Café Irlandês – Coisas que não gosto em um Romance Histórico

Por , 14 de abril de 2015 12:05

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Falar do que gosta em um gênero tão amado é fácil, difícil é achar todos os defeitos, que podem afastar alguns leitores. Como eu tenho poucas coisas negativas, reuni junto ao juri do blog, as coisas que mais incomodam nos romances históricos. E é estranho como os gostos diferentes se misturam, pois coisas que alguns odeiam, eu simplesmente amo.

Tempo

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O romance histórico é um gênero ambíguo para muitos, começando pelo fato de que se passa principalmente na era vitoriana (período de reinado da Rainha Vitória), conhecido como a época de ouro da Inglaterra. As iniciar as primeiras leituras o leitor pode ficar um pouco perdido até entrar de cabeça nos costumes da época. Afinal, é como pegar um clássico brasileiro como Dom Casmurro e a Escrava Isaura e tentar entender como a sociedade funcionava naquela época. O estilo londrino pode não agradar o leitor.

 

Clichê

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O romance histórico por si só é clichê, ou seja, com o avançar das leituras, não espere nada muito diferente, pois naturalmente as histórias caíram na mesma linha de raciocínio, já falei sobre isso aqui. O que eu mais gosto do romance histórico é justamente sua previsibilidade, ou seja, um final feliz. Mas nem todo mundo gosta disso.

Se a cada livro você quer encontrar algo diferente, jamais leia séries completas de livros da mesma escritora. As autoras tem características meio que fixas, ou seja, se voce ler sempre os livros das mesmas autoras, encontrará sempre o mesmo tipo de história. Portanto busque mesclar, pois cada autora tem um estilo diferente. Por exemplo a Julia Quinn e Lisa Kleypas tem livros mais leves e divertidos, com um enredo simples. A Stephanie Laurens (tem dois livros publicados no Brasil), costuma sempre colocar um mistério a ser solucionado no livro, já a Judith McNaught gosta de criar reviravoltas para acabar com o coração do leitor. Portanto misture bastante e leia diversas autoras, caso contrário será difícil encarar o gênero.

e o Epílogo…. sempre existirá, sendo pré-requisito em todas as histórias. Afinal, queremos saber mais sobre o “felizes para sempre”

Somente para Garotas

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Romance histórico é um gênero para as “mocinhas”, assim como o erótico e em certa parte o New Adult.

Homens dificilmente pegarão estes livros, e jamais entenderão o nosso fascínio pela era vitoriana. Ok, mas o Will leu um romance histórico e vai contar na quinta o que achou.

Só Sexo?

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Muito antes do “boom” dos romances eróticos iniciado com 50 tons de cinza, os romances históricos já tinham muito o que apresentar para os leitores no quesito sexo. Um livro sem ao menos uma cena sensual, ou perca da virtude da mocinha, não é um romance histórico completo.

O problema, assim como nos eróticos, é focar somente no sexo e esquecer da história. Percebi isso acontecendo em livros em que a mocinha acaba virando amante como em Everything Forbidden da Jess Michaels, Sedução da Nicole Jordan.

Alô autoras, queremos sexo com conteúdo (rs), então vamos trabalhar também o relacionamento do casal!

Insegurança, passe longe!

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Tem coisa mais chata que um casal inseguro, isso em qualquer romance (YA, NA, Erótico, Chick Lit…), a literatura esta cheia de casal inseguros que levam um relacionamento para o buraco! Geralmente num romance histórico a mocinha é muito insegura, principalmente porque elas nunca sabem nada da vida conjugal, o que percebemos que é completamente normal. Incrivelmente a pior coisa ocorre quando o homem é inseguro, nestes casos, prepare o coração porque a história é sofrida.

A autora (diva!) Judith McNaught é mestre em fazer este tipo de história. O clássico Whitney, Meu amor, Agora e Sempre e Something Wonderful mostram claramente o que acontece com um homem inseguro. Claramente Clayton Westmoreland de Whitney, Meu Amor beira a loucura em seus momentos de insegurança, o que deixa a pobre Whitney em maus lençóis ao longo do livro.

Está tudo certo…depois está errado! Cadê o final feliz? 

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Não há nada mais decepcionante do que um casal se acertar logo no começo da história. Parece um anti-climax, cade o cortejo, a sedução, as brigas e a redenção? Um livro em que o casal já se arranja logo no começo perde alguns pontos, e perde um pouco de ritmo de história.

