Pipoca Salgada – Contrato Vitalício

Por , 10 de julho de 2016 14:35

Doze horas depois de ter assistido Contrato Vitalicio nos cinemas, ainda não sei se desperdicei 20 reais do meu dinheiro, se foi bom rir um pouco,  ou se assisti o filme mais grotesco e sem sentido na minha vida.

CONTRATO VITALICIO

Não sou fã de filme besteirol, e definitivamente Contrato Vitalicio entra neste gênero, então ainda não sei porque decidi assistir este filme nos cinemas, talvez tenha sido a escassez de filmes em cartaz, ou o fato de querer assistir algo diferente. No fim das contas acabei assistindo este filme que hora não deixará lembranças, ora me fará pensar nas coisas sem sentido que temos por aí.

Como uma boa brasileira eu assisto um vídeo ou outro do Porta dos Fundos, afinal o humor negro e os roteiros curtos e parodias bem elaboradas dos videos são um atrativo e tanto. Portanto, apesar da comédia que já sabíamos que haveria em Contrato Vitalicio, eu esperava no minimo um roteiro sagaz, capaz de segurar o público.

Dois amigos, o diretor Miguel (Gregorio Duvivier) e o ator Rodrigo (Fabio Porchat), recebem o grande prêmio do júri num badalado festival internacional de cinema. Depois de beberem demais, Rodrigo assina um contrato para participar do próximo filme do cineasta. Miguel desaparece e ressurge dez anos depois com uma proposta de fazer um longa delirante. Rodrigo já é famoso e desconfia da sanidade do diretor. Para piorar, percebe que para honrar o contrato será obrigado a fazer um filme que pode destruir não apenas sua carreira, mas sua vida. – Fonte: Porta dos Fundos.

Conseguir transformar pequenas esquetes de 3 minutos em um filme de mais de uma hora, sem perder o público é algo difícil de se construir. Deixar que o público tenha pelo menos a cada 3 minutos um motivo para rir é um trunfo que Contrato Vitalicio leva com tranquilidade. No filme, que pode ser considerado uma “zueira” só, ninguém escapa das criticas, das metáforas e sátiras.

Com um roteiro tão insano, quanto o do próprio filme que sera produzido no filme (eu sei, redundante), o elenco de Porta dos Fundos, todos presentes nos mais diversos excêntricos personagens, com falas que não perdoam a nada e a ninguém, nos trazem as mais diversas situações das maneiras mais absurdas possíveis.

Esqueça a típica comédia brasileira que nos acostumamos, aqui não existe o politicamente correto (ainda bem, pois andamos bem chatinhos com isso), nada escapa, desde mexer com temas polêmicos como homossexualidade, beijo gay, morte  violência…. a lista de temas é sem fim, e parece que eles conseguiram mexer com tudo e com todos. Eu não tive como não gostar da personagem blogueira Fernanda (Thati Lopes), que ironiza ao extremo a vida superficial de um blogueiro que mostra sua vida inteira no snap, youtube entre outras coisas.

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Mesmo assim, o filme parece uma insanidade de temas, num roteiro no mínimo enlouquecedor, mas com ritmo constante. Não vou dizer que é bom, porque não é. Inclusive vi pessoas indo embora no meio do filme, mas na margem é uma exceção, talvez um humor negro bem trabalhado. Alguns personagens tiveram suas histórias talhadas perfeitamente para “casar” com seus atores, o caso de Gregorio Duvivier, Rafael Portugal e Antonio Tabet. Fabio Porchat, como protagonista é bom, mas cansa um pouco o público, principalmente pela história leva-lo ao limite da insanidade.

O filme tem suas mensagens, as boas voce encontra lá, se prestar bastante atenção. Mas talvez a melhor seja que não devemos levar as coisas tão a sério, que ainda podemos ser engraçados, brincar com temas polêmicos sem sermos julgados 100% do tempo.

 

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