Entre Páginas – Born to Run

Por , 13 de fevereiro de 2017 19:37

Bruce Springsteen escreveu um livro para falar sobre a sua vida, que é um presente para os seus fãs.

BRUCE-SPRINGTEENUm dos artistas mais admirados e influentes da história do rock and roll mundial, Bruce Springsteen passou os últimos sete anos escrevendo secretamente a história de sua vida.

O livro, que se tornou um best seller instantâneo e atualmente ocupa a quinta posição entre os mais vendidos da Amazon americana, carrega a mesma honestidade, humor e originalidade que Bruce imprime a suas canções. Nele, o músico descreve sua criação católica, a obsessão pela carreira musical, o início em bares ao apogeu da E. Street Band e, com muita sinceridade, fala pela primeira vez das batalhas pessoas que inspiraram seus melhores trabalhos.

Born to Run será reveladora para qualquer um que goste de Bruce Springsteen, mas vai muito além das memórias de um legendário astro do rock. Este é um livro para trabalhadores e sonhadores, pais e filhos, apaixonados e solitários, artistas, loucos, e qualquer um que já tenha desejado ser batizado nas águas do rio sagrado do rock and roll.

E se torna indispensável por trazer a reflexão sobre o posicionamento do artista e o papel da cultura em um contexto de crise e perda de valores humanos. Raramente uma lenda como Bruce contou sua própria história com tanta força e vigor.

Sua autobiografia foi escrita com o lirismo de um poeta singular e a sabedoria de um homem que refletiu profundamente sobre suas experiências.

Autobiografia é um lance complicado. Você tem que ter uma relação especial (às vezes sem até você saber) com aquela pessoa, para conseguir realmente se interessar.

Eu pelo menos sou muito assim. Tenho várias na minha TBR, mas elas sempre vão dando espaço para outras coisas e vão ficando para trás. É bloqueio que tenho e admito.

Quando Bruce Springsteen anunciou que lançaria uma autobiografia, a coisa foi diferente. Desde o dia 1 eu já sabia que leria esse livro.

Como disse, para me interessar por uma autobiografia, tenho que ter uma relação especial, e do ramo da música, apesar de gostar de muitos,poucos entram nessa relação especial. Mas Bruce faz parte desse grupo seleto.

E exatamente por isso, a leitura de Born to Run foi tão especial.

U.S. singer Bruce Springsteen performs during his Wrecking Ball Tour in Mexico City November 10, 2012. REUTERS/Violeta Schmidt (MEXICO - Tags: ENTERTAINMENT)

Fui criada em uma casa escutando muito sertanejo, o máximo de rock que fui submetida na infância foi Legião Urbana.  Entretanto, a medida que fui crescendo, o indie rock foi conquistando o meu coração, e posteriormente, me levou aos grandes clássicos do rock.

No alto dos meus quinze anos, tinha uma fissura muito grande por Elvis, e foi no especial de 25 anos da morte dele, que vi uma entrevista de um cara chamado Bruce Springsteen. Era a primeira vez que eu ouvia ele falar e meu background era nulo. Ele era mais um falando o quanto Elvis o tinha influenciado.

Quando finalmente ele surgiu de vez na minha vida, eu já era uma mulher e as suas músicas e letras foram aos poucos fazendo sentido e me conquistando. Mas seria necessário a sua vinda para o Brasil, e um show memorável de 3 horas no Espaço das Américas para me fazer o amar de vez.

Durante aquelas poucas horas, eu estava dividindo o espaço com alguém espetacular, e sabia disso.

Desde então, Bruce virou uma instituição dentro dos meus artistas favoritos, e fico torcendo e esperando ele voltar mais uma vez para o Brasil.

As suas músicas tomaram uma proporção  ainda maior na minha vida. Maior do que eu pudesse imaginar, e eu fui absorvendo tudo isso.

Então, sentar e ler Bruce falar sobre toda a sua vida foi fascinante e maravilhoso ao mesmo tempo. Primeiro, porque você tem que entender que é The Boss falando ali, sobre a sua vida!

E é tão difícil dividir o homem do mito.

bruce-springsteen-with-e-street-band-f13-kxVC-U201384908062NKI-1024x701@GP-WebMuito difícil, mas Springsteen consegue mesmo assim. Ele fala de detalhes da infância, seu relacionamento com o pai e como isso lhe marcou profundamente. Conta a história da vida da irmã, que você acha muito parecida, até que ele explica que foi a inspiração para The River.

Passa um bom tempo relatando como foi acontecendo todas as formações das suas bandas, inclusive a E Street Band.

O livro trás muitos detalhes de cada álbum, desde como foi o momento das composições até mesmo com as fotos para as capas. Ele revista alguns momentos importantes, como a morte de Clarence Clemons  e como ele via cada CD de uma forma diferente.

Mas sobra espaço para ele falar sobre muitas outras coisas.

Ele fala da questão racial, e de como ele perdeu amigos que foram mortos. Da sua fuga do Vietnã e como ele teve que enfrentar essa ‘fardo’ posteriormente. Fala até como a sua criação católica foi influente em vários momentos da vida (ele fala como mesmo quando ele não participa muito, como ele ainda se sente parte do time e eu me identifiquei muito).

Infelizmente, também me identifiquei muito quando ele falou sobre viver como ansiedade, e como com o passar dos anos a bagagem vai ficando mais pesada para carregar, e a vida vai cobrando cada vez mais.

É aquele tipo de sentimento que você não sabe descrever, e precisa de alguém mais talentoso para colocar no papel, e ele foi essa pessoa.

Ainda assim, é estranho ler como ele fala da sua admiração por Beatles e Rolling Stones, como se eles fossem divindades acima dele, quando ele próprio está ali do lado. Tão forte quanto.

Ler o relato dele sobre esses momentos de frente para a TV ou ouvindo a rádio, é se sentir caindo dentro do homem Bruce.

E ali sim, tem uma barreira bem grande entre os dois. Assim como quando ele fala sobre a família, e como ele teve que superar muitas limitações da sua vida para conseguir viver exatamente nessa função.

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Deu para perceber que ler esse livro ‘como fã’ foi bem diferente, mas a todo momento da leitura, eu queria simplesmente fazer minha mente apagar toda a minha experiência para escutar as suas músicas pela primeira vez, sabendo de toda essa história por trás.

Sendo que eu não falei nem metade das experiências e sentimentos que tem no livro, porque quero que você tenha boas surpresas, assim como eu tive.

Em suas 496 páginas, você percebe um livro muito honesto e na medida certa, escrito com o talento para palavras que Bruce já provou a muito tempo que tem.

No final do livro, você vai querer ouvir o CD’s muitas vezes pelos próximos dias. E vai fechar  sua edição, sabendo que apesar de você ter acabado de ler a autobiografia, Springsteen ainda é um mito.

Ele explicou tudo o que fez para chegar ali, e o que o influenciou, mas ainda assim é um mistério.

Possivelmente 2000 páginas não seria suficientes.

E sabe o que é mais engraçado? Acho isso ainda melhor!

Bruce Springsteen pode feito Born to Run, e o resto de nós tem que correr atrás, nunca perdendo de vista, mas nunca alcançando.

Ficha Técnica:

Livro: Born to Run

Autor: Bruce Springsteen

Editora:Leya

Páginas: 496 páginas

Nota: 5/5 estrelas

Ah! E se você ainda não conhece o Bruce, tem uma playlist de 5 horas para você!

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