Entre páginas + Fala série! – Outlander: A viajante do tempo

Por , 5 de abril de 2017 9:00

Dois formatos = um amor: Outlander.

Os livros de Diana Gabaldon começaram a ser publicados há mais de 25 anos, mas ganharam notoriedade após serem adaptados para a televisão pelo canal americano Starz, em 2014.

Por aqui, a saga literária começou a ser publicada pela editora Rocco, em 2004. Porém, 10 anos depois os direitos de publicação foram assumidos pela antiga Saída de Emergência e, atualmente, pertencem à Editora Arqueiro.

Na minha estante, o primeiro volume me esperava há quase três anos. Ele ficou me namorando da prateleira, mas confesso que fui afastada um pouco pelo “hype” e demorei a dar o braço a torcer… Mas finalmente resolvi arriscar e fiquei completamente apaixonada!

 

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Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.

Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?

 

Ao contrário de muito dos leitores, resolvi me jogar na leitura de A viajante do tempo completamente no escuro: optei por não procurar nenhuma informação além da sinopse e não assisti nenhum trecho da série antes de terminar o livro. O resultado foi uma aventura revigorante!

Tendo dito isso, vale ressaltar que eu já havia ouvido muita gente suspirar por um tal guerreiro escocês chamado Jamie Fraser e torcendo profundamente pelo seu relacionamento com Claire, uma mulher que avançou 200 anos no tempo após encostar em uma pedra de um círculo antigo.

Outlander2Porém, confesso que a minha impressão desse relacionamento durante a parte inicial da leitura não foi das melhores. Custei a me envolver com os protagonistas e demorei para entender a cultura, os modos e a mentalidade de Jamie e seus “conterrâneos”. Mas foi só engatar na história que logo me apeguei ao rico universo criado por Gabaldon.

E que universo! Viajem no tempo, elementos fantásticos, resquícios da cultura celta, jogos políticos e uma linda história de amor. Tudo isso costurado com uma narrativa viciante e rica e cheia de detalhes.

Falando nesses detalhes, li e ouvi muita gente comentando que a escrita da autora era muito descritiva e enfadonha em alguns pontos. Contudo, em nenhum momento durante a leitura a achei arrastada. Pelo contrário: encontrei uma narrativa ágil e cativante, que me deixou ávida por conhecer as surpresas que os próximos capítulos guardavam.

Outro fator fascinante da obra é o seu contexto histórico. A narrativa transita entre dois momentos: o pós-Segunda Guerra, em 1945, e as vésperas da revolução jacobita, que almejava restituir o trono da Inglaterra e da Escócia à família Stuart, após esta ser deposta durante a chamada Revolução Gloriosa ocorrida entre os anos de 1688 e 1689. Apesar de o foco principal do livro estar em Claire, Jaime e o relacionamento dos dois, esse contexto vem à tona em diversos momentos e tem impactos diretos no desenvolvimento do enredo.

Outlander3Alguns desses momentos são protagonizados por um dos maiores vilões da literatura: Black Jack Randall. Ele dá um banho de maldade em muito “figurão” por aí e é responsável por algumas das cenas mais aflitivas que eu já li.

E olha… cena aflitiva é o que não falta aqui! Pensem: século XVIII. Nenhuma tecnologia. Nenhum refinamento. Tudo se decidia na ponta da espada ou no punho. E olha povinho pra ser tirado do sério como os escoceses…!

Claire que o diga! A personagem me surpreendeu bastante com sua personalidade forte e determinada. Apesar de algumas de suas atitudes me irritarem e tirarem Jamie do sério, ela não possui meias palavras e possui uma grande capacidade de ler os seus interlocutores e dobrá-los à sua vontade. Já o mocinho nos conquista com seu jeito brincalhão e marcado até por uma certa inocência (mesmo com todo o seu histórico de sofrimento e violência).

Por fim, devo dizer que esta acabou se tornando uma leitura deliciosamente viciante, que me deixou morrendo de vontade de correr imediatamente para os próximos volumes, sem demora (e, graças aos incentivos da Fanny, acredito que é isso mesmo que irei fazer!).

Mas, antes do segundo volume, tem a série…

 

Outlander – A série

 

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Imaginem a cena: o livro acabou em um dia e, no dia seguinte, lá estava eu fazendo uma verdadeira maratona de horas e horas para devorar a série!

Minha companheira de viagem foi minha avó, que estava passando o final de semana em casa e ficou tão grudada quanto eu na televisão – a ponto de exclamar, no final de cada capítulo, “acabou assim?! Tem continuação? Ah bom!”.

Minha primeira impressão foi a de que a adaptação foi incrivelmente bem feita – a ponto de algumas cenas e diálogos serem reproduzidos quase que literalmente. Isso é algo que, para um leitor apaixonado, conta muitos pontos!

Outlander5Porém, a maior diferença que notei entre as duas é que, enquanto no livro o foco no casal é muito forte, na série ele divide espaço com as tramas políticas, que ganham aqui contornos mais profundos e detalhados. Podemos entender melhor todas as ramificações da causa jacobita, além de entender suas possíveis consequências.

Já quanto aos personagens, eles ganharam ainda mais profundidade nas peles de seus intérpretes. Caitriona Balfe dá ainda mais fibra e sagacidade à Claire; Sam Heughan é um Jamie encantador; Tobias Menzies nos leva das lágrimas ao ódio ao interpretar Frank Randall, o marido de Claire e o asqueroso Black Jack; Graham McTavish é um Dougal MacKenzie ainda mais impressionante do que eu havia imaginado; e Gary Lewis empresta novos contornos a Colum MacKenzie.

OUT_104-20140205-JH_8934.jpgA ambientação também não fica atrás! Os campos verdejantes, as belas cachoeiras e penhascos nos deixam fervilhando de vontade de conhecer a Escócia e a caracterização do período histórico não deve nada para as produções mais fieis.

O difícil agora é resistir e não assistir a segunda temporada antes de ler A libélula no âmbar!

 

Ficha Técnica:

Livro: A viajante do tempo (Outlander)

Autora: Diana Gabaldon

Editora: Saída de Emergência

Páginas: 800 páginas

Classificação: 4/5 estrelas

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