Porque eu odeio New Adult

Por , 18 de outubro de 2014 9:00

Durante a semana, vocês leram os posts da Thais e da Sabrina sobre New Adult e como esse gênero caiu no gosto delas e de milhares de pessoas ao redor do mundo. E como no Café os nossos gostos são variados ( mas respeitados), venho hoje falar porque eu odeio esse gênero.

Especial New adult

Odiar parece uma palavra forte demais para se rotular o meu sentimento.

Só que esses livros mais do que me dar um sentimento de indiferença, me deixam com raiva dos seus personagens e das suas situações, e por isso ao tentar ser o mais honesta possível, a definição de odeio é a mais apropriada pro meu caso.

E não pensem que tentei amar, porque acreditem:  eu tentei.

Minha primeira experiência com gênero foi com o Entre o Agora e o Nunca, que decidi ler após uma pontuação alta e juras de amor feitas no Goodreads (Sério, leem uns reviews que vocês também vão acreditar que é a 8° maravilha do mundo)

Eu dei duas estrelas.

Depois, veio Easy que trazia uma temática que prometia um drama bacana para trabalhar mas que preferiu focar no amor e logo depois Métrica.

Pronto.

Foi necessário só 3 livros para entender que o New Adult não era pra mim.

E porque o mundo é lindo de viver, os mesmos pontos que me incomodam, são os mesmos pontos que as meninas apontaram como defeitos do gênero nesse post:

·    Previsibilidade (ou falta de) enredo;
·    Falta de desenvolvimento dos personagens;
·    Desenvolvimento “errôneo” dos personagens;
·    O excesso de “você é meu amor, minha vida, minha privada entupida;
·    O modo “novela mexicana de ser;
·    Cenas de sexo hilárias e/ou constrangedoras;

A diferença: para elas fazem parte de uma falha de percurso, para mim é tudo que me faz não gostar.

Assino embaixo de todos os pontos, mas o que mais me incomoda é a falta de desenvolvimentos dos personagens e como a inconstância deles os fazem ter atitudes e pensamentos contraditórios no mesmo momento da história e às vezes até no mesmo capítulo!!
Falta às vezes até maturidade para ele ficar  fiel a sua ‘ideia’ ou a sua ‘verdade’ até o final do livro.

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Um exemplo prático: Maybe Someday de Colleen Hoover

Para escrever com mais propriedade e evitar ser injustiça, pedi para a Sabrina me indicar um dos melhores livros de New Adult que ela tinha lido, e a indicação dela foi Maybe Someday da Colleen Hoover.

Como terminei de ler ele, a história e os detalhes estão fresquinhos na minha mente, ele vai servir como base para eu enumerar tudo o que eu não suporto no gênero (desculpa, Sa!).

Para evitar grandes spoilers, vou apontar algumas passagens ou frases dos personagens, mas sempre linkando com todos os acontecimentos que já foram contados na sinopse do livro:

17788403Aos 22 anos, a aspirante a musica Sydney Blake tem uma ótima vida: Ela está na faculdade, tem um emprego fixo, está apaixonada pelo seu namorado maravilhoso, Hunter, e mora junto com a sua melhor amiga, Tori.

Mas tudo muda quando ela descobre que Hunter está traindo ela com Tori – e ela tem que decidir o que fazer agora.

Sydney fica interessada em seu misterioso vizinho, Ridge Lawson. Ela não consegue tirar os olhos dele ou parar de escutar ele tocar diariamente o seu violão na varanda.

Ela pode sentir a harmonia e a vibração na sua música. E tem outra coisa em Ridge, que Sydney não pode ignorar também: Ele parece ter encontrado finalmente a sua musa.

Quando o encontro inevitável acontece, eles logo estão precisando um do outro, em mais de um jeito possível.

 

Sydney, começa o livro sendo injustiçada. Durante as 30/40 primeiras páginas você fica morrendo de dó dela, porque a situação que ela está passando é realmente uma provação, com o ex-namorado a traindo junto com a amiga.

Aí em algum momento após descobrir a traição, ela pensa:

“Agora, não importa quem entrar na minha vida após isso. Eu sempre vou ser cética.”

Que pessoa forte, né? 22 anos, já viveu bastante nesse mundo e conhece um pouco mais da vida.

Aí, 5 páginas depois, sem ter tido uma passagem de tempo na história ou nada, enquanto está ao lado de Ridge, ela me pensa a seguinte frase:

“Droga…Eu não sei se é o Whiskey ou o fato de estar solteira a duas horas, mas aquele sorriso fez um flerte sério no meu estômago.”

Com o perdão da palavra, mas que Porra!

Você não acabou de falar que vai ser mais cuidadosa?

Mais importante: Você não acabou de ter o pior término da sua vida, e está na rua sem lugar para dormir direito e você ainda consegue pensar nisso???

Esse é um dos diversos momentos não só nesse, mas nos livros do gênero em geral, que a minha vontade é simplesmente gritar para o personagem: Você não é mais criança!

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Uma pessoa pode passar por uma separação traumática e querer ir para cama com o primeiro que passar na frente e acredite, não vou julgar essa atitude nos livros e nem na vida real.

Mas será que podemos ser coerentes no que acontece dentro da trama? As mudanças são tão brutais e sem uma explicação plausível, que eu não consigo sentir nada que a cena poderia requerer.

Só consigo respiro fundo e continuar a leitura, esperando o livro me ganhar.

Um pouco mais adiante, Ridge demonstra para Sidney que mesmo antes dela descobrir da  traição, ela já queria se separar do seu namorado, usando como base a letra que ela escreveu quando ela ainda estava nas nuvens com o Hunter.

