Pipoca Salgada – Boyhood: Da Infância à Juventude #Oscar2015

Por , 22 de janeiro de 2015 10:00

E com a lista de Oscar 2015 já bem conhecida, o Café começa a sua tão bem conhecida análise de todos os indicados aos prêmios principais da noite, trazendo a nossa opinião de porque uma delas deve ( ou não) ganhar a estatueta mais desejada da noite.

Abrindo a fila, trazemos Boyhood, que estreou nos cinemas nacionais ano passado e vai a caminho do Oscar mais forte, depois de ter sido o grande vencedor do Globo de Ouro.

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Boyhood acompanha o crescimento do jovem Mason, começando dos 5 anos e chegando aos 18, mostrando a sua evoluções e crescimento enquanto tenta lidar com a irmã mais velha e a separação dos seus pais (Patricia Arquette e Ethan Hawke).

O filme foi gravado ao longo de 12 anos, acompanhando a evolução dos atores fisicamente e emocionalmente.

Boyhood é um filme gigantesco (tem quase 3 horas de duração), diálogos inteligentes e muitas vezes confusos, personagens nem tão delimitados dentro do que esperamos de um filme de Hollywood, e é facilmente colocado em uma categoria de arte experimental.

Pronto.

Assustamos os ‘cinéfilos’ fãs de filmes pipocas e que acreditam que os únicos filmes de arte que prestam é do Woody Allen, e agora podemos falar de uma forma mais aberta da magnitude de Boyhood.

E não poderia começar sem citar e dizer que não poderia esperar nada do INCRÍVEL diretor Richard Linklater. Eu não acredito que o filme leva o Oscar de Melhor Filme ( já explico o pq), porém se Richard sair dali sem a sua estatueta será uma perda irreparável.

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Não só porque ele tem um currículo invejável, com filmes maravilhosos ( para citar meus favoritos: A ‘trilogia’ Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-sol e Antes da Meia-Noite e Escola de Rock), mas porque ele realmente comandou bem a função de diretor lhe dada.

Explico.

Já pararam para tentar entender porque a primeira trilogia do Star Wars é boa e a segunda nem tanto? Grande parte do problema ali tem um nome e sobrenome, e estava sentado na cadeira da direção quando tudo falhou: George Lucas.

image.axdPode não parecer, mas um bom diretor faz toda a diferença, afinal ele não está ali somente para dar a sua visão da cena, mas orientar e demonstrar para os atores o que ele quer transmitir. Se os atores trazem a sua capacidade de passar uma emoção especifica, a função do diretor é….dirigir (hahah) essa emoção da melhor maneira possível.

Em Boyhood, conseguimos sentir essa mão da direção muito forte, o que faz Richard merecer o Oscar ainda mais, já que não se trata de um prêmio pela carreira, mais sim pelo aquele trabalho especifico, e sinceramente, ele foi o melhor diretor da temporada.

Boyhood ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme, mas vamos lembrar que essa é uma premiação votada pelos jornalistas, público carente e sempre sedento por filme diferentes e revolucionários como esse. Porém, os votantes do Oscar fogem bem desse caminho, e devem optar por filmes mais ‘comuns’ ao seu apetite como A Teoria de Tudo ou o Jogo da Imitação.

Talvez toda temática desse assuste.

Como o filme foi gravado ao longo de 12 anos, é possível ver a evolução não só dos atores (as crianças literalmente crescem aos nossos olhos), mas também do roteiro. Pode ter sido uma impressão minha, mas tive a sensação de que o roteiro, sofria alterações necessárias de acordo com o período que estava sendo filmado, se adaptando a uma nova realidade que se formou desde a última gravação (eles filmavam uma semana por ano).

4download.php copy.JPGHá diversas referências para os fatos da época como Harry Potter, filmes, guerras e outros pequenos detalhes, para tentar situar aquele ano na nossa mente.

Apesar de o foco ser em Mason, a história do filme vai muito além. Como disse, não há os traçados de personalidades tão comuns em filmes/séries.

A mãe dele (Patricia Arquette, que merecendo muito a indicação de Melhor Atriz Coadjuvante) casa com três homens, mas isso não a faz ser uma má mãe ou uma louca que não consegue arrumar um homem bom.

O pai (Ethan Hawke, não tão bom com um personagem muito próximo do Jesse de Antes da Meia-Noite, mas ei! Ele foi indicado o que eu sei?) tem os seus defeitos e está mais ausente do que presente, mas está o suficiente.

A irmã é uma chata, ele é um chato, todos são meio chatos, e não há um grande acontecimento na vida de nenhum deles, que os define daquele momento em diante.

São todos os fragmentos que foram juntados nos 12 anos e nas quase 3 horas de filme, que monta cada um dos personagens, especialmente Mason.

De uma forma um pouco poética, ele termina o filme como começou, olhando para o infinito e com a vida inteira pela frente.

E você termina o filme, podendo até não ter gostado, mas bem consciente que viu uma obra-prima moderna.

 

BoyHood: da Infância a Juventude concorre à seis estatuetas – Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Edição, Melhor Atriz Coadjuvante (Patricia Arquette) e Melhor Ator Coadjuvante (Ethan Hawke)

 

Ficha Técnica:

Título original: Boyhood

Gênero: Drama

Direção: Richard Linklater

Ano de Produção: 2014

Distribuição: Universal Pictures

Tempo: 2h57min

 

 

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