Blá Blá Blá – Não estamos atingindo as nossas metas literárias (e está tudo bem)

Por , 12 de novembro de 2017 9:04

Regret

 

Todo ano é a mesma ladainha: logo na primeira semana, tiramos um tempo para listar os livros que queremos e pretendemos ler. E, no começo, é tudo mil maravilhas… férias e muito tempo livre para ler. Parece que nada poderá nos impedir de cumprir as (altas) metas literárias para o ano.

Porém, o ano avança e, com ele, vêm os compromissos, o trabalho, séries do Netflix, joguinhos para celular, outras metas… e todo aquilo entusiasmo fica para trás.

O pique pode ter ido para o fundo do poço, mas também optamos por nunca mudar as metas (sabe aquele velho e famoso ‘quando atingirmos a meta, dobramos a meta?’). Então… não atingimos a meta, nem a reduzimos pela metade.

Parece uma derrota para quem estava acostumado a ler mais de 100 livros no ano, mas por que não estamos tristes com isso?

 

ToomanyJá faz alguns anos que o nosso gosto literário está passando por grandes mudanças (naturais). Depois de tanto tempo imersas no mundo dos livros, é praticamente uma necessidade nos aventurarmos por outros gêneros e vencermos medos antigos. E, com isso, acabamos descobrindo um mundo gigantesco, com muitas novas histórias.

Só que esse mundo nem sempre é tão fácil de desbravar, afinal, nele você vai encontrar autores com uma bibliografia bem extensa (Tio King mandou lembranças!), obras com mais de mil páginas (Tolstoi não conhecia um editor) e recursos estilísticos que demandam mais tempo para serem apreciados (tá vendo como aprendemos a falar bonito?).

Esse movimento acabou fazendo com que passássemos mais tempo com um único livro, o que é uma grande mudança se considerarmos que antigamente líamos até três obras por semana.

Nessa etapa, ampliamos muito o nosso leque de autores, conhecemos muitas histórias impressionantes (e viciantes), que nos mantinham acordadas até as 3 da manhã. Sabíamos os enredos de todos os grandes lançamentos do mês expostos nas livrarias e acompanhávamos avidamente o próximo lançamento de uma série.

Pouco disso mudou mas, depois de um tempo, começamos a sentir a necessidade de sermos desafiadas e ampliarmos a nossa visão do mundo literário. Quem não parou para ler O Morros dos Ventos Uivantes porque era o livro favorito da Bella, de Crepúsculo? Ou, que como nós, só conheceu Thomas Hardy por conta de Cinquenta Tons de CinzaEram leituras que precisávamos experimentar, mas que exigiram um empurrãozinho…

bookÀ primeira vista, essas obras parecem ser tranquilas, pois não são tão extensas. Mas é só iniciar a sua leitura, para entender que elas demandam mais atenção e dedicação.

Outras, como Os Luminares (literatura contemporânea), são do tamanhão de um caminhão, mas são tão complexas que precisam de cada uma das suas folhas para que a história seja contada da forma correta.

Em ambos os casos, as leituras demandam mais tempo, mas é uma conta mais complexa do que apenas comparar 3 livros de 300 páginas com um de 1000. São esforços diferentes e, por isso, a pegada da leitura é outra.

Além disso, percebemos que quanto mais tempo passamos com um destes livros, mais conseguimos reter e lembrar depois. Parece que passamos tanto tempo mergulhados naquele universo e acompanhados por aqueles personagens, que é como se nos integrássemos àquela obra.

Outro fator que também não podemos desconsiderar é a mudanças das nossas rotinas e hábitos de uns anos para cá. Se maratonar uma série no passado era somente para quando comprávamos (ou alugávamos, para os antigos) uma temporada, hoje é só clicar um botão na TV e temos acesso a diversas opções. Em todos os dias e a toda hora.

cellCelular na mão também é veneno. São joguinhos, Instagram, stories e etc, que fazem com que o tempo para leitura vá reduzindo. Acrescente hábitos saudáveis, como três visitas à academia, e pronto: o dia vai embora e as leituras ficaram pelo caminho.

Sendo assim, até agora a Sabrina, por exemplo, leu 50 livros no ano