Blá Blá Blá – Lá e de volta outra vez

Por , 21 de setembro de 2016 16:36

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Escrevo isso, sentada no aeroporto Charles de Gaulle em Paris. Uma cadeira muito confortável, um aeroporto lindo, e uma tomada estrategicamente posicionada do lado do meu note, a vida pode parecer bem perfeita, se não fosse um pequeno detalhe: esse é o meu voo de volta para casa.

A antecipação para uma viagem grande pode ser ao mesmo tempo uma tortura e uma dádiva. Tortura porque você fica pensando o quanto que falta para chegar e dádiva porque é para onde os seus pensamentos vão, quando todo o resto falha.

Uma coisa (ou várias) ruins acontece, mas você pensa em tantos dias (semanas ou meses)  vou estar de férias, vou estar viajando. Eu sou do time que se tirar férias tem que viajar, nem que seja para a casa de uma tia ou para cidade do lado.

Mas eu também sou de time em que cada viagem foi importante e transformadora, e por isso, elas são tão especiais para mim.

Para quem nos acompanha nas redes sociais (e se não, nos siga, somos legais), sabe que passei as últimas duas semanas na Inglaterra explorando, conhecendo cidades como Bath e Stratford Upon Avon e vendo peças como Les Miserables e Harry Potter and the Cursed Child. No meu retorno, com o tempo, espero dividir algumas dessas coisas com vocês.

Porém, hoje a questão é muito maior, é a questão de que estou indo para casa. Depois de 15 dias dormindo em quartos com 12 pessoas em hostel, comendo sanduíche e tomando banho daquele jeito, pensar que estou voltando para casa é reconfortante.

Só que algo muda em você quando você passa tantos dias em uma cidade tão diferente. Eu basicamente passei hoje planejando como me amarrar no Big Bang e nunca ir embora.

Não é melhor que o Brasil, mas é diferente. Um diferente que me tocou de uma forma que outras cidades não conseguiram.

Vários medos me acompanharam antes dessa viagem. A taxa alta da Libra, o meu budget reduzido, ficar em um hostel sozinha, e principalmente, viajar sozinha.

Eu nunca tinha viajado sozinha, e apesar de ser comunicativa e solta, tenho dificuldade de fazer amizades rapidamente. No voo de ida, fiquei pensando em como faria para andar pelas cidades sozinha, com quem falaria quando quisesse dividir aquilo que estava experimentando.

Descobri que lido muito bem sozinha e comigo mesma. Foi chegar, tomar um banho e pronto.

Estava já andando pela cidade, errando caminhos e dando sorrisos sozinha. Conversei muito comigo (dentro da minha cabeça, não se preocupem porque não fiquei falando com o vento), escrevi bastante no diário da viagem (apesar dele estar uns 5 dias desatualizado agora), e principalmente, aproveitei essa chance para sentir e internalizar.

Piegas, eu sei, mas foi bem diferente. Foi diferente de todas as viagens que já fiz, e agora olho para frente pensando em tudo que preciso mudar.

Repito: Não há nada melhor que viajar e as mudanças que esse novo lugar lhe trará.

Porque no final, não importa que você vai embora, o que importa é que você vai levar um pedaço dessa experiência dentro de você.

Aí quando chega em casa, cabe a cada um de nós, decidir quais mudanças ficarão.

Estou voltando uma pessoa diferente e só o tempo dirá o que isso causou.

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