Pipoca Salgada – Que Horas Ela Volta?

Por , 30 de outubro de 2015 15:26

Que Horas Ela Volta? Café com Bá Blá Blá

Um dos filmes mais falados desse ano de 2015 e que está ganhando o seu merecido sucesso é “Que Horas Ela volta?” de Ana Muylaert, prêmios aos montes em festivais internacionais e concorrendo há uma vaga para a categoria de melhor filme internacional no Oscar de 2016. Com uma crítica forte à classe média alta do Brasil, e a distinção das classes socais são o foco do filme, que consegue muito mais que criticar, mas tocar e te fazer olhar com outros olhos para milhares de pessoas que passam por você no seu dia a dia.

A pernambucana Val (Regina Casé) se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

Se você ainda não foi conferir o novo trabalho da cineasta Ana Muylaert não é completamente falta de sua pessoa, pois infelizmente a abertura de cinemas para os filmes nacionais são em sua maioria bem pequenas, ainda mais quando não é um filme com um grande nome por trás como é o caso do “Vai que Cola” de Paulo Gustavo ou até agora o maior sucesso do ano que é “Loucas para casar” com Ingrid Guimarães, Tatá Werneck e Suzana Pires.

Então qual é o grande chamariz que atrai em “Que Horas Ela Volta?”? Essa é uma pergunta bem delicada ou até mesmo específica, porque ao meu ver o longa tem plots que vão agradando há vários públicos, e suas histórias tanto a central quanto as paralelas fazem a ligação para que o resultado final seja ótimo para todos os espectadores.

Para mim o filme funciona como um todo, e nele eu vejo um pedaço da minha própria história, o que faz com que eu torça para cada uma das personagens principais. É difícil você largar tudo para trás em sua cidade, sua vida para migrar para um lugar desconhecido e tentar o seu lugar ao sol, e esse lugar não vem sem antes muito trabalho duro, humilhação (mesmo que essa esteja maquiada), choro e até mesmo vontade de desistir. Olho para trás e vejo o quão duro meus pais deram para conseguir o que temos hoje, e o que temos eu agradeço à eles, porque foi graças ao empenho dos dois e a dedicação que não só temos tudo o que queremos, mas somos alguém na sociedade e isso não são todas as pessoas que conseguem, infelizmente.

Com um roteiro cru, cenas naturais e até mesmo repetitivas sob diferentes perspectivas faz com que a própria história das personagens sejam maiores que suas atuações, se assim podermos classificar. A crítica é tão boa que vai causar um bom choque em algumas pessoas da classe média alta que não acreditam que as pessoas (funcionários) possam viver assim, ou patrões que fingem que gostam de seus funcionários na maioria das vezes ingênuos e que por trás não suportam ver as caras deles. Essa mentalidade das pessoas é o que mais me desagrada, porque realmente sabemos que o dinheiro não faz uma pessoa melhor ou pior, mas sim o caráter dela.

Regina Casé está maravilhosa na pele de Val, a empregada submissa e serviçal que “é quase da família”, por vezes que queria entrar na tela e dar umas boas sacudidas nela para ver se ela acordava. Mas é aí que está a graça, a ingenuidade dela que seria o tiro para o choque com a filha Jéssica (Camila Márdila, que está ótima no papel) que não aceita o jeito que a mãe vive e que ainda por cima não consegue entender que os patrões pouco ligam para, até mesmo Fabinho (Michel Joelsas) que nutre amor por Val já que não teve carinho de mãe é muitas vezes relapso e não liga muito para as emoções da pobre empregada. Barbara a patroa sem escrúpulos (Karine Teles) e fria como uma pedra de gelo, e Carlos (Lourenço Mutarelli) um patrão com muitos segredos internos.

Ao terminar de ver o filme fiquei bem emocionado e feliz com o cinema nacional que progride a passos lentos ano após ano, mas que sempre acaba nos trazendo boas surpresas. Com uma película assim eu sinto orgulho do nosso cinema e torço para que ele acabe sendo indicado ao Oscar e vencendo na categoria. E aos incomodados com o filme, acho que o tapa na cara foi bom não é? Reflita!

Ficha Técnica:

Título: Que Horas Ela Volta?

Atores: Regina Casé, Camila Márdila, Michel Joelsas, Karine Teles, Lourenço Mutarelli

Gênero: Drama

Ano de lançamento: 2015

Direção: Ana Muylaert

 

Crédito da sinopse: Adoro Cinema

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