Entre Páginas – A Química

Por , 9 de fevereiro de 2017 9:00

Lá pelas bandas de 2008, uma Sabrina recém-matriculada no curso de Jornalismo da faculdade estava conversando com uma colega quando esta lhe indicou efusivamente um certo livro de capa preta, ilustrada com uma imagem de mãos segurando uma maçã.

Naquela ocasião, eu estava enrolada com outras leituras e ainda mantinha um espírito de caloura cujos olhinhos brilhavam ao entrar na seção de jornalismo da biblioteca e prometia a mim mesma que até o final do curso leria todas aquelas obras tão importantes para a minha futura profissão, portanto recusei veementemente o empréstimo daquele livro, uma vez que não sabia quando realmente teria tempo para a leitura. Mas ela insistiu, dizendo que aquele era um livro muito bacana e apaixonante e eu acabei levando-o para casa.

Pois bem. Aquele foi o meu primeiro contato com Crepúsculo e com a escrita da até então desconhecida da americana Stephenie Meyer. Na época fiquei sim fissurada naquela história e passei a acompanhar todas as criações literárias da autora – que migraram dos vampiros para os misteriosos extraterrestres de A Hospedeira.

Depois de muitos anos afastada do ofício de escritora, no final de 2016 Meyer finalmente publicou um novo trabalho: A Química, que levou o meu “eu” de atualmente relembrar o “eu” do passado e adquirir este livro. E, como esperava, a diversão foi garantida!

 

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Uma ex-agente especial fugindo de seus antigos empregadores precisa aceitar um novo caso para limpar seu nome e salvar a própria vida. Ela trabalhava para o governo americano, mas poucas pessoas sabiam disso. Especialista em seu campo de atuação, era um dos segredos mais bem guardados de uma agência tão clandestina que nem sequer tinha nome. E quando perceberam que ela poderia ser um problema, passam a persegui-la. A única pessoa em quem ela confiava foi assassinada. Ela sabe demais, e eles a querem morta. Agora ela raramente fica em um mesmo lugar ou usa o mesmo nome por muito tempo. Até que um antigo mentor lhe oferece uma saída — uma oportunidade de deixar de ser o alvo da vez. Será preciso aceitar um último trabalho, e a única informação que ela recebe a esse respeito só torna sua situação ainda mais perigosa. Ela decide enfrentar a ameaça e se prepara para a pior batalha de sua vida, mas uma paixão inesperada parece diminuir ainda mais suas chances de sobreviver. Enquanto vê suas escolhas se evaporarem rapidamente, ela vai usar seus talentos como nunca imaginou. Uma trama repleta de tensão, na qual Meyer cria uma heroína poderosa e fascinante, com habilidades diferentes de todas as outras, e prova mais uma vez por que seus livros estão entre os mais vendidos do mundo.

 

Quando soube que Stephenie Meyer finalmente lançaria um novo título, confesso que fiquei em um misto de apreensão e ansiedade. Não faço parte do grupo que, há quase dez anos suspirava por Edward Cullen e hoje nega veemente que um dia sequer coloquei as mãos em Crepúsculo. Pelo contrário: não tenho vergonha de admitir que foi através deste livro que passei a consumir e ler mais livros do que antes e que a obra me apresentou a uma infinidade de títulos muito legais voltados ao público jovem adulto.

Mas também reconheço que a produção literária de Meyer está muito longe de ser um marco da literatura, digna de prêmio Nobel. E que problema há nisso? Se tem uma coisa em que a autora é boa é em criar obras de entretenimento que realmente envolvem o leitor e o transportam para um local completamente diferente.

Em A Química não temos nenhum elemento sobrenatural, mas nem por isso a narrativa deixa de ser fantástica – para este livro a autora claramente se inspirou em franquias como A identidade Bourne, com tudo o que ela tem direito: perseguições, explosões e mocinhos que, apesar de todos os pesares, conseguem se manter ilesos para o próximo desafio.

Durante a narrativa acompanhamos a história de uma personagem um tanto peculiar – uma ex-cientista de um órgão secreto americano, que trabalha com biologia molecular e armas biológicas. Porém, ela se destaca mesmo como uma espécie de “química torturadora”, que se utiliza de injeções com substâncias que causam dores inimagináveis no foco de seus interrogatórios.

Porém, apesar de seu reconhecido talento, ela se vê no centro de um embate político e precisa fugir para manter sua vida. A partir de então, ela vive se camuflando, trocando de identidade a cada cidade por onde passa – até que seu antigo chefe entra em contato propondo uma missão que terá como resultado o fim da perseguição. Mas será que ela pode confiar realmente nisso?

O livro é bem o que se pode esperar de uma obra de ação: um ritmo frenético, pontuado por reviravoltas e surpresas… E, é claro, uma boa dose de romance (cof, cof, não esqueçamos as origens da autora).

Além disso, vale ressaltar que em A Química Meyer nos apresenta uma mocinha pra lá de badass e cheia de atitude (algo inusitado para uma obra de ação, onde os agentes secretos quase sempre se resumem a homens bombados e cheios de testosterona), mas sem deixar o lado sensível à parte. Aqui é o mocinho que é a parte mais “frágil” da relação e tem total consciência disso – e só se importa na questão de não poder protegê-la da mesma forma.

Por fim, vale pontuar outro fator bem bacana do livro, que é a relação dos personagens com os cachorros do canil de Kevin – estes, por sua vez, formam uma espécie de exército super inteligente sobre patas. Eles deram mais dinâmica à narrativa, além de protagonizarem diversos momentos bem divertidos.

Portanto, se você gosta de um bom “livro pipoca”, com uma dose de suspense e aventura, essa pode ser uma boa pedida. Uma ótima dica para relaxar e curtir!

 

Ficha Técnica:

Livro: A Química (The Chemist)

Autora: Stephenie Meyer

Editora: Intrínseca

Páginas: 496

Nota: 4/5 estrelas

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