Nota Musical – Review Ultraviolence, de Lana Del Rey

Por , 25 de junho de 2014 9:00

A revelação da música indie em 2011, volta com o 2° CD da sua carreira.  Lana Del Rey (de quem já falei aqui) traz o seu Ultraviolence, mostrando que o sucesso de Born to Die, não foi () causado pelos seus lábios.

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Há quase 3 anos, uma misteriosa cantora surgia na cena musical. Com somente um clip e uma música, Lana Del Rey se lançava no showbizz trazendo uma aura de mistério e se tornando um tipo de musa retrô, com músicas, estilo e voz que não ficariam tão deslocados em outras décadas passadas.

Mas não se enganem: apesar de ter estourado principalmente pelo boca a boca mundial dos indies, o lançamento de Lana, cujo nome real é Lizzie Grant, foi muito estratégico e após meses e alguns singles (como o maravilhoso Born To Die), o seu primeiro álbum estreou, trazendo o que esperávamos dela: composições desafiadores e românticas, muito bem produzidas e sendo possível perceber que os seus lábios (tão comentados)  realmente ‘aparecem’ em alguns momentos.

O lançamento de Ultraviolente, traz o tão esperado segundo CD de qualquer artista que faz misto sucesso, e sei que tinha muita gente torcendo contra… mas o novo álbum está muito bom.

Ultraviolente, é mais dark e sombrio que Borne to Die em vários fatores. As composições nesse novo estão ainda mais centradas em uma relação problemática e com um destino triste (isso, porque no outro ela chega a cantar, entre outros, o verso ‘i’m nothing without you’) e não há aquelas músicas mais animadas no meio, como Off to the races e Diet Mtn Dew).

Mas é essa mesma sobriedade, que dá propriedade e background para as composições que são apresentadas.

Todas as canções trazem uma sonoridade forte, com arranjos caprichados, que não lhe fazem lembrar de Born To Die, ao mesmo tempo em que te fazem perceber que se trata de uma evolução em relação ao seu primeiro trabalho.

O álbum está bem feito, mas então, Lana cometeu talvez o maior erro da sua carreira até agora, e deu uma entrevista glamorizando a morte e disse que não queria ser tão famosa e que queria morrer jovem como Amy e Kurt.

Ela negou que tenha falado essas exatas palavras, mas o jornalista tinha a entrevista gravada e não deu mais para fugir disso. Até mesmo Francis Cobain (filha do Kurt), veio dar uma chegada para lá nela bem educadamente e tenho certeza que Lana vai pensar mais no que vai falar daqui para frente.

Porém, toda essa história só fez o foco sair do seu incrível CD e parar nas suas declarações pessoais. Quem já conhece a peça, está acostumada com as suas composições, afinal you and i were born to die, né?

Mas aposto que quem for atrás para conhecer o trabalho dela agora, vai se deparar com uma música como Sad Girl no novo álbum, e realmente acreditar que ela quer morrer.

Não gosto de julgar (mas já entrando), eu não acho que seja o caso. Acredito (e posso estar enganada) que tudo isso fez parte do ‘tipo de comportamento’ que ela quis vender com esse novo trabalho, assim como o look retrô combinou com o primeiro, e tento relevar porque gosto do trabalho, mas não levo a sério.

Afinal, não podemos levar tudo  em consideração de alguém que compõe e canta uma música em que fala: “My pussy tastes like Pepsi Cola”.

Mas voltando ao álbum, ele vai causar tanto quanto o anterior, e se preparem para aguentar ainda muitos comentários sobre o trabalho (e a vida pessoal) de Lana.

As músicas West Coast, Brooklyn Baby, Fucked My Way Up To The Top, devem fazer mais sucesso do que as outras, por terem um apelo um pouco mais comercial, especialmente a primeira, que foi escolhida como o primeiro single .

The Other Women, apesar da sua simplicidade, traz um estilo e uma letra que cairia como uma luva em qualquer cena da década de 60. Até dá para imaginar as cenas, em um filme com um final triste.

Cruel World, Money Power Glory (minha favorita!), Black Beauty e Old Money, dividem o posto de serem as canções mais bonitas.

Falta um single forte como Video Game e Born To Die, mas Lana vai se virar bem mesmo sem eles.

Ultraviolence, tem a mesma força do primeiro CD, e pode firmar de vez a sua carreira, é só continuar com as boas composições e deixar para dizer que quer morrer para as suas letras, que fica tudo certo.

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Álbum: Ultraviolence

Artista: Lana Del Rey

Gravadora: Interscope

Nota: 4,5/5 estrelas

 

 

 

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