Entre Páginas – De Frente para o Sol

Por , 17 de novembro de 2016 11:48

Julian Barnes tem mais de 30 anos de carreira, 26 livros lançados, mas ele foi a maior e melhor descoberta desse ano na minha vida literária.

c857a67e-686b-4e71-a468-9f10aaa74d8dDepois de esmiuçar a vida de Gustave Flaubert, Julian Barnes volta-se para a vida aparentemente simples de Jean Serjeant, uma moça provinciana que assiste, impassível, à mudança do século XX para o XXI. Nada é, no entanto, como sugerem as aparências. Jean, com sua capacidade inesgotável de fazer perguntas que nem todos sabem responder, esconde a complexidade que existe em todo o ser humano que ainda consegue se surpreender com o mundo. Barnes, capaz de transformar em literatura refinada tudo o que toca, demonstra, mais uma vez, ser um dos grandes autores ingleses de sua geração.

O melhor ainda está por vir.

Esse pensamento que dá força e coragem para muitas pessoas no mundo, também ode ser aplicados para os amantes dos livros. Sim, já lemos muitos ótimos autores e temos aqueles livros incríveis que são os nossos favoritos para a vida.

Mas gosto de pensar, que ainda lerei outros livros que serão melhores ou tão bom quanto. Imagina continuar nessas aventuras e listas de leituras e dezenas de desafios, como o nosso #Projetopravida sabendo que nada mais vai lhe tirar o fôlego?

Depois de muito ver ele pipocar por aí, peguei um livro do Julian Barnes na biblioteca para ver se era bom, o escolhido aleatório da vez foi Altos voos e quedas livres ( Leia o review AQUI) e eu me apaixonei por ele de cara.

Não vou entrar em detalhes do livro aqui (podem ler no post), mas foi sem dúvida o melhor livro que li esse ano. Então, obviamente voltei para Julian atrás de mais do que senti lá.

Altos voos é um livro muito autobiográfico e mais pessoal, enquanto De frente para o sol tem sim uma linha histórica e personagens ainda há muito do mesmo Barnes que encontrei.

“As pessoas fingiam – talvez até acreditassem – que quando a gente se casa a vida começa. Mas não era nada disso. O casamento era um fim, não um começo.Do contrário, por que tantos romances e filmes acabavam no altar? O casamento era uma resposta, não era uma pergunta. Não era uma queixa, simplesmente uma observação. A gente se casa e acerta a vida.”

É um livro antigo, escrito na década de 80. Li em alguns reviews pela internet que nem é tão bom comparado com os seus outros livros escritos posteriormente, e pessoalmente estou até com medo do que vou encontrar.

Isso porque achei a narrativa desse tão envolvente e bem escrita que fico pensando em como ele conseguirá ficar melhor que isso. Dentro da minha mente limitada, falta ainda perceber esse espaço para crescer, sinto que li uma obra-prima, e portanto, não há nada melhor.

O livro segue a trajetória de Jean pela vida, seus sentimentos em relação ao marido, filho e mundo e como ela se vê diferente todas as pessoas ao mesmo tempo em que a vida lhe coloca para fazer as coisas como todos os outros.

Leslie reflete bastante sobre o papel da mulher e da vida em si. Depois com o filho crescido, temos a oportunidade de também ver isso dentro da cabeça dele, os sentimentos e vida que não fica muito diferente da mãe.

Em certo momento Jean reflete sobre como viveu uma vida comum e solitária e no final, levanta todas as sete maravilhas públicas em um exercício que leva o leitor também a se ver em suas palavras. Suas sete maravilhas também são nossas.

E pouco a pouco, livro a livro, vou me apaixonando ainda mais pelo talento de Julian Barnes quase que esperando o momento que ele me decepcionará e torcendo que isso demore muito a acontecer.

Quero continuar a ficar a apaixonada só mais um pouco, amando essa sensação de um novo escritor favorito que ainda tem muito para me oferecer.

Ficha Técnica:

Livro: De Frente para o Sol

Autor: Julian Barnes

Editora: Rocco

Páginas: 223 páginas

Nota: 5/5 estrelas

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