Divergente: Análise completa da série

Por , 16 de julho de 2014 19:53

Por Thais da Mata e Fanny Ladeira

É muito estranho quando duas pessoas leem uma série, de maneiras completamente diferentes, e acabam tendo percepções distintas dos livros. A Thaís leu a série ao longo de quase 3 anos desde o lançamento do primeiro livro. A Fanny devorou em menos de uma semana. Apesar de ambas discordarem em vários pontos, tendo conclusões completamente opostas, concordam que o grande spoiler do final do livro não é o motivo para não se ler a série.

Depois de as duas terem feito uma análise positiva, sobre o filme, elas retornam para falar do universo da série Divergente e contam suas impressões da série inteira.

Atenção: Esse post contém SPOILER para quem não leu a série Divergente.

 

divergent-simboli

 

Desde que foi lançada em 2012, a série Divergente arrastou uma legião de fãs, como a Sabrina, que resenhou o primeiro livro da série, e a Thaís.

A Thaís estava realmente esperando com tanta ansiedade o último livro, que de posse do kindle, ela comprou logo após o lançamento no EUA e devorou em menos de 5 dias, já para a Fanny a série se tornaria a mais controversa, em termos de interesse. Logo duas maneiras completamente diferente de encarar o último e derradeiro livro da série.

Séries é um caso à parte para todos os book-a-hollics, isso porque já pensamos que se pegarmos para ler aquele o primeiro livro, teremos que nos comprometer com os livros subsequentes, que podem ter um número muito elevado (ou sem números de livros definidos), ou atrasos nas suas conclusões.

Mesmo assim, é possível ir perguntando ou ir vasculhando na estante, e perceber que estamos com várias séries em aberto. As vezes não temos clima para continuar a série, queremos saborear aos poucos, ou simplesmente a série não vale o tempo perdido.

Encarar a leitura de um livro que faz parte de uma série, não nos limita somete ao tempo gasto, mas também a qualidade que nem sempre é continuada em todos os livros. Algumas começam muito bem e caem um pouco de qualidade (como Feios), outras criam continuações desnecessárias pelo caminho (como Hush, Hush) ou nos desapontam nos últimos livros (como Fallen). Enquanto tem outras que só a vontade são finalizadas por muita determinação do leitor (como Os Imortais). Poucas séries conseguem ser consistentes ao longo de vários livros, algo que o autor deve sempre se preocupar, pois uma série não deixa de ser uma história com começo, meio e fim.

AMI
O mundo da distopia sempre nos encantou, e nos decepcionou.

A história sempre começa muito bem, com muita criatividade sempre somos apresentados à mundos completamente diferente, nos envolvemos nas histórias e conseguimos captar parte da mensagem que os autores buscam mostrar. Porém após diversas leituras distópicas, principalmente séries, vemos que  autor/autora se perde na história e a impressão que fica, é que não havia um traçado muito claro para o seu futuro.

E assim deixa-se de aproveitar aquela ideia maravilhosa apresentada ao início do livro, para entregar um final fraco. E infelizmente Divergente não fugiu dessa triste sina.

No primeiro livro, a história se desenvolve com espaço e tempo. Tris é apresentada como uma personagem forte apesar da sua origem em uma facção nada violenta, e a medida que ela vai fortalecendo dentro do que a sua nova facão exige, nos vamos ficando mais apegados a ela. Ela consegue encantar o leitor, e o trás para o seu lado. Seja para torcer para que ela bata no adversário mais forte durante o treinamento, ou para que ela fique com Four. Divergente faz bem o seu papel, e introduz os personagens, os mocinhos e os vilões, nos entregando um final intrigante que nos leva ao conflito construído pela autora para a história

O segundo livro, Insurgente, apesar de manter a qualidade em termos de desenvolvimento, começaria a apresentar os primeiros indícios que revelaria o ponto fraco em toda a narrativa da série para frente: A necessidade de colocar mais elementos, alinhado com a falta de tempo em explicar cada um deles. É importantíssimo que a história tenha uma linha de continuidade e que todos os elementos apresentados sejam realmente necessários para composição final. Estamos falando daquela velha história, coloque todas as cordas, mas ao fim, não esqueça de dar os nós para não deixar pontas soltas. De nada adianta colocar mil coisas na história e não ter tempo de explicar tudo.

