Entre Páginas – Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Com spoiler)

Por , 31 de outubro de 2016 18:30

#Keepthesecrets – Esse review contém SPOILER

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Depois de fechar uma das mais famosas sagas de livro, Rowling voltou ao mundo do Harry Potter e escreveu uma peça para mostrar o que aconteceu depois de 19 anos, e foi maravilhoso.

harry-potter-e-a-crianca-amaldicoada_2Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar.

Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

Mexer com uma história adorada, acrescentado mais capítulos é uma maneira muito arriscada de viver. Somos apegados com o que é certo, e qualquer coisa diferente ou que possa prejudicar isso nos deixa apreensivos.
Afinal, o histórico do passado nos mostrou que isso não é uma boa ideia. Isso é quase uma regra não escrita.

Mas toda regra tem a sua exceção. E A Criança Amaldiçoada  é uma exceção.

É sempre difícil ler uma peça ao invés de a ver encenada. Ano passado desbravei as peças de Shakespeare e sempre tive mais carinho pela história depois que havia visto alguma montagem (seja ela profissional ou amadora).

Aí quando voltava a leitura para a peça, eu lembrava como aquele parte foi encenada, a entonação do ator, as paradas para risadas e o cenário.

Portanto, vai ser necessário um esforço maior para imaginar algumas coisas nessa leitura. Ao contrário dos livros, não temos Rowling explicando os locais e os sentimento de Harry. Não estamos na cabeça de ninguém, mas acompanhando as cenas com Harry e Albus.

E tudo gira em torno dos dois. Em As Relíquias da Morte, conhecemos um pouco de Albus, mais do que qualquer um dos outros personagens. Rowling quis mostrar exatamente com quantos filhos cada uma ficou no final, porém é o filho do meio de Harry e Gina, que recebeu um carinho especial.

Sua preocupação em ser selecionado para a Sonserina foi tranquilizada pelo pai e ele foi embora com a sua prima, Rose, para Hogwarts.

O título A Criança Amaldiçoada, pode ter vários significados. A medida que vamos conhecemos os personagens, pode ser para a Delpi, para o Scorpius e até para o próprio Harry, mas se o título é abrangente, a peça é determinante e é só começar para sabermos que se refere a Albus.

Imaginem que Albus nasceu em uma ótima família, rodeado de irmãos, com tios donos de lojas de piadas e filho de um dos maiores bruxos que já existiu, e é aí que reside a sua maldição.

Se aprendemos algo que preste com o Voldemort, é que um nome pode ser importante e decisivo.

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E Albus, coitado, tem três para carregar nas costas. Um do maior e melhor diretor de Hogwarts, Albus Dumbledore, o outro de uma das pessoas mais decisivas na luta contra Voldemort, Severus Snape. E por fim, o sobrenome Potter.

Ele é o filho do meio de Harry Potter e tem que começar a escola sem muitos amigos ou a confiança para ser um aluno espetacular.

Como Neville e outros mostraram durante a série, é preciso um pouco de confiança em si mesmo para a magia funcionar e Albus sofre exatamente com isso. A cada nova mágica que não funciona, ele vai perdendo a fé em si mesmo.

Não me surpreendi com ele ter sido enviado para Sonserina. Se tem alguém possui o desejo de mostrar do que é capaz, é o Albus, mesmo que ele não perceba.

E porque passei os últimos três parágrafos tentando explicar o Albus? É porque tenho uma impressão que algumas pessoas não vão gostar muito dele ou podem carregar um pouco da sua rispidez inicial para toda a história.

Mas se é preciso explicar porque você tem que gostar de alguém com o sobrenome Potter, não preciso gastar meio minuto defendendo um Malfoy.

Nuca pensei que gostaria tanto de um Malfoy como gosto de Scorpious. Na peça, o ator que o interpreta, sua uma voz fraca e fina em algumas momentos. É ele o responsável pela maioria das risadas que a peça nos trás.

E é ele também o responsável por fazer com que conhecemos um lado do Draco que tínhamos uma desconfiança que existia, mas que faltava um espaço seguro para acontecer.

Ao longo da peça, vamos sabendo exatamente como Draco ficou do lado da mulher que ao invés do pai e como ela foi a responsável, juntamente com Scorpius, em o colocar no caminho certo. Em um momento Draco fala para Harry: Ele é a única família que tenho.

E conseguimos nos colocar em seu lugar em vários momentos da peça.

Na verdade, o que não falta aqui, é momento para entender cada um dos personagens. Entendemos Harry e a sua dificuldade de se relacionar com o filho, entendemos Albus e a sua teimosia com o pai. E até mesmo entendemos os Malfoys.

Descobrimos que a vida do Draco mudou muito desde o final da batalha de Hogwarts, e isso é muito bom e reconfortante.

Há momento para chorar, só que as risadas se sobressaem e fazem um bom contraste, e um dos maiores responsáveis por essas risadas é Rony.

A interação dele com a Hermione é impressionante em todas as realidades alternativas, e percebemos que ser o marido da Primeira ministra do bruxos, fez muito bem a ele.

Em um momento, Albus e Scorpios invadem o ministério com a poção Polissuco se passando por Rony e Harry respectivamente (com quem eles poderiam ter aprendido isso? hahah) e quando encontram com a Hermione de verdade, as risadas são garantidas.

Outro fator que e sentimento que Draco põe na mesa e Gina concorda, é o fato de que Harry não sabe o que é viver sem amigos, porque ele sempre teve os seus Rony e Hermione.

Para a surpresa até mesmo de Harry, Gina ainda acrescenta que sempre sentiu inveja deles. Esse é um dos sentimentos e histórias antigas que a peça traz a tona.

Cedrico Diggory, o vira-tempo e toda a realidade alternativa, são todas ‘desculpas’ para se falar sobre Albus e Harry.

Depois de ver a peça, eu ainda estava relendo alguns dos livros da série e me peguei em A Ordem da Fenix, após a morte do Sirius, com o Dumbledore deixando bem claro que amava Harry. Harry não percebeu, as palavras estavam subentendidas, mas reler aquela parte é ter certeza do amor que ele sentia.

E aqui, a figura do Dumbledore toma um tempo para afirmar que foi errado, que ele nunca falou “Eu te amo’ para o Harry. Na cabeça de Dumbledore.  as suas atitudes e palavras transpareciam isso, mas Harry ainda precisava ouvir as palavras que nunca foram ditas.

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Já Albus, entende da pior forma, que o que seu pai passou é indescritível. E os momentos finais em Godric’s Hollow é a grande sacada de tudo.

Pai e filho são unidos pela dor, para criar mais amor entre eles.

A história em si, não muda muito. Gostei como literalmente damos uma volta no park e caímos na mesma entrada. Agora temos novas informações e sabemos um pouco o passado e dos filhos deles, mas ainda assim, a nossa história amada não mudou.

Rowling só criou mais material para lermos e personagens adoráveis.

Mais uma vez, ela provou que é a nossa rainha, e que em matéria de Harry Potter e o mundo bruxo, ela sabe exatamente o que está fazendo.

Ficha Técnica:

Livro: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Autores: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Editora: Rocco

Páginas: 352

Nota: 5/5 estrelas

 

 

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