O Noveleiro – Um adeus Em Família

Por , 18 de julho de 2014 20:22

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Hoje termina Em Família, última novela no comando do renomado Manoel Carlos, que após vários anos e várias Helena, encerra seu círculo e parte agora para séries e minisséries. E Em Família parte sem deixar saudades ou lembranças.

Uma novela precisa ser muito bem construída, desde a concepção de sua sinopse, passando pela escalação do elenco até o último ato, os capítulos. E toda a novela nos dias atuais estão sofrendo com o desgaste: o público já não quer saber mais de histórias reais, naturais ou sobre notícias do cotiado. Hoje o público quer sair do mesmo, do pacato e ir junto com os personagens a lugares e loucuras que nos dias normais não podem ir. Em Família carrega uma sucessão de erros, como uma bola de neve, e em seu ápice o melhor mesmo vai ser o final, que marcará o fim de sua saída das nossas televisões.

No horário nobre da principal rede de televisão brasileira e sul-americana há um divisor de águas desde 2012, e esse divisor se chama Avenida Brasil, a novela mais exportada da Rede Globo, que já alcança a inédita marca de 130 países assistindo os embates de Nina e Carminha e sua vingança por ter derrubado sua vida – sim, ela é sensação por onde passa. Acompanhar essas personagens fez o público que já migrou para outras mídias se sentir atraído por acompanhar diariamente uma novela com cara de série, com agilidade, cenas bem pensadas, roteiro ágil, elenco enxuto e ganchos após ganhos (a história mudava toda a semana, era uma monta-russa de emoções).

Após ficarmos órfãos dessa esplêndida novela, começamos a sentir ainda mais saudades de Carminha e sua turma. A grande Glória Perez veio com sua terrível Salve Jorge, Walcyr Carrasco em sua estréia no horário nobre veio com sua longa Amor à Vida (que apesar da história não ter sido um primor, foi ótima com vilanias e o primeiro vilão homossexual da história, e claro, o tão famigerado beijo gay). Entre narrativas sem sal e apimentas, chegava a hora de Em Família trazer os dias de glória de Manuel Carlos de volta a tela, mas não aconteceu.

Em Família estreou com uma boa história: o amor entre primos e tudo o que isso causaria. Família é a principal característica das novelas de Manoel Carlos, e em 143 capítulos foi contada a história de Helena, Laerte e suas famílias. Com uma primeira e segunda fase incríveis, a obra parecia que ia empolgar. Os atores que interpretaram Helena, Laerte, Virgílio e a ardilosa Shirley conseguiram que suas personagens fossem críveis e aquela história gostosa caminhasse, mas logo na primeira semana como a audiência não reagiu, a Rede Globo descartou várias cenas e capítulos e cortou a segunda fase tão boa, pulando já para o presente com todas as personagens adultas.

Os problemas começaram a surgir, começando com a passagem de tempo, quando muitos dos atores e atrizes escalados para os papéis não ornavam com a descrição, e ficou difícil do público conseguir acreditar que por exemplo Júlia Lemmertz e Natália do Vale eram filha e mãe, sabendo que as duas têm uma diferença de idade de no máximo 10 anos. Ana Beatriz Nogueira e Gabriel Braga Nunes com seus 6 anos de diferença e há ainda a gritante diferença das idades de Vanessa Gerbelli que era tia da personagem de Lemmertz. Não podemos afirmar que esse foi um motivo que contribuiu para a não aceitação do público à novela, mas isso faz sim diferença.

Outro grande problema foi a narrativa de Maneco, que em outros tempos eram aceitáveis. Porém hoje os tempos mudaram e não podemos ficar falando sobre a feira, o que aconteceu com o avião da Malásia ou outros assuntos corriqueiros do dia a dia numa novela que necessita de ação. O público não quer saber disso, quer fugir. E falando de ação, foi o que menos teve na novela, causando muitas vezes sono nos telespectadores mais fervorosos. E de tanta reclamação do público e da mídia, a emissora resolveu intervir mais uma vez e fazer mudanças drásticas na história. Para ver o nível que chegou, o autor inseriu até a classe C, indo contra a sua vontade, pois gosta mais de mostrar o lado rico do Rio e da classe mais abastada.

Realmente, Em Família foi uma sucessão de erros, infelizmente. Uma narrativa que tinha tudo para dar certo e com histórias que poderiam pegar, como Laerte louco vingativo, Helena com dupla personalidade, Virgílio enfrentando seus demônios pessoais, etc. Quem sabe se as duas primeiras fases fossem uma minissérie teria dado certo. Na verdade essa é uma explicação que tenho para as últimas novelas da Rede Globo. A emissora já está preocupada com as novas novelas e no novo plano tudo tem que dar certo. Pelo jeitos as novelas que sucedem Em Família têm histórias de peso e estratégias de marketing massivas a fim de conquistarem um audiência perdida.

Em Família parte sem deixar saudades, mesmo mostrando exaustivamente beijos e carícias do núcleo homossexual por parte de Clara e Marina, reviravoltas momentâneas ou melhorando Helena e seu núcleo familiar. Não foi dessa vez Maneco, pensamos que fossemos ver o mesmo autor de Laços de Família, Por Amor e Mulheres Apaixonadas. Torço para que as próximas séries e minisséries que venha a produzir se saiam melhores na audiência. Melhor deixar Em Família esquecida no passado.

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