Entre Páginas – O Amor nos Tempos do Ouro

Por , 18 de julho de 2016 8:00

Eu sempre gostei muito dos livros de Marina Carvalho, Simplesmente Ana e Azul da Cor do Mar são um dos meus nacionais favoritos, com a quantidade correta de romance para agradar uma leitora como eu.

Apesar da decepção eu foi a minha última leitura de  Elena, Filha da Princesa, resolvi dar outra chance para a autora.

Com vontade de ler um bom histórico, embarquei na leitura de Amor nos Tempos do Ouro, quase sem expectativa e ao encerrar a última página do livro, não tinha como ficar mais satisfeita.

O Amor nos Tempos do OuroCécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria.

Eu fiquei surpreendida com a leitura, o livro trás muito mais conteúdo do que eu esperava. A história não é só um romance, como algumas que já li por ai, todo o pano de fundo em que a Marina ambientou a história, no Brasil colonial, foi perfeita e muito bem trabalhada.

Cecile é a típica menina dos romances históricos, com a dose correta de inocência e coragem, o que deixa o leitor ora torcendo por ela, ora querendo dar umas chacoalhadas (assim como Fernão fez). Ao embarcar para o Brasil depois da morte dos pais ela oscila entre a vontade de acabar com sua vida e a esperança de que algo de bom possa acontecer e mudar o seu destino. É ótimo conseguir acompanhar o crescimento da personagem ao longo do livro, o amadurecimento dela ao longo da história e das rasteiras que a vida apresenta para ela.

Fernão, é um mocinho, não tão mocinho assim. A autora tentou (em vão), não deixá-lo com o estigma de herói, afinal de contas ele nunca foi um. No fim, são justamente todos os defeitos dele, juntamente com a bagagem emocional que ele possuiu, que o torna tão especial para Cecile e nós leitores.

Gostei muito do livro, não só pelo romance, mas pela história em si que me prendeu do inicio ao fim da leitura. Percebe-se um grande estudo do Brasil colonial para conseguir montar esta história que aborda tantos assuntos e necessita de uma riqueza de detalhes como pano de fundo para justificar o próprio enredo e a história de cada personagem. Não posso dizer que o livro tem falhas históricas, pois não sou perita nisso, mas todos os apontamentos históricos estavam belamente encaixados na narrativa e conseguiram de certa forma mostrar que este livro é mais do que um romance.

O livro oscila entre a narrativa em terceira pessoa e as cartas de Cecile e Fernão em primeira pessoa. O estilo coloquial de antigamente foi bem colocado nos diálogos, mas é difícil conciliar dentre as 3 pessoas qual a melhor forma de narrar a história, por isso em alguns momentos há algumas “escorregadas”, nada que impacte a leitura. Colocar em meio a história a realidade dos escravos e índios, poderia ser um risco, mas foi perfeita na medida em que foi abordada da maneira correta, ainda que aquilo me deixasse triste, faz parte da nossa história. Isso não só ajudou no desenvolvimento, como também enriqueceu o livro com outro tema pouco abordado nas literaturas recentes.

Diferente do livro Perdida, da Carina Rissi, que também se passa no Brasil colonial (e que eu gosto muito), O Amor nos Tempos do Ouro me parece um livro melhor trabalhado, cuja a história não é atemporal, tem raízes profundas na história do nosso país. Ainda assim, é diferente, é mais sensível e intrigante, nos apresenta personagens que nos apegamos tão fácil quanto os protagonistas, os casos de Malikah e Hasan, e é diferente no sentido de que o não só de romance vive o livro e temos a dose correta de história, romance, tragédia e drama.

Título: O Amor nos tempos do Ouro

Autor: Marina Carvalho

Editora: Globo Alt

Páginas: 328

Avaliação: 5/5 estrelas

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