Café no Oscar – #OscarSoWhite:A Questão Racial

Por , 22 de fevereiro de 2016 19:30

Com o anuncio dos indicados ao Oscar, mais uma triste estatística se confirmou pelo seu segundo ano consecutivo: Nenhum negro entre os indicados nas categorias de melhor ator e melhor atriz. oscars-2016

Um dos primeiros Oscar que assisti completo, foi quando uma emocionada Hally Berry recebia seu prêmio de Melhor Atriz, desde então Viola Davis, Lupita Nyong e entre outros levar uma das estatuetas para casa. Porém, como alguns sabem bem demais, a questão racial americana ainda continua presente e apesar de não ser tão declarado como antigamente, há ainda muitas barreiras entre ambas as partes.

Não posso falar desse ano e da falta de indicações para Will Smith (por Concussão) ou Idris Elba ( Por Beast of No Nation) por que eu ainda não assisti ambos os filmes, mas ano passado a falta de indicação para David Oyelowo (por Selma) foi muito feio. Ele não ganharia? Não, mas foi um dos melhores do ano e ele merecia pelo menos a nomeação.

As indicações do prêmio é um reflexo da própria indústria e do reflexo da academia e Alguns números falam por si próprios:

94% dos votantes da academia são brancos.

93% de todos os indicados ao prêmio são brancos

Entre 2007 e 2013, somente 25,9% dos papeis de todos os filmes foram interpretados por negros.

Com isso, em 86 anos de prêmio somente 172 profissionais negros foram premiados.

Oscars-So-White-e1453741115597A Academia, logo após a lista dos indicados, já anunciou que fará algumas mudanças, inclusive no corpo dos votantes para estimular a diversidade, só que mudança na própria indústria serão necessárias para mudar isso.

Alguns artistas vão boicotar a festa em protesto contra a academia e apesar de achar uma atitude certíssima por parte deles, também não condeno aqueles que não vão abraçar esse tipo de protesto para a causa. Mark Ruffalo falou em entrevista que apoia a causa, mas que comparecerá em homenagem as vitimas de abuso, que o filme Spotlight fala.

De um lado é uma ótima causa e do outro uma indicação para o maior prêmio que um ator poderia receber e aí pesa estúdio e publicidade.

Cada vez mais o público está atento e pedindo essa diversidade em todos aspectos das indústria.

Para quem se lembra, ano passado a Patricia Arquette fez um corajoso discurso cobrando que as mulheres tenham papeis e uma valorização melhor no cinema e isso levou há várias discussões e entrevistas sobre o tema.

Que o ano de 2016 seja pontuado em cima dessa tão necessária questão, e esperamos que o ano que vem o Oscar possa começar a se tornar o reflexo da sociedade em que vive e não só a cabeça de 5000 pessoas que levam os preconceitos e bloqueios para os carnês de votação do prêmio.

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