Em Divergente, o foco é nas facções, principalmente em Audácia e Abnegação. Já em Insurgente, ela tentou encontrar espaço, mesmo com uma guerra iminente para inserir os Sem Facção. Algo que a principio achamos que acrescentaria pontos a história, ou ao menos uma explicação, mas que com o desenrolar do livro passou apenas como mais um elemento sem necessidade, pois ao fim os personagens acabam vagando para fora da cidade em busca das respostas necessárias para o universo deles.

E aqui começava as diversas perguntas que ficariam sem respostas ao fim da leitura de Convergente.

fran
E não foram poucas perguntas abertas! E ao pensar nelas é possível perceber que são todas dos elementos novos inseridos na série depois do segundo livro.

As pessoas vivem como Sem Facção, debaixo da cidade, usando os recursos das facções, e nenhuma outra facção percebeu que havia pessoas demais vivendo assim?
Que governo mais sem pé e cabeça, controla os divergentes e não os Sem facção?

E essa situação se agravaria ainda mais no terceiro livro da série, Convergente.

Se achamos que os novos elementos de Divergente já eram o suficiente, ainda não estávamos preparados para o último livro da série. As novas ramificações são tantas que o livro é não só corrido, como confuso e sem uma linha lógica de acontecimentos.

Na pressa de contar a história, que precisa ser finalizada, ela não deu muitas explicações sobre tudo que inseriu de novo, e ainda teve tempo de bagunçar inclusive o motivo original da série, os Divergentes.

A nossa teoria, é que quando ela começou a escrever a série, ela também não tinha uma ideia clara do que os Divergentes teriam de diferente, fora o fato de que eles não se encaixavam em nenhuma das facções.

Mas pelas explicações do último livro, ser Divergente era mais que isso. Envolvia um código diferenciado, e qualquer um que não apresentasse isso, não era um divergente propriamente dito. E com isso, quase aos 45 do segundo tempo Four descobre que não é Divergente, enquanto Tris é uma divergente mais pura que podia existir.

Só não espere que essa questão seja aprofundada o suficiente para que o leitor fique satisfeito, e se era para deixar assim, não precisava ter entrado para começar a conversa.

A Tris é diferente do Four geneticamente, mas o que o torna mais forte que os outros?

Teria um novo tipo de pessoas nascido durante o experimento deles? Um que não se encaixa nas Facções, mas ainda assim não é Divergente?

Além disso, assim como o Four, sempre sentíamos que esse era o link forte entre os dois, o fato deles serem relativamente iguais. Era por isso que ela o desafiava, não? Porque os dois tinham tantas características parecidas?

dbreru
Se essa tivesse sido a única falha com os protagonistas poderíamos relevar, mas ela conseguiu desconstruir parte da personalidade cativante de ambos, e quem mais sofreu com isso foi o Four.

Nos outros livros, era a Tris que aprontava e ele era a cabeça sensata dentro da ‘relação’ dos dois, mas principalmente no último, em vários momentos ele tentou jogar como se a culpa de várias situações fosse da Tris. Chegando até a questionar os motivos dela não participar do roubo do soro.

Em Convergente, ele deu um passo para trás.

Geralmente, essa personalidade inconstante acontece com as heroínas, que ficam insuportáveis em algum livro, mas acho que é um dos primeiros livros que encontramos um mocinho desse jeito. Um personagem mudar ao longo de uma série, é extremamente normal, afinal a vivencia muda uma pessoa, mas as pessoas dificilmente perdem a sua personalidade. Com Four, vemos uma desconstrução de um personagem de tal maneira, que mal reconhecemos o Four de Divergente. As pessoas mudarem com suas experiencias é importante, foi isso que a Tris aprendeu ao longo dos 3 livros, mas sem deixar de ser ela mesma. Ao fim de Convergente, temos um Four completamente estranho daquilo que ele apresentou ao longo da história, e infelizmente não foi uma desconstrução eficaz do personagem, nos deixando com a sensação de que algo saiu errado ao longo do caminho.

