Entre Páginas – A Redoma de Vidro

Por , 20 de março de 2017 19:18

Há livros que necessitam que a leitura aconteça no momento certo. E foi isso que aconteceu comigo e A Redoma de Vidro de Sylvia Plath.

A Redoma de Vidro Resenha

Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.

A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica.

Muitas questões de Esther retratam as preocupações de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mas “A redoma de vidro” segue atual.

Parece que faz (e realmente faz) mais de uma década que vi Kath sentada em uma cadeira no começo de 10 Coisas Que Odeio em Você, lendo esse livro.

Na época, obviamente, eu era muito nova para entender ou linkar uma coisa a outra, mas ficou gravado na minha memoria esse primeiro contato, mesmo que superficial com o livro. Anos se passaram e nos últimos anos me peguei muitas vezes me perguntando porque ainda não havia lido esse livro, e me exigindo para fazer.

Mas de uma vez ano passado, falei para a Sabrina aqui do blog para lermos naquele momento, mas algo sempre acontecia ou tínhamos outras prioridades.

No último carnaval, eu pulei o nosso esquema e abracei esse obra tão conceituada. Demorou mais de uma década, mas eu realmente parei para ler no momento certo.

Foi tão o momento certo, que se eu tivesse lido em setembro do ano passado não teria o mesmo peso e compreensão que foi agora.

Cada um de nós passa por momentos na vida, e eu estou em uma fase de compreensão sobre o meu papel no mundo, e o que o vim fazer aqui, que muitas vezes pode nos sufocar. Sufocar tanto, que podemos nos perder.

E é assim que a vida de Esther ganhou um significado a mais para mim. Não estava lendo com o sentimento de ‘Nossa, mas essa menina nem sabe o que quer da vida’, mas sim com um entendimento novo e ao mesmo tempo simpático de ‘Eu te entendo’.

A narrativa de Plath em seu único romance já escrito é gostosa e flui. Você mal percebe que está avançando 50, 60 páginas, principalmente depois que os acontecimentos inicias são dispostos.

Dá impressão depois que você leu quase 2 livros, já que primeiro somos apresentados ao mundo de possibilidades que a jovem Esther terá, mas é no momento que as poucas coisas que ela tem como certo, vão caindo pelos lados, que ela percebe como a sua vida está sem sentido.

De uma forma real e com detalhes, vamos sendo apresentadas as formas de terapia e tratamentos que existiam a época, e percebemos como muitas pessoas não foram realmente ajudadas e sim somente torturadas.

Não é um livro tão forte como pode parecer, mas é necessário ler com cuidado, entendendo exatamente o que está sendo passado ali. Só assim, a sua beleza real aparecerá.

Ficha Técnica:

Livro: A Redoma de Vidro

Autora: Sylvia Plath

Editora: Biblioteca Azul

Páginas: 208 páginas

Nota: 4/5 estrelas

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