

Cada um lida de uma forma com a perda. Uns choram muito, outros gritam, enquanto alguns se fecham na própria dor, mesmo nessas diferenças de reação, acredito que a dor, assim como a conseguir superá-la, tem o mesmo sabor amargo.

Leo, de Branca como leite, vermelha como sangue de Alessandro D’avila, descreve esse sentimento de abandono perfeitamente:

“Deus, as estrelas já não servem para nada: pode apagar uma a uma.

Destrua o sol e esconda a Lua.

Esvazie o oceano, arranque as plantas.

Agora, nada mais é importante.”

É possível ver a tentativa de após essa experiência ou durante ela, de colocarem em prática os ensinamentos que tiveram.

Como Oliver em Love Story, que foi um marco para uma geração inteira.

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Assim como mais de 20 anos depois, Um Amor para Recordar, baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks, foi o marco para a nossa geração.

60058574Difícil achar uma pessoa que não viu o filme, ou que pelo menos nunca ouvir falar!

Eu amo, meu pai adora e a história de Landon e Jamie, lançada a 12 anos atrás, ainda continua fresca na mente de muitas pessoas.

A trama que segue uma linha mais conservadora, com a protagonista tendo, por exemplo, se casar na sua lista de coisas que gostaria de fazer antes de morrer, inspirou uma leva e deu força para que os outros romances de Nicholas Sparks virassem filmes.

Apesar de ser criticado por alguns, o filme tem cenas brilhantes e apaixonantes, além de uma trilha sonora que faz parte do dia-a-dia de muitas de nós.

Aqui, Jamie está conformada com o seu destino e tenta continuar a sua vida sem fazer força para mudar o que está por vir.

Atitude que divide com Annabelle do filme Os Inquietos, que também só tem alguns meses de vida, mas encontra no solitário Enoch, a companhia perfeita para viver esses últimos momentos.

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Se as duas estão conformadas até demais, Kate de Uma Prova de amor, baseado no livro de Jodi Picoult, está em um ponto ainda pior.

article-1170510-047B25AD000005DC-965_634x264Ela já não aguenta mais viver lutando contra o seu próprio corpo. Ao contrário dos outros livros, esse foca no romance, mas também em como uma doença longa pode causar a separação de uma família.

Ao olhar essa lista, poderíamos falar que o nosso fascínio e profundo envolvimento com esse tipo de história triste, é só por causa do romance, mas eu não concordo.

Nesse tipo de trama, lidamos com duas grandes questões que nos assombram todos os dias.

A primeira é: ‘Será que terei um amor tão forte e real como esse?

Já a segunda questão é a mais difícil, e que muitas vezes evitamos pensar nela: ‘Qual será o tamanho do meu conjunto ilimitado de dias?

Amor e Morte.

Dois tópicos complicados de se lidar. Dois tópicos que se cruzam mais do que deveriam.

Histórias assim, mesmo as ficticias, nos levam a pensar e tentam nos tirar do marasmo em que vivemos a nossa vida. Nos forçam a tentar realmente fazer valer o tempo que nós resta na Terra, seja ele qual for.

Vinicius de Moraes em seu poema mais famosos escreve: ‘que seja infinito enquanto dure’, se referindo ao amor, mas vamos ampliar para a nossa vida por completo.

Que a nossa vida (e os amores dela) siga essa filosofia, de serem sentidas ao infinito, enquanto durarem.

E que possamos continuar lendo os livros e vendo os filmes,  e sempre tirar o melhor deles.

Okay?

 Para Ler

Livros para chorar

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 Para Ver

Filmes para chorar

Filmes para chorar 2

Leia o nosso review da adaptação de A Culpa é das Estrelas

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2 comentários para “Blá Blá Blá – Doentes de Amor”

  1. Rafael disse:

    Uma piadinha infame, mas isso sim que é um post de morrer 😀

    [Responder]

  2. Oi Fanny, primeiro devo dizer que já começou o post com um lindo e verdadeiro pensamento. Agora em relação aos livros e filmes citados, li ACEDE e amei, não vejo a hora da estreia do filme. Já Um Amor para Recordar, não vi e nem li, só conheço de resenhas. Uma Prova de Amor já vi umas 3 vezes e sempre choro! O livro eu não li infelizmente. Love Story só li o livro e também amei e chorei muiiiiiiiiiito.
    Bjs, Rose.

    [Responder]

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