Fala Série! – Deus salve a Rainha e The Crown

Por , 13 de novembro de 2016 9:59

A Netflix gastou cerca de 100 milhões de dólares para produzir a primeira temporada de The Crown. E valeu cada centavo.

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Desde que a Netflix anunciou que faria uma série sobre a Rainha Elizabeth II, minha orelhinhas ficarão de pé.

Não só por causa das outras provas que a Netflix já deu da qualidade das suas produções, mas porque apesar de ter o reinado de mais tempo da história da monarquia inglesa, a vida da Rainha Elizabeth tinha um apelo mais dramático.

Como contar sobre uma das mulheres mais famosas do mundo e que ainda está viva? Seria  um tiro no pé ou um grande triunfo.

Começando um dia antes do seu casamento, a série não se preocupou em contar sobre o inicio da vida de Elizabeth, seu trabalho durante a segunda guerra mundial e muito menos entrou em maiores detalhes do namoro dela com o então Príncipe da Grécia, Phillipe.

A história se inicia com uma cerimônia um dia antes do seu casamento, onde o Phillipe desiste de todos os seus outros títulos para se casar com a mulher que um dia se tornaria rainha.

Se esse inicio pode parecer meio aleatório, os  outros 9 episódios mostram que nada ali foi aleatório, já que durante os poucos anos que a série se passa, do momento em que ela se casa até o último minuto, ela faz tudo, e tudo acontece, dentro das normas e tradições do cargo em que ela ocupa.

E é nesse ponto que a serie mais acerta, sem a tornar um robô ou tornar o a questão chata e repetitiva, em vários momentos nesse início do seu reinado, ela terá que colocar a coroa na frente de tudo, e os momentos dramáticos por conta disso, tomam conta da tela na sua dose certa.

Apesar da falta de cenas de ação (não há lutas, perseguições e etc), a série consegue se carregar muito bem, assim como Downton Abbey fazia muito bem, a diferença é que The Crown tem menos fofocas e menos momentos de risadas.

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E se a série é muito boa, deve muito disso ao seu roteiro. O trabalho que Peter Morgan fez aqui é digno da magnitude da produção, novamente a dosagem certa de discursos e conversas cheias de significado dão os momentos apropriados para o roteiro brilhar.

A fotografia também está magnífica. Essa é uma coisa que você a reparar depois de ver tantas premiações e filmes que sonham com um Oscar, mas que trazem uma beleza para a tela, tornando o que estamos vendo muito harmônico.

Todos as atuações estão muito bem balanceadas e com isso, não me surpreenderia se a série ganhasse alguns prêmios no Globo de Ouro, Bafta e Emmy do ano que vem, e mesmo com o casal principal Claire Foy e Matt Smith, pelo menos nessa temporada são Vanessa Kirby e John Lithgow, interpretando a Princesa Margareth e Churchill respectivamente que tem um material e atuações que serão lembradas mais facilmente pelos votantes.

Pessoalmente eu AMEI o figurino e como uma grande apaixonada pelas roupas da década de 50/60 usaria todos eles sem pensar duas vezes.

Ainda assim, acredito que a fascinação de The Crown está exatamente em mostrar(ou tentar mostrar) a intimidade de história que só lemos nos jornais e livros de história. Por exemplo, ver as fraquezas e defeitos de Winston Churchill é fascinante e de certa forma o faz admirar ainda mais a figura que ele era.

E com a Rainha Elizabeth acontece a mesma coisa. É uma responsabilidade muito maior do que somente posar com uma tiara e manter isso por mais de 60 anos como ela faz, é digno de admiração.

Ainda que a série mostre detalhes, suposições e histórias intimas que talvez ela preferisse que nunca fosse reveladas ou especuladas, o resultado final é um ótimo retrato do seu reinado e da sua figura.

E que venha a 2° temporada!

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