Entre Páginas – Pulso

Por , 13 de março de 2017 22:18

Julian Barnes: A diferença que um ano faz.

pulso

Pulso reúne histórias sobre amor e amizade, perda e saudade, ligadas por um ritmo comum: do corpo, do amor, do sexo, da doença e da morte. Do familiar ao extraordinário, de acontecimentos privados a fatos históricos, de encontros a desencontros de amigos ou de amantes, as histórias narradas em Pulso ressoam e possuem brilho próprio.

Lançado originalmente em 2011, Pulso apresenta 14 contos, divididos em duas partes. Na primeira reúnem-se os relatos mais ágeis, escritos praticamente à base de diálogos, sempre cortantes e surpreendentes.

Os contos de Pulso – divertidos, ousados, inventivos, iconoclastas, originais – comprovam que Julian Barnes é hoje um escritor com perfeito domínio de seu ofício, capaz de compor um livro com histórias curtas que, sutilmente ligadas entre si, possui invejável unidade de temas e tratamentos.

Há um pouco menos de 8 meses eu descobri o poder das palavras de Julian Barnes (leia AQUI)  e desde então, ele está na minha lista de prioridades. Tanto que depois do primeiro já resenhei mais dois livros de, O papagaio de Flaubert  e De Frente para o Sol.

E hoje, volto novamente para falar do quarto livro dele que leio nesse meio tempo, e como a cada leitura esse escritor inglês vai me conquistando e me fazendo perceber uma nova faceta do seu trabalho.

Tenho um problema sério lendo contos, e  exatamente por isso, é um gênero que leio muito pouco. Parece que, ou as histórias são muito apressadas, ou precisavam de mais espaço para serem desenvolvidas da maneira como eu queria lê-las.

Que Barnes é um mestre me captar os sentimentos de uma forma incrível , não é surpresa nenhuma para mim. Mas a diferença é que foi nesse livro, com histórias algumas desconexas e outras que fazem parte de uma sequencia, que percebi claramente como Barnes tem o dom de pegar pequenas conversas e momentos do cotidiano e os colocar

“- Na última vez que nos vimos, ou penúltima, alguém perguntou se existia câncer de coração. É claro que existe. E ele se chama amor.”

Meu conto favorito é um bem curtinho, Linha de casamento, onde um viúvo retorna a um local que visitou com a esposa em busca dela lá. Mas é chegando no local que ele percebe os baques que o mundo ainda lhe prepara. Ele não vai encontrar a sua esposa ali.

Outro conto maravilhoso, é o retratista onde acompanhamos a vivencia de um artista com uma deformidade que precisa pintar o quadro de um homem muito rico e não muito digno.

E é assim que históricas ‘desconexas’ que Barnes vai fechando a colcha de retalhos que parece tão aberta no começo, mas que reflete a natureza humana. É inserindo pequenos episódios de tristeza, coração partido, amor, cumplicidade e conversas banais jogadas foras em uma mesa de jantar que ele consegue passar uma ideia muito clara sobre a humanidade.

O livro termina com o conto que lhe dá o seu nome, de uma família que começa a ser despedaçada pela perda da mãe.

A última frase do livro de 237 páginas é ‘É o que eu imagino.‘ e parecer ser uma analogia não só ao conto que estamos lendo, mas o livro em si.

Ao que o leitor vai sentir ao terminar se ler todas aquelas palavras.

Quando falamos de literatura, uma boa dose é isso, o que imaginamos, e o o restante são as palavras formadas pelos autores, com a nossa análise baseada na vida em que vivemos.

Ler Barnes está me transformando, mas é o que eu imagino.

Ficha Técnica:

Livro: Pulso

Autor: Julian Barnes

Editora: Rocco

Páginas: 237 páginas

Nota:4/5 estrelas

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