E se a trama do livro já estava duvidosa, o epílogo veio para ferrar tudo de vez. Novamente, trazendo mais perguntas do que respostas.

Todo mundo que vivia em Chicago simplesmente aceitou as mudanças tão bem? Não houve outros motins, levantes das outras pessoas?

O epílogo foi fraquíssimo, dando a impressão que foi só para agradar uns poucos.

Ao ler o último livro, a Thais que acompanhava a série com tanta esperança, ficou com a impressão de que parecia até outra pessoa escrevendo,  muita coisa pareceu fatos para encher linguiça, e prejudicaram o andamento de uma série inteira.

ABENEE

Mas nem tudo foi para perder, o grande spoiler do livro, a morte de Tris, foi o elemento mais bem colocado em toda a série, ao lado das divisões das facções.

Para a Thais foi uma surpresa, mas passa longe do motivo para ela não ter gostado do livro, afinal, foi só mais um elemento. A Fanny acabou lendo a série inteira sabendo que isso iria ocorrer, e talvez por isso, foi mais fácil perceber que ao longo de toda a série, que isso já estava certo de acontecer.

A Fanny é da opinião de que quando a Veronica sentou para escrever a série, ela pensou nas facções, e que colocaria uma menina que ninguém podia acreditar, sendo a responsável por acabar com tudo aquilo, e que ela morreria no final. Porque apesar de todas as inconsistências da série, esse foi um ponto forte na trama.

Desde o primeiro livro, e o momento que a Tris entra para a audácia, ela tem que lidar com o fantasma da morte por todos os lados. Mas você só percebe ou vê mais claramente quando você sabe o que vai acontecer.

E por isso que acho que apesar de ser caracterizada como um grande spoiler, é um spoiler do bem, e Roth poderia até começando a série jogando isso de cara para os leitores, o deixando saber que ela iria morrer em algum momento.

Além de ser impossível não se cativar por Tris, como temos milhares dr oportunidades da morte da protagonista, poderia ser um elemento de suspense.

Porque quando a Tris morre, ela mostra as características de cada facção.

Ela quer acabar de uma forma rápida e mais pacificamente possível, como em Amity.

Ela mostra uma atitude verdadeira (até o Four reconhece isso depois), como em Candor

Ela foi inteligente, porque era a solução mais lógica, como em Erudite.

E o mais importante ela foi Audácia e Abnegação ao mesmo tempo, que são as duas características mais fortes que ela carregou.

Nesse momento deu para perceber o porque das divisões das facções e porque os divergentes são diferentes em termos de personalidades.

siodfjsoidjf

Entre erros e acertos, Veronica Roth terminou uma série, com a Fanny e a Thaís divididas.

A Fanny, que nem pensava em ler, teve um saldo positivo da série (apesar de não aprovar tudo), e pretende ler o livro do Four, além de esperar um amadurecimento da autora para os próximos desfechos de tramas.
Já a Thais que era a maior candidata a gostar, acabou decepcionada, jurando não ler mais nada da autora.

      Divergente

imagem.dll

Nota Fanny: 5/ 5 estrelas

Nota Thais: 5/5 estrelas 

Insurgente

Insurgente

Nota Fanny: 4/4 estrelas

Nota Thais: 5/5 estrelas

 

 Convergente

 Convergente

Nota Fanny:2,5 estrelas / 5 estrelas

Nota Thais: 2/5 estrelas

 

Série Divergente

tumblr_mxet78z40f1rqj38xo1_500

Nota Fanny: 3,5 /5 estrelas
Nota Thais: 3/5 estrelas

Deixe uma resposta