Entre Páginas – Neve #OlimpiadaLiteraria

Por , 9 de junho de 2016 12:08

 

livro-neve-orhan-pamuk-4893-MLB4936369009_082013-FNeve, conta a história de Ka, poeta exilado na Alemanha, que viaja a uma pequena cidade turca com o pretexto de investigar a onda de suicídios entre jovens muçulmanas que assola o vilarejo. Durante essa visita, uma nevasca bloqueia todas as estradas, insulando a cidade do resto do mundo. É nesse clima de isolamento que um veterano ator e sua mulher aproveitam para liderar um golpe militar.

Embora tenha se distanciado da política há muitos anos, Ka é alçado a protagonista involuntário dessa revolução. Nada menos apropriado para o escritor cujo desejo, além de se casar com Ìpek, antiga colega de escola, é apenas registrar as poesias que lhe escapam há anos, mas que agora passam a fluir com extrema naturalidade. Mas o turbilhão provocado pelo golpe traz à tona a truculência das forças de segurança, antigos ajustes de contas e o radicalismo de alguns militantes islâmicos.

Enquanto Ka tenta se equilibrar entre as diversas facções em choque, vê a cidade se tornar um microcosmo dos conflitos raciais, políticos e étnicos da Turquia, além de palco da sua tragédia pessoal.

Nas nossas leituras, estamos  acostumados com alguns padrões e um deles é geográfico. Lemos muito mais materiais que se passam entre os Estados Unidos e a Inglaterra, do que de outros países.

Esse padrão é imposto pelo mercado literário em geral, mas também seguido por nós. E com isso, literaturas que fujam um pouco desse padrão, vão ficando para trás e as barreiras só são quebradas quando um romance ganha um grande prêmio como o Man Booker Prize ou, como no caso desse de Orhan Pamuk, o prêmio Nobel de Literatura, honra que ele foi laureado em 2006.

A primeira vista, pelo tema e o tamanho do livro (488 páginas), você imagina que será uma leitura demorada, mais vagarosa. Alguns livros você lê devagar, não porque é ruim, mas porque a própria história pesa e é necessário essa leitura com calma para conseguir assimilar tudo.

Porém, Neve, apesar de parecer que se encaixaria nesse parâmetro, provou ser exatamente o contrário. A narrativa de Pamuk é gostosa e fácil e rapidamente você está envolto em toda a trama.

Trama que tem um papel importante nesse livro pela sua densidade e tema, ao mostrar a política em um país marcado pelas disputadas e pela religião.

O tema é novo para nós, mas para o personagem Ka é a realidade de uma vida que ele viveu bem próximo. O seu distanciamento anos antes, só é uma forma de fazer com que todas as mudanças impostas sejam vistas com outros olhos.

É um personagem que ao longo do livro vamos percebendo que não tem força para lutar ou impedir nada, ele está ali para ver, mas tem pouca oportunidade de realmente fazer com que o golpe acabe bem.

O livro tem algumas cenas fortes de violência, mas é o isolamento do resto do mundo que conhecemos e imposto a cidade pela neve que cai constantemente, que faz com o clima do livro vá crescendo e envolvendo todas os personagens em um caminho sem volta.

A única coisa que me incomodou do livro é com ele se distanciou do tema inicial e depois não fechou isso. Havia elementos muito interessantes para se trabalhar ali e a explicação ficou muito pobre e tirou o peso que a aquela questão especifica, teve para o todo o conflito.

Ficha Técnica:

Livro: Neve

Autor: Orhan Pamuk

Editora: Companhia das letras

Páginas: 488

Nota: 4/5 estrelas

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