Blá Blá Blá – Sou Feminista

Por , 8 de março de 2017 18:39

feminism

Pensei muito em escrever esse texto, mudei mil vezes o título e ainda tenho a impressão que posso me arrepender de declarar com todas as palavras nessa posição. Mas há alguns momentos, em que é preciso defender o que você acredita. E aqui está.

Dia das Mulheres é muito bonito, tocante e com um significado importante. Só que ao longo do dia você encontra online e pessoalmente alguns comentários que podem não ter um cunho maldoso, mas que deixa bem claro: Para que um dia só para as mulheres?

E você não sabe o que é pior, a pessoa perguntar ou você ter que explicar. Sério mesmo?

E não é que seja uma pessoa má que tenha falado isso, é só o reflexo da sociedade em que vivemos.

A palavra feminista se tornou tão pejorativa no contexto geral, que é você trazer ela a tona que as pessoas acreditam que você é contra os homens, que queima sutiã na rua, e a mais ouvida, que são mulheres mal amadas.

No dicionário a definição de feminista é:

Sistema dos que preconizam a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem.

E quando falamos ela, nos vem a cabeça movimentos específicos, como a luta pelo direto ao voto, para estudar, para trabalhar.

Só que mesmo hoje quando falamos que vivemos em uma sociedade aberta, ainda temos medo de declarar isso abertamente. É mais aceitável um cara bater no peito que é Machista, do que falar que você é feminista.

Conheço mulheres em vários estágios da vida, e uma das mulheres mais fortes que eu já conheci fala que se encontrar as mulheres que queimaram o sutiã, que ela pararia elas. Como uma jovem mulher, ela queria ter a oportunidade de poder só cuidar dos filhos.

Pode parecer esquisito para algumas pessoas, mas respeito isso, porque isso também é feminismo. A mulher ter OPÇÃO para ser/fazer o que quiser.

Uma das minhas quotes favoritas dos livros, é uma de O Sol é para todos:

“Você só conhece a vida de alguém, quando você se coloca dentro dos sapatos dela e anda pelo mundo no seu lugar”.

As mulheres hoje possuem muitos direitos no papel (o que já é um bom começo), mas ainda assim vivemos uma sociedade que nos oprime.

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E aí você pode bater na tecla e dizer que não tem nada haver, que isso não acontece mais. Novamente, deve ser aplicado a quote acima.

Ser mulher é, ainda não ter filhos, e se preocupar com quem, onde e de que forma os seus futuros filhos ficarão.

Saber que se eles tiverem algum comportamento errôneo, a culpa sempre recairá sobre a mãe. Que ela era ausente, que queria trabalhar. E mesmo quando tudo der certo, ainda se sentir ausente.

É sempre se sentir (ou ser apontada) como a culpada em casos de abuso, porque uma ‘mulher’ nunca deveria vestir roupa curta, beber, descer na farmácia a noite, andar de volta para a casa no escuro. Você lê as desculpas e percebe que o problema raiz está em existir.

Quando um caso de abuso acontece, como o estupro coletivo no Rio ano passado, é que vem a tona extensão do problema em que vivemos.

Ser mulher é ver Cinquenta Tons de Cinza e ser julgada por isso. É achar que Cinquenta Tons é pornográfico e ser julgada de puritana.

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Não importa a equação, o resultado sempre é desfavorável para nós.

Isso sem contar que vivemos no Brasil, um país que já evoluiu dentro dessas questões. Imagina em outros países onde as histórias e realidades são outras muito distintas.

Não se trata de odiar os homens, muito pelo contrário. Eles tem um papel muito importante na nossa vida e no nosso crescimento.

Não se trata de não respeitar os homens, maridos e somente fazer o que bem entendermos, mas sim de termos a chance de fugir de um relacionamento abusivo ou que não nos faz feliz.

No mundo de hoje, parece que ou você é A ou B, não há meio termos, quando a realidade é que temos distinções em muitos aspectos que nem todas as letras do alfabeto podem levar em consideração.

Admiro batalhadoras, fortes e que elas tem a liberdade de serem elas mesmas. Vejo como coragem da Kim Kardashian em tirar a roupa e mostrar tudo o que ela quer, assim como Malala por levar uma vida conforme a sua crença e ao mesmo tempo saber que ela tem um lugar no mundo além do que os homens do seu país falam.

São exemplos distintos, mas que mostram como a liberdade para as mulheres deve ser importante. E se hoje eu posso ou não escrever esse texto, é porque muitas já lutaram pelo nosso lugar.

E fico feliz em continuar lutando pelas próximas gerações.

E se não ficou claro, sim sou feminista.

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