Em Cena – Review da peça Harry Potter and The Cursed Child ~SEM SPOILER~

Por , 30 de outubro de 2016 20:55

#Keepthesecrets – Esse review NÃO contém spoiler

Como há pessoas que ainda não leu A Criança Amaldiçoada, esse review não contém nenhum spoiler.

O mundo estava girando normal e Rowling resolveu balançar as estruturas avisando que lançaria uma peça chamada Harry Potter and The Cursed Child. Como a rotação da Terra não foi alterada por isso, eu ainda não descobri.

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10 de setembro de 2016.

Desde outubro do ano passado, essa data ganhou um significado muito especial e importante.

Não é surpresa para ninguém que a minha geração teve a felicidade de crescer com Harry Potter e se você acompanha o blog, sabe que toda a equipe tem um amor do tamanho do mundo por essa série.

Harry Potter pra mim representa mais do que posso um dia tentar explicar, e por isso, quando li que The Cursed Child ou A Criança Amaldiçoada seria uma continuação em uma peça teatral, eu sabia que estava destinada a ir para Londres e ver.

Com a libra a 6 reais, meus planos era ficar 4 dias, o mínimo para que eu conseguisse ver a peça.No dia em que os ingresso foram disponibilizados, eu fiquei tentando comprar. Já havia quase desistindo quando finalmente consegui. Como era duas peças, tive que pegar o lugar mais barato disponível.

Com os ingressos comprados, fiz várias concessões na minha vida, e aos poucos fui aumentando os dias. Porque ficar 4 dias em um hotel, se podia ficar duas semanas em um hostel e pagar menos que a metade?

6e1cb840-362a-0134-0cba-0a0b9a139ea7Optei por isso, e assim a viagem ganhou proporções maiores do que podia imaginar. Mas ainda assim, estava ali por ele, O Menino que sobreviveu.

Rowling foi muito categórica em afirmar que não teria um filme ou um livro, e mesmo assim poucos meses depois, quando foi anunciado que seria publicado o roteiro da peça, eu continuei firme na minha decisão de ir ver a peça.

Como qualquer arte, o teatro tem as suas premissas de o que funciona ou não ali, e do que fora dali, não fará muito sentido.

Assim, ler uma peça é bem diferente de a ver encenada. Há pronuncias, entonações e até o clima do teatro que é mais poderoso que a leitura em si.

São artes irmãs, mas não gêmeas. E por isso, falta um pouco quando elas fazem caminhos inversos.

E se uma peça teria que ser feita para Harry a produção não podia ficar atrás. Não vi tantas montagens assim e até hoje O Fantasma da Ópera era o que mais me havia me impressionado em nível de produção.

E aí veio The Cursed Child, e The Cursed Child possivelmente me estragou para todas as peças posteriores.

O cenário é até relativamente ‘simples’, não há muita decoração e é o fundo que vai mudando a cada cena. Hora é a plataforma 9 3/4, hora é Hogwarts e por aí vai.

Mas ainda assim, eles capricharam no vai e vem de alguns elementos, que ao longo das duas peças vai formando a estrutura necessária para contar a história.

Eles abusaram também de efeitos visuais. As passagens de tempo eram projetadas no fundo e nos arcos de lado do palco, criando a impressão para todo o teatro do tempo realmente mudando, e toda vez que era necessário, o teatro inteiro também entrava na roda.

Em um momento, palavras escritas na parede de uma  cena, são projetadas em toda as paredes em volta do teatro.

Como fiquei lá em cima no balcão, parecia que as letras haviam sido realmente pintadas nas paredes e até mesmo quando dos dementadores tomam conta em determinado momento, eles inseriram essas criaturas ‘voando’ e aterrorizando desde a primeira fila, até quem estava sentado lá atrás, como eu.

harry-potter-cursed-child-5E como se não bastasse, até uma piscina aparece no meio do palco, como disse, a peça com certeza me estragou para sempre.

Uma das coisas que mais gostei, é como a parte criativa tomou coragem em vários aspectos. As cores das casas continuam, mas eles buscaram diversificar o que foi apresentado nos filmes.

Crescemos com a Emma Watson como a Hermione, e ela é ótima, mas uma das melhores mudanças foi uma Hermione negra. A Noma Dumezweni, é uma excelente atriz e a sua interação com os atores que interpretam Ron e Harry não deixou nada a desejar. Muito longe disso.

Nosso trio está de volta! <3 Mais velhos, com mais responsabilidades corriqueiras, mas é ainda o nosso trio! <3

Na verdade o elenco inteiro é muito bom. Até mesmo os mais novos, conseguem cativar e carregar uma cena inteira tranquilamente.

Como são duas partes, eles dividiam as sessões. Por exemplo, no sábado é comum as outras peças terem duas sessão, uma matinê e outra a noite. E nesses dias, a primeira parte acontece no horário da matinê e a segunda parte a noite.

Dá tempo para sair e comer alguma coisa e voltar tranquilamente para ver a segunda parte. Como estava sozinha, sai da peça e fiquei vagando pela região sozinha. Aproveitei e conheci a Casa MinaLima, que fica na rua de trás to teatro.

Lá os diretores criativos dos filmes do Harry Potter, Eduardo Lima (brasileiro) e Miraphora Mina, apresentam todos os itens criados para o filme. Há 3 andares para se conhecer e você também pode comprar vários itens.

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Hogwarts, uma História. <3

Com esse passeio mais o jantar, a espera pela segunda parte foi mais suave.

Mergulhar em Harry Potter é sempre muito bom, principalmente quando a história que você vai ver é inédita. Eu fugi de todos os spoiler possíveis. Fiquei tão fissurada em não saber nada, que não abriria uma post como esse de jeito nenhum. hahah

É um sentimento que só quem é fã, sabe o que é.

Terminei a peça querendo muito abraçar um pottermaníaco, um amigo que gostasse muito da série e que soubesse o que estava acontecendo. Mais do que contar uma nova história, a peça trás um sentimento de nostalgia muito grande. Você fica pensando nos outros livros da série, nos personagens, em quem morreu e em quem ficou.

The Cursed Child é um grande afago para os fãs da série. Foi difícil, mas valeu cada centavo e se você gosta da série como eu, vale a pena guardar cada real para conseguir assistir a peça.

É uma experiência única.

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