Entre Páginas – Festa no Covil

Por , 10 de outubro de 2016 11:35

A riqueza da literatura Sul americana é infinita, mas acaba de se perdendo entre tantos lançamentos americanos. Mas há muita coisa boa por aí, e Festa no Covil do mexicano Juan Pablo Villalobos, é um dos precisam ser lidos.

festa-no-covil1O romance de estreia de Juan Pablo Villalobos é surpreendente em muitos sentidos.

Breve e incisivo ao revelar a face mais violenta da realidade (não apenas)mexicana sob uma ótica insólita, entra no cânone da narcoliteratura sem ceder aos tiques próprios do subgênero. Em ‘Festa no Covil’, a vida íntima de um poderoso chefe do narcotráfico , Yolcault, ou “El Rey” é narrada pelo filho. Garoto de idade indefinida, curioso e inteligente, o pequeno herói, que vive trancado num “palácio” sem saber a verdade sobre o pai, reconta sem filtros morais o que presencia ou conhece pela boca dos empregados ou pela tevê.

Seu passatempo é investigar secretamente os mistérios que entrevê, colecionar chapéus e palavras difíceis e pesquisar sobre samurais, reis da França e animais em extinção, sempre com o auxílio de seu preceptor, um escritor fracassado egresso da esquerda.

Entre as formas de se contar uma história, não há forma mais inocente e diferenciada do que se contar sobre o ponto de vista de uma criança. Em um mundo onde os adultos já tem as suas próprias noções de certo e errado, quando mudamos a visão para uma pessoa mais jovens, e principalmente para um criança esses contornos predeterminados podem se tornar menos nítidos.

Festa no Covil trás exatamente isso.

Nosso narrador é Tochtli, filho do chefão do tráfico de drogas que mora em um mundo construído pelo dinheiro do seu pai e onde ele tem acesso a somente as coisas que assim o convir. O que ele consome de conhecimento, é o que é filtrado através do seu pai, dos capangas que trabalham com ele e de alguns tutores.

Mas ainda assim, a visão de Tochtli é limitada. Ele não percebe o que exatamente o pai faz e até mesmo as conseqüências daquilo, vive uma vida a parte, onde tudo lhe é fornecido e nada é caro demais. Porém, tem um refúgio dentro do mundo que o pai criou para ele, uma mansão gigantesca sem acesso ao mundo de fora.

Ao longo do livro, contado de uma forma despretensiosa por Tochtli, percebemos que diversas coisas acontecem que não são exatamente como ele foi ensinado.

O livro é bem pequeno, menos de 100 páginas, e a apesar de falar de assunto complicado Villalobos tem uma narrativa bem leve e ao mesmo tempo bem pontuada. Em cada páginas somos levados a analisar a situação e a vida de Tochtli, seu pai e todos que o cercam.

Ficha Técnica:

Livro: Festa no Covil

Autor: Juan Pabo VillaLobos

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 96 páginas

Nota: 4/5 estrelas

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