Talvez, se ela tivesse dado alguma pontinha de insatisfação no começo, era uma explicação legal e poderia até fazer sentido. Mas você não pode tentar decifrar uma pessoa pelo o que ela escreve. Principalmente quando se trata de alguma coisa mais artistica como a música (Claro, tem Taylor Swift e outros que são bem claros, mas não são todos).

Então, já achei super estranho o fato de um músico tentar rotular uma coisa assim.

Aí (Eu falo que me incomoda essas mudanças ‘de coração’) ELE MESMO pensa mais pra frente no livro: “Escrever um letra não é o mesmo que diretamente informar alguém dos seus sentimentos.” o.O

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Sem contar grandes furos na narrativa, como ela soltar um “Há uma coisa sobre esses momentos em que nós estamos escrevendo música que eu absolutamente amo.” – EXCETO, que essa foi a primeira vez que eles efetivamente sentaram juntos para escrever uma música.

Ela brigou com os pais para seguir carreira de musicista, mas ela não comenta que toca algum instrumento. Ela não comenta que antes de tudo que aconteceu com o namorado, que ela cantava em algum lugar. Tipo, okay. Agora você está ajudando com as letras de uma banda, mas e antes disso?

A pessoa briga com o pai porque quer seguir a carreira e não toca nenhum instrumento? E se é cantora, fica com vergonha de cantar no primeiro momento?

E só estou apontando alguns pontos, porque como disse, não quero ser a rainha do spoiler aqui. Mas me incomoda. Muito.

Falta consistência para as decisões da personagens em NA, e  lembrando que a de Maybe Someday tem 22 anos.

Além disso, quando pensamos em todo o contexto do livro, ele mesmo é contraditório. A mocinha começa o livro sofrendo por uma traição.

Afirma especificamente que não quer se tornar uma Tori (em referência a sua amiga que lhe traiu), para depois afirmar com todas as palavras que queria ser a Tori em um momento mais quente da trama.

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Volto naquela mesma questão: A pessoa pode fazer o que quiser, e não seria o primeiro livro que teria uma traição. Ela não seria a primeira pessoa a se deixar levar pelo desejo, mas cadê sentido com o próprio contexto de se tornar adulto é começar a dosar as suas atitudes e saber que elas têm uma consequência?

Em uma das músicas que eles compõem (que dá nome ao livro) ele escreve o seguinte trecho: “Verdades são escritas, nunca ditas”.

E essa linda frase só faz sentido em uma parte do que está sendo passado no livro, porque dá outra, nada.

As únicas verdades que são escritas, são as que lhe interessam no momento, as que fazem sentido para aquele ocasião. O resto não é dito e também não é feito.

Em Maybe Someday acontece isso.

Em Métrica, a menina só falta implorar para o cara prejudicar a sua carreira pelo ‘amor deles’ porque eles simplesmente não podem esperar um minuto para ficarem juntos.

Em Entre o Agora e Nunca, a mocinha diz que quer viajar pelo país para descobrir quem ela é, mas tem mais tempo de fazer exibições no carro do que realmente tirar esse tempo para ‘se descobrir’.

Em Easy, eu nem me recordo tão bem dos detalhes da história, mas lembro que fiquei muito brava, porque foi focado mais no romance do que na questão mais interessante que foi o ataque que ela sofreu logo no começo por um colega da sua faculdade.

Ou seja, até hoje eu não li um livro New Adult que não me deixe nesse vácuo. (E me desculpem, mas já tentei com vários e simplesmente não vou mais gastar o tempo com um livro que eu não gosto!)

Se isso acontecesse com um livro ou dois, poderia tentar ser mais compreensiva, mas é com todos.

E o pior: é que eu realmente gosto de livros ‘coming of age’. Gosto de ler sobre as pessoas descobrindo a vida, tentando ser adultos, cometendo erros e aprendendo com eles, mas não sinto isso com o New Adult.

Tenho 25 anos e estou vivendo meus últimos momentos como uma ‘new adult’, mas não consigo me conectar com os dramas e pensamentos deles. E é estranho, porque consigo ler e me apaixonar por uma história com uma menina de 12 dando o seu primeiro beijo, mas reviro os olhos ao ler algumas cenas dos livros New Adult.

Por fim, respeito quem gosta, mas não é pra mim.

E com uma lista de 162 livros para ler, que cresce a cada dia, vou focar no que eu tenho interesse.

2 comentários para “Porque eu odeio New Adult”

  1. Ingrid disse:

    São aspectos que aparecessem em todos os livros desse gênero. Sempre tem um furo. Gostei muito do seu ponto de vista, apesar de ler bastante desse gênero, que ao mesmo tempo amo/odeio os clichêzinhos decorrentes na leitura. O único, até hoje, de todos que li, que me tirou o ar foi Ten Tiny Breaths. Sei que não quer mais ler nenhum do gênero (é bem pessoal isso), mas esse me fez pensar bastante na vida (meio que me identifiquei com a personagem principal por passar por quase a mesma coisa que ela). Enfim, são gostos…relativos. Gostei muito do seu lado, pois até hoje, nunca vi nenhuma reclamação sobre o gênero em si (por mais que seja repetitiva as histórias, só mudando o títulos/personagens).

    Obrigada pelo espaço

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  2. Manu disse:

    Não sei se você já teve a oportunidade de ler. Se não, leia Beleza Perdida da Amy Harmon. É um new adult que discute questões profundas e tem um evidente crescimento dos personagens. Muito bom e nada água com açúcar.;)

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