Entre Páginas – A gigantesca barba do mal

Por , 19 de dezembro de 2016 9:00

Nunca fui uma leitora muito assídua de quadrinhos. Meu conhecimento desse estilo de texto se resumia à clássica Turma da Mônica (quem nunca?) e a alguns poucos mangás que li na época de colégio.

Porém, uma das vantagens de trabalhar em um grupo editorial que engloba os mais diversos gêneros é a possibilidade de conhecer obras que, a princípio, não me chamariam muita atenção… Mas que, uma vez desbravadas, acabam me conquistando completamente. Esse é o caso de A gigantesca barba do mal!

 

a-gigantesca-barba-do-malNa ilha de Aqui tudo é meticulosamente organizado e certinho. As ruas são asseadas, a grama é bem aparada e os homens são rigorosamente barbeados.

Dave não foge à regra. Tem um emprego que lhe permite pôr em prática todo o seu senso de organização, bem como distrair a mente de pensamentos indesejáveis, e encontra paz numa rotina totalmente ordeira.

Num dia fatídico, porém, Dave se vê como a raiz de um gigantesco problema: uma barba que irrompe de seus poros e desafia a lógica e a ciência. Logo ela se tornará uma questão de segurança pública e irá abalar as estruturas de Aqui, figurativa e literalmente. Uma fábula arrojada, que faz lembrar Roald Dahl e convida a refletir sobre algumas das questões humanas deste século.

 


No quesito leituras, 2016 pode ser resumido para mim em três palavras: tijolões e graphic novels. Sobre a primeira vou comentar em uma próxima oportunidade, mas vamos focar nas tais “novelas gráficas”.

Se você é um iniciante no mundo dos quadrinhos assim como eu, acredito que vale uma contextualização: muito se discute sobre que características distinguem uma graphic novel de uma simples HQ (história em quadrinhos). Para mim a melhor definição é a de que as graphic novels são mais próximas dos romances convencionais, que possuem uma linha narrativa mais linear, com “começo, meio e fim”, digamos assim. São obras únicas, que contam uma história com detalhes e profundidade, tão bem (ou melhor) do que um livro “normal”.

Esse é o caso desta obra espirituosa escrita e ilustrada pelo quadrinista britânico Stephen Collins. À primeira vista confesso que estranhei ler uma obra sobre uma barba que começa a crescer e ganha vida própria, dominando toda uma cidade. Afinal, nunca fiz parte do time das pessoas que adoram homens barbudos e que curtem saber mais sobre o assunto.

Porém, quando precisei folhear a obra como forma de “estudo” para o trabalho, acabei sendo completamente fisgada por uma história delicada e belamente narrada pelos traços impressionantes e pelas palavras poéticas de Collins.

 

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A gigantesca barba do mal narra a história de Dave, um homem comum, que mora na pequena cidade de Aqui e que cultiva sua rotina limpa e organizada. Mas tudo começa a mudar em um dia em que um único pelo facial dá origem a uma barba gigante que começa a crescer incontrolavelmente e que, aos poucos, vai tomando conta da cidade. Dave passa então a se tornar foco de notícias e de curiosos e ameaça a vida pacata e estruturada dos moradores do lugar.

Mais do que uma fábula, a obra é uma metáfora genial sobre a forma como todos nós encaramos aquilo que é desconhecido. O medo do novo, os receios de nos lançarmos em algo completamente inusitado e sem explicação e os momentos de conflito que nos tiram de nossas zonas de conforto são alguns dos temas abordados de maneira bastante original pelo autor.

O balanço desta leitura foi um encanto profundo tanto por esta obra em si como pelas graphic novels como um todo. É bem verdade que meu conhecimento técnico de artes, traços e ilustrações é nulo, mas a pena de Collins falou diretamente comigo. Resultado: tenho vontade de sair indicando este livro para todo mundo… E é o que estou fazendo agora! Dê uma chance para A gigantesca barba do mal. Você irá se apaixonar!

 

Ficha Técnica:

Livro: A gigantesca barba do mal

Autor: Stephen Collins

Editora: Nemo

Páginas: 240 páginas

Nota: 5/5 estrelas

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