Autor e Eu – A Coisa incrível que nos aconteceu: John Boyne

Por , 4 de abril de 2015 12:05

Como um escritor se torna relevante? Como ele se destaca trabalhando com diversos gêneros e mantendo a qualidade entre eles? Como se tornar inesquecível?

Quem souber a resposta para essas perguntas, pode colocar em leilão porque vai ter uma fila de compradores e você vai ficar bilionário. Mas há um autor contemporâneo, que pode até não saber a resposta, mas está fazendo isso certo: o nome dele é John Boyne.

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Quando decidimos criar essa coluna mensal, (para literalmente termos um espaço podermos morrer de amores pelos nossos escritores favoritos), resolvemos que esse seria um espaço para falarmos sobre o porquê ela/ele é tão importante na nossa vida.

John Boyne: O Senhor do Tempo

Então, não vou me alongar aqui falando da vida dele, essa informação você pode conseguir facilmente no Wikipédia, e para facilitar a sua vida mandamos até o link.

É claro, que o meio que uma pessoa cresceu e como enfrentou batalhas e desafios pessoais foi o que a tornou quem ela é hoje, e para um escritor isso quase sempre significa transparecer isso nas páginas. Pelo menos até o último livro, que se passa pela primeira vez no seu país natal, Irlanda.

No livro, John tenta contar sobre as experiências e momento que ele próprio viveu.

Na verdade, ao invés de ler o artigo do Wikipédia, que tal ler essa entrevista  COM FOTOS DELE CRIANÇA (!!!) contando um pouco sobre as suas não tão boas experiências quando jovem?

E mesmo assim, com John, até pelo fato de viver uma vida fora do grande público e por escrever livros com tantas temáticas e assuntos diferentes, pelo menos superficialmente não fica tão fácil linkar a sua realidade na maioria dos seus livros.

Apesar de ser um contemporâneo nosso, John não faz tanta questão de contar sobre a vida atual, muito pelo contrário.

Ele já até revelou em uma entrevista que só irá escrever um livro nos dias atuais se ela for pertinente, se não ele continuará explorando questões ainda atuais no passado.

Mas vamos a questão: falar do porque eu amo os livros dele e porque talvez vai gostar também.

 

A Menina que leu O Menino do Pijama Listrado

O primeiro livro que li de John, foi (obviamente) O Menino do Pijama Listrado, e admito que apesar de ter gostado bastante e ter (obviamente) me surpreendido com o final, ainda precisaria de outra experiência com a sua escrita, para cair de amor.

Só que entre essa primeira leitura e a segunda, que iria me colocar de vez como sua fã, eu tive o prazer de participar de uma palestra, ter o meu livro autografo e tirar uma foto com ele durante a Bienal do Livro de SP.

Na época, lembro que já sai da palestra doida para começar o novo livro que tinha adquirido, e comecei a ler dias depois, sem ter a mínima ideia de que estava a ponto de ler um dos melhores livros que li na vida, O Palácio de Inverno.

O pouco que eu conhecia da Revolução Russa e dos Romanov era o que li em artigos e na escola, e mas me peguei envolta pela história de Geórgui Jachmenev, tendo as minhas dúvidas e ao mesmo tempo pensando no que poderia acontecer ali.

Lembro que terminei de o livro na van da faculdade, esperando para voltar para casa e fiquei uns 10 minutos olhando pela janela, envolvida e completamente maravilhada com que tinha acabado de ler.

Como muitos, conheci Boyne por causa do Pijama Listrada, mas me apaixonei pela sua escrita com O Palácio de Inverno.

Fui até atrás da minha resenha, que fiz logo após a leitura e nenhum sentimento meu mudou:

“Eu não tenho palavras para descrever esse livro. Honestamente. Tudo o que eu falar multiplique por 3x, porque eu não sou capaz de transmitir a grandeza desse livro.

(…)

O livro de Boyne é uma obra-prima, e afirmo isso como toda a minha força, que é um dos melhores livros que já li na vida, porque mesmo hoje, alguns dias após ter lido o livro, sinto as emoções dos personagens ao pensar na história, ao fazer a resenha.

Simplesmente maravilhoso, fico grata de ter escolhido esse livro, para que ele pudesse autografar durante a Bienal, porque agora tenho dois motivos para ter orgulho dessa obra.”