Obviamente, quando um casal se acerta logo no início, quer dizer que muita água vai rolar neste rio….Gente, eu simplesmente passo longe de livros sofridos. Aqueles que passamos a história inteira sofrendo com os personagens e a situação parece simplesmente nunca se encaixar. A expectativa é desesperadora, e a aflição na leitura nos deixa com o coração na mão. Novamente a Judith é expert nesse quesito, videm TODOS os livros dela (mas eu amo do mesmo jeito! ;)), outros mais leves é O Duque e Eu e Brighter than Sun da Julia Quinn, Ligeiramente Casados da Mary Balogh, Devil’s Bride da Stephanie Laurens.

 

Garotas Experientes, assim não é novidade 

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Sem preconceitos, mas quando a mocinha é virgem e não sabe nada do mundo ainda, a história fica muito mais legal e divertida!

Apesar de sabermos que é ridículo, adoramos todas as cenas de descobertas das mocinhas. Agora quando a mocinha já é experiente, seja porque é viúva, ou pulou a cerca antes do tempo, parece que a parte “sensual” da história, perde um pouca a graça.

Tudo bem que a história passa a foca em outros aspectos, mas no quesito, “iniciação sexual”, passa batido, o que tira um dos aspectos do romance histórico.

 

Os opostos de atraem

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Uma história deve sempre ter dois opostos, pois assim a torna mais divertida. Seja uma mocinha espevitada, com um cavalheiro sério, ou um libertino com uma mocinha certa. A oposição entre o casal cria os conflitos da história, pois as “brigas” entre o casal são tão melhores se os dois sempre pensarem de maneira diferente.

Quando um casal é muito parecido, e principalmente logo de inicio entram em acordo, como um casamento de conveniência, a história deixa de ser divertida e passa ser muito séria. Sou a favor de mocinhas que levam os lordes a loucura com suas atitudes!

Livros como As regras da sedução (Madeline Hunter), The Secrets of Sir Richard Kentworth (Julia Quinn), Pode beijar a noiva da Patricia Cabot, Never Judge a Lady By her cover e Ten Ways tobe Adored When Landing a Lord.

Vilões

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Isso não é algo comum nos romances históricos, mas autoras como a Stephanie Laurens e Amanda Quick, simplesmente amam colocar um mistério na história. Seja assassinato, roubo, sequestro…. são temas sempre presentes no seus livros.

Para quem busca algo além do romance, é um prato cheio, mas muitas vezes ele eclipsa a história e a deixa mais como mistério do que como romance. Foi por isso que deixei de ler Amanda Quick, não gostei deste estilo.

E a série não tem fim!

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Mas isso não é problema!

Os livros de romances históricos costumam sempre fazer de uma série, mas não da maneira que conhecemos. Ao contrário dos infinitos romances e distopias, na qual as histórias são continuações, neste caso cada livro sempre trata de um casal específico que se relaciona com os casais dos outros livros. Um exemplo é série de irmãos (cada livro conta a história de um irmão) como os Hathaways da Lisa Kleypas e Os Bridgertons da Julia Quinn; também tem amigos, sócios, primos… e por aí vai. Ainda nessa semana vou falar por onde começar cada série.

No geral as séries costumam ter de 3 a quatro livros, mas realmente algumas autoras exageram…

Os Bridgertons da Julia Quinn: 8 livros

Os Bedwyn da Mary Balogh: 6 livros + 2 prequel

Os Cynster da Stephanie Laurens: 23 livros (segundo o Goodreads, eu estou no 5º)

 

Mas isso é ruim?

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De maneira alguma, apesar de todos os motivos que listei, continuo lendo todos os livros e séries com gosto.

Realmente acho que podem ser motivos que você leitor pode se sentir incomodado, mas sou indiferente a tudo isso e permaneço fiel ao gênero!

 

Um comentário para “Café Irlandês – Coisas que não gosto em um Romance Histórico”

  1. Cintia Oliveira disse:

    Olá

    Acredito que há um certo conflito sobre romance histórico, primeiro que não são livros para “mocinhas”,não são previsíveis, uma boa parte da produção não é sobre a era vitoriana, clichês são para às séries.
    Romance histórico é um gênero dentro da literatura que tem um conteúdo bem estabelecido,são construídos a partir de fatos marcantes da história mundial, sim têm romance, suspense,paixões, mas são muito bem elaborados e muitas vezes escritos por excelentes historiadores, então é para o público geral, alta literatura e não se deve categorizar.

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