Chá das Cinco – Tudo começa bem (ou não): A formação de Shakespeare #WillShake

Por , 31 de agosto de 2015 17:00

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        Esse post faz parte do Desafio Shakespeare!

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Em uma pequena chamada Stratford-upon-Avon, a mais de 100 milhas de Londres nascia em 23 de abril de 1564,  filho de Mary Arden e John Shakespeare, William Shakespeare.

Ao longo do nosso desafio, iremos conhecer um pouco mais de todos os aspectos da vida e do trabalho de Shakespeare. Como era o mundo que ele conhecia? A resposta para essa pergunta pode parecer banal, mas é importante conhecer o contexto para entender a história e as suas peças.

Claro, que boa parte é suposição, não nossa, mas de todos os historiadores. Não há muitos registros da época e há poucas coisas para rastrear  até mesmo dos passos de William como autor, imagina como uma jovem criança?

Porém, o que se tem certeza é que a família Shakespeare nunca saiu de Stratford-upon-Avon.

A sua mãe era de uma família com posses, e isso ajudou a família Shakespeare a ter um status um pouco mais elevado, com o seu pai sendo um conhecido artesão de luvas.

Cidades como Stratford  sobreviviam praticamente com os itens que as comitivas poderiam precisar pela estrada, e claro uma luva de couro era um desses pontos.

E assim, a família tinha condição de fornecer a seus filhos acesso escola da época, e foi exatamente onde começou a vida de Shakespeare, na King’s New School de Stratford.

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Mapa da cidade, clique para ficar gigante

Em 1575, idade que William começou a frequentar a escola, era o auge do reino de Elizabeth I e as escolas não eram um luxo somente para os nobres.

As escolas de gramática se espalhavam por pequenos condados com os formandos de Cambridge e Oxford começando a ganhar espaço como professores nesses lugares. Entretanto, essas escolas não ensinavam física química, história e nem mesmo inglês. O seu foco era o latim e somente o latim.

Em Will in the World: How Shakespeare Became Shakespeare, de Stephen Greenblatt, ele diz:

“O Latim era cultura, civilização, mobilidade. Era a língua das ambições dos pais, o moeda universal de desejo social”

Podemos dizer que saber falar latim em 1575, tinha o mesmo status que hoje algumas redes sociais provem para algumas pessoas: a necessidade de aparecer.

Essa escolas gramaticais começavam cedo as suas lições, com um horário que começava as 7 da manhã e ia até de o começo da noite. Em grandes colégios como Eton, os horários podiam chegar até as 21:00, com os seus pupilos sendo submetidos s repetições excessivas para a aprendizado.

Parece que a Inglaterra de Elizabeth já estava preparando as suas crianças para a vida escolar?

De certa forma sim, a escola era gratuita, porém os pais tinham que arcar com os livros, velas no inverno, além de terem menos uma mão para ajudar. Por fim os pais também tinham que arcar com um item que era caro na época, o próprio papel.

Por isso, os pobres e os filhos dos agricultores não frequentavam s escola. Também não tinha espaço para as mulheres ali. Alguns clérigos davam aulas gratuitas e deixavam as meninas assistirem.

Mas as únicas mulheres que tinham acesso à educados eram as lados filhas de nobres com uma cabeça mais aberta que permitiam que as suas filhas estudassem.

Os filhos varões dos nobres também não precisavam frequentar a escola mas só porque eles possuíam tutores e eram preparados dentro da suas própria casa para vida acadêmica, essa realidade só iria mudar no século 17 com as meninas podendo realmente frequentar as escolas.

Porém a educação só iria se tornar obrigatória  1880 (Na época Vitoriana) com um ato tornado a educação elementar obrigatória e gratuita, porém poucas crianças frequentavam porque precisava trabalhar para ajudar as suas famílias

Uma das formas de auxiliar no aprendizado do latim nas escolas, e surpreendentemente,  incentivadas pelos clérigos, era através de encenações de peças antigas em latim, e foi nesse ambiente que o pequeno William começou não só a sua formação acadêmica mas o seu futuro ofício.

Há algumas especulações sobre Shakespeare ter tido escrito as suas peças ou não exatamente por que fora essas aulas de latim, e uma possibilidade dele ter ter trabalho em uma escola (mas sem um registro concreto), o autor não teve outra formação. Ao ler as suas peças algumas pessoas se perguntam  como alguém que teve uma educação mediana poderia escrever tantas peças, algumas bem tão complexas?

Mas aí entramos no mesmo ponto onde não sabemos tanto sobre a vida do escritor como se queria.

5315376-Stratford-upon-Avon__England__Nigel_s_Europe__flickrPoucos registros oficiais sobrevieram à época e só o que sabemos é que uma das peças que ele pode ter encenado quando pequeno é The Two Menaechmus de Plautus, que tem alguns plots que podemos encontrar em peças de Shakespeare escritas anos depois.

E como William Shakespeare da pequena Stratford, se tornou um dos maiores escritores do mundo tendo uma crianção tão simples?

Para responder essa pergunta de uma forma concreta, muitas provas seriam necessárias, mas não podemos negar que só porque William não teve a mesma educação que os meninos de Eton, ele não tinha capacidade ou acesso a informações para escrever as suas peças.

Não podemos simplesmente reduzir uma história de 500 anos e um legado tão forte, simplesmente porque na nossa cabeça de hoje não faz sentido.

A formação de Shakespeare não pode ter sido ideal, talvez ele tenha tido ajuda em escrever algumas peças, talvez um lorde tenha escrito e entregado o trabalho de uma vida na mão de um ator desconhecido só para manter o seu status, como no filme Anonymous.

Enquanto começamos essa jornada dentro da vida e obra de William muitos talvez ficaram em aberto e muitas mais perguntas ficarão sem reposta,  mas estamos aqui exatamente para fazer e pensar nelas.

Amanhã tem resenha de Antônio e Cleópatra!

Break a Leg: Shakespeare além das peças

137717 * Will in the World: How Shakespeare Became Shakespeare, de Stephen Greenblatt  – 430 Páginas

*  The Two Menaechmuses – pode ser encontrado no livro Plautus: Casina. The Casket Comedy. Curculio. Epidicus. The Two Menaechmuse, que contém todas as obras de Plauts – 537 páginas

size_810_16_9_anonymous* Anonymous  – Filme lançado em 2011, que questiona se quem realmente escreveu as peças de Shakespeare foi o Erl of Oxford. (Tem no netflix!)

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