Entre Páginas – Codinome Lady V

Por , 6 de fevereiro de 2017 8:00

Nós amamos romances de época e quanto mais autores e livros tivermos a oportunidade de ler em português, melhor!

Pensando nisso, a editora Gutenberg trouxe para o Brasil um nova escritora, para nos encantarmos mais ainda com nossos romances favoritos.

Lorraine Heath pode ser nova por aqui, mas lá fora ela inclusive já ganhou um RITA (prêmio máximo do romance) pela novela Always to remember. Então podemos ter certeza de que a leitura é boa na certa.

Codinome Lady V é definitivamente um título melhor do que a tradução literal do título em inglês, Falling into a bed with a Duke, que soaria como “‘Caindo’ na cama com um duque”. Esse é o primeiro livro da série Os sedutores de Havishan, que conta as aventuras de um grupo de 3 amigos que cresceram juntos – e, ao fim da leitura de Codinome Lady V fiquei mais ansiosa para ler as histórias dos outros mocinhos.

 

Codinome Lady V

 

Cansada de rejeitar pretendentes interessados apenas em seu dote escandalosamente vultoso, Minerva Dodger decide que é melhor ser uma solteirona do que se tornar a esposa de alguém que só quer seu dinheiro. No entanto, ela não está disposta a morrer sem conhecer os prazeres de uma noite de núpcias e, assim, decide ir ao Clube Nightingale, um misterioso lugar que permite que as mulheres tenham um amante sem manchar sua reputação.

Protegida por uma máscara e pelo codinome Lady V, Minerva mal consegue acreditar que despertou o desejo de um dos mais cobiçados cavalheiros da sociedade londrina, o Duque de Ashebury. E acredita menos ainda quando ele começa a cortejá-la fora do clube. Por mais que ele seja tudo o que ela sempre sonhou, Minerva não pode correr o risco de ele descobrir sua identidade, e não vai tolerar outro caçador de fortunas.

Depois de uma noite de amor com Lady V, Ashe não consegue tirar da cabeça aquela mulher de máscara branca, belas pernas e língua afiada. Mesmo sem saber quem ela é, o duque nunca tinha ficado tão fascinado por nenhuma outra mulher antes.

Mas agora, à beira da falência, ele precisa arranjar muito dinheiro, e rápido. Sua única saída é se casar com alguma jovem que tenha um belo dote, e sua aposta mais certeira é a Srta. Dodger, a megera solteirona que tem fama de espantar todos os seus pretendentes.

 

O argumento deste livro me deixou um pouco intrigada e, nas primeiras 50 páginas, um pouco preocupada. A ideia de uma casa onde as mulheres procuram amantes soa para mim um pouco ousado para um romance de época. Não me entendam mal, eu tenho minha dose de romances de época e contemporâneos com muito erotismo, para todos os gostos. Mas ao colocar este argumento de pontapé inicial da história, fiquei preocupada com o quando isso tornaria o livro erótico, descaracterizando-o como um romance de época, uma vez que as características do gênero acabariam ficando relegadas a segundo plano.

Não sejamos inocentes: eu sei que todos os romances de época têm a sua dose de erotismo com cenas quentes entre o casal principal, mas a parte que retrata tão bem a sociedade londrina do século XVIII – e a que mais gosto – é a parte principal e carrega 99% das histórias.

A minha única critica negativa ao livro é esse pontapé inicial, que se evidencia logo nas primeiras páginas, e que me fez perceber que a história não se desenvolveria da forma como imaginei. Apesar disso, o prolongamento do desejo de Minerva trouxe um história por deveras interessante, entre uma mulher independente que quer tomar as rédeas da vida e um homem verdadeiramente devasso. O legal desta história é ver o quanto Minerva é assombrada pelo seu dote, e acaba ela mesma se tornando cética em relação a todos, inclusive ao nosso mocinho o Duque de Ashebury.

O livro flui de maneira tão gostosa, que ao primeiro encontro do casal já estamos torcendo por eles. O mais legal ainda é ver o quanto Minerva reluta em aceitar seus sentimentos pelo Duque, ao mesmo tempo que Ashebury é completamente racional e consegue lidar com a paixão mais facilmente. A mocinha fica o tempo todo pensando se Ashe gosta da Minerva ou de Lady V, e a gente fica o tempo todo esperando que o duque descubra logo que as duas são a mesma pessoa.

Apesar do jeito independente de Minerva, o personagem que me conquistou mesmo foi Ashebury. Com tantos traumas do passado e sua vida de libertinagem, ele consegue dar a volta por cima – e consegue ser tão humilde quanto um lorde poderia ser. Só isso o torna especial na “galeria dos bons mocinhos”, além da forma como ele lida com as duas identidades de Minerva, sua eminente falência e principalmente sua dificuldade com números. Torna-se impossível não simpatizar com ele ao longo da história.

Com tantos casais felizes aparecendo ao longo do enredo, como a melhor amiga de Minerva, os pais e irmãos dela, fiquei intrigada, e logo descobri que existe uma série que antecedente a esta, chamada Scoundrels of St. James, que conta com cinco livros. Torço para lançarem logo essa nova saga por aqui.

 

Ficha técnica:

Livro: Codinome Lady V

Autora: Lorraine Heath

Editora: Gutenberg

Páginas: 256

Nota: 3/5 estrelas

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