Entre páginas – Rua do Odéon

Por , 4 de agosto de 2017 9:00

Tem algumas pessoas que não acreditam em inferno astral. Mas é bem da verdade é que o mês que antecede o meu aniversário sempre tende a ser um pouquinho mais conturbado que o normal… E esse ano não foi diferente!

Faltava exatamente 10 dias para eu ficar um aninho mais velha quando eu torci feio o meu pé. Isso resultou em um pouco mais de uma semana “de molho” em casa com o pé imobilizado… e em muitas leituras no “intervalo do gelo”.

Dentre elas estava Rua do Odéon, um livro de memórias de Adrienne Monnier, uma livreira de Paris que vivem em meio à efervescência cultural da cidade-luz entre os anos de 1915 e 1951. E que delícia de leitura!

 

Rua do OdeonDe 1915 a 1951, La Maison des Amis des Livres, a livraria de Adrienne Monnier na rua do Odéon, em Paris, foi um importante ponto de encontro para muitos intelectuais da época, como Paul Valéry, André Gide, Jean Cocteau, André Breton, Walter Benjamin e James Joyce. O local funcionava também como editora, e uma de suas publicações em especial teve grande repercussão: a primeira edição em francês do romance Ulisses, de Joyce, em 1929. Os textos que compõem este livro constituem uma espécie de relato fragmentado da trajetória dessa livraria, de suas várias atividades e de alguns de seus frequentadores. Autorretrato de uma mulher apaixonada, culta e que soube reunir em torno de si um fascinante grupo de intelectuais, Rua do Odéon é, acima de tudo, uma homenagem à literatura.

 

“O espírito dos livros é um sorriso universal.”

De certa forma, posso afirmar que esse pequeno e singelo livro é um verdadeiro ode à literatura.

Através de textos, cartas e ensaios, vamos conhecendo os pensamentos, opiniões e sentimentos de Adrianne Monnier sobre o seu trabalho de livreira, sua amizade com os autores da época – dentre eles, ninguém menos do que James Joyce, Walter Benjamin e Jean Cocteau.

Localizada na Rua do Odéon,  La Maison des Amis des Livres era, juntamente com a Shakespeare and Company (fundada por Sylvia Beach em 1919), um verdadeiro pólo cultural de sua época em Paris. Em sua loja, Monnier realizava palestras, sessões de leitura e debate entre leitores, escritores e pensadores, além de apoiar e contribuir com diversas publicações.

“Eu era muito jovem e muito apaixonada pela literatura para me sentir solidária de um outro mundo que não o dos livros, onde eu era feliz, na medida em que não me incomodassem.”

Sendo uma leitora quase tão apaixonada pelos livros como Monnier, me vi fascinada por suas palavras – sejam aquelas que explicitamente faziam relação com a paixão pelas letras, ou aquelas em que ela apenas comentava eventos corriqueiros de sua livraria.

Sua escrita tem um quê de hipnótico e não consegui me desgrudar de suas páginas até o final. Tanto que minha ideia inicial de ler um texto por dia foi por água abaixo e devorei o livro completamente de um dia para o outro.

O sentimento que a leitura me deu foi de pura identificação com a autora e um carinho enorme pela pequena loja da Rua do Odéon. Uma narrativa que recomendo para todo amante da literatura, sem sombra de dúvidas!

“Adrienne, antes de encerrar as atividades, sozinha com seus livros, como se sorrisse para os anjos, sorria para eles. Os livros, como bons diabos, devolviam-lhe o sorriso. Ela guardava esse sorriso e ia embora. E esse sorriso iluminava toda a rua, a rua do Odéon, a rua de Adrienne Monnier.”

 

Ficha Técnica:

Livro: Rua do Odéon (Rue de l’Odéon)

Autora: Adrienne Monnier

Editora: Autêntica

Páginas: 240 páginas

Classificação: 4/5 estrelas

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