Blá Blá Blá – (Não) pergunte aos passageiros

Por , 9 de junho de 2015 9:00

aviao

 

Sempre gostei de aeroportos.

Eu sei, parece esquisito e até um pouco infantil… mas sempre gostei de aeroportos.

Gosto da sensação de possibilidade, de caminhos a serem desbravados.

Gosto de observar as histórias que seus corredores contam, de chegadas e partidas, de encontros e desencontros.

E, claro, também gosto de voar.

Quem me conhece desde pequena pode estranhar um pouco essa parte… Afinal, quando era pequenininha tinha pavor de sequer ouvir uma possibilidade sussurrada de entrar em um avião. Mas eu cresci, o medo passou e agora eu gosto de voar – adoro, para falar a verdade.

Pois bem.

Foi com um certo excitamento que aceitei fazer uma rápida viagem de trabalho, sabendo que pisaria novamente em um avião antes do planejado – mesmo que fosse para fazer um bate-volta com direito a embarcar em um horário desumano na volta.

E foi assim que cheguei antes do raiar o dia naquele pequeno aeroporto do interior para voltar para casa.

Porém, não contava com a equação: cidade do interior + frio fora da curva + horário desumano + nevoeiro = aeroporto fechado. Pois é. Meu primeiro chá de cadeira aeroviário.

 

No começo, você é otimista: “Ok, chegamos cedo, ainda falta uma hora para embarcarmos”. Aí a hora do voo chega – e se vai – e você começa a ficar preocupada: “Ihhh vai atrasa… Já atrasou”. Resta então a esperança de que, ao raiar o sol, a névoa vai abaixar. Mas ela só piora.

Resultado: mais de quatro horas confinada em uma cadeira dura da sala de embarque, sem previsão de quando finalmente pegaria o caminho para casa.

Aqui eu pergunto: você já ficou confinado em um aeroporto? Se sim, já deu uma boa olhada nos passageiros frustrados a sua volta? Aconselho realmente que você faça isso se um dia você se encontrar na situação (e se, como eu, você não conseguir pregar o olho enquanto espera – conselho nº 2: se você sequer tentar dormir, não combine café + Coca + chocolate. Não funciona!).

Tem sempre aquele empresário workaholic que já saca notebook + tablet + celular e já começa a adiantar o trabalho em meio a olhadas estressadas para o relógio;

Ou mães descabeladas tentando conter os filhos e tentando convencê-los de que correr pelos corredores não é a brincadeira mais legal do mundo;

Também tem aqueles que estão rezando para não perder a escala ou conexão e que suspiram profundamente cada vez que alguém anuncia que o aeroporto continua fechado;

E quem já saca a câmera do celular para tirar fotos da névoa para postar no Instagram (coisa que eu posso ou não ter feito…);

De vez em quando também tem aquela que está com um cachorrinho e decide que a espera é uma boa oportunidade de soltar o animalzinho (e que acaba “tocando o terror” em meio aos outros passageiros);

E aqueles que parecem alheios a tudo isso e dormem profundamente nas cadeiras de plástico.

Bom. E assim o tempo passa… passa…

E quando finalmente anunciam o primeiro embarque, todos aplaudem e comemoram o final da longa espera.

É, eu gosto de voar… mas chegar em casa é bom demais!

 

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