Depois dessa experiência, fui buscar outros livros de Boyne.

Li O Menino no Convés (não gostei tanto, mas não deixa de ser um excepcionalmente bem escrito) e o conto Tormenta (que comprei há uns atrás por £1,99 no seu original intitulado The Dare).

Como um ‘roteirista’ da história mundial, Boyne consegue contar eventos importantes do mundo em si, fazendo com que os seus personagens tenham um papel importante na resolução deles.

Entretanto eles não são os protagonistas desses marcos históricos, e nem há o seu nome nos eventos. Há vistas do mundo, são meros coadjuvantes ou nem existiram aos olhos do mundo, que só nós leitores temos a oportunidade de acompanhar e perceber que sem a sua intervenção, o desfecho seria diferente.

Todas essas tramas dele, se passa (obviamente) na imaginação, porém as histórias são tão bem contadas e os vários detalhes tão bem colocados, que no meio da leitura você começa até duvidar da verdade.

Será que isso aconteceu mesmo? É o seu primeiro pensamento após terminar qualquer um desses livros.

Boyne foge de casa

Mas como falei, John consegue ser dinâmico e usa os seu talento para outro gênero da literatura, que alguns críticos consideram como ‘fácil’ mas que precisa de um nível de complexidade e cuidado maior do que é visível na sua leitura, o infantil.

Falar para o público infantil depende de cuidado e tato não é novidade.

É necessário saber as limitações de quem irá o ler, ao mesmo tempo em que se motiva a criatividade e devem trazer a tão famosa ‘lição de moral’ que aprendemos a identificar na escola.

Ainda por cima, como diria C.S. Lewis “Uma história para criança que só pode ser aproveitada pelas crianças não é uma história para crianças“, elas devem agradar a todos, dos pequenos aos não tão pequenos assim.

E as histórias infantis de Boyne, caem no lado bom da declaração de Lewis.

Suas histórias são feitas para os pequenos, mas a grande lição é para os adultos.

Tanto Noah como Barnaby são dignas da fofura de suas capas, e mesmo contando quase fabulas trazem lições importantes.

E terminando a trinca, Boyne entrega um dos livros mais legais de mistério dos últimos tempos.

A Casa Assombrada, (link da resenha) apesar de ter elementos um pouco batidos do gênero (casa antiga e crianças levemente assustadoras), envolve o leitor através dos mistérios e as muitas reviravoltas.

E com isso, Boyne crava o pé e mostra o talento em outro gênero.

John: Fique onde está e então NÃO vá embora

O que torna um autor inesquecível?

Há vários fatores, e Boyne atende vários deles. É um escritor novo e com muitos anos para criar o seu legado, tem já ótimos livros no currículo o que nos mostra a sua capacidade.

Mas no final, o que torna um autor inesquecível e o que leva cada um da nossa equipe a escrever mensalmente sobre um autor, não é porque ele é o melhor do mundo, mas porque ele é o melhor para nós.

O melhor para mim, Fanny pessoa individual, e que não vai obrigá-la a ler nenhum dos livros abaixo.

Mas recomendo imensamente. IMENSAMENTE.

Obras

Publicados no Brasil:

Um dia de FolgaBarnaby87006_gg13155_gg13310_ggO palacio de invernoNoah foge de casaA casa AssombradaO menino do pijama listradoO ladrão do TempoFIQUE ONDE ESTÁ E ENTÃO CORRA - John Boyne - Companhia das Letras

 

 

Ainda não publicado no Brasil:

Cover-A-History-of-Loneliness - Não publicado no BrasilThe-Congress-of-Rough-Riders-192x300Crippen-192x300Next of Kin

Um comentário para “Autor e Eu – A Coisa incrível que nos aconteceu: John Boyne”

  1. Lucas disse:

    Oi, tudo bom?

    Eu li apenas O menino do pijama listrado, pelo qual já me apaixonei! Achei a história cativante e extremamente triste, ainda mais por saber que tinha sido narrada por uma criança em um período tão difícil, que foi a 2ª guerra mundial! Tenho vontade de ler outras obras, mas não surgiu uma oportunidade ainda!

    Abraço,
    Lucas
    ondeviveafantasia.blogspot.com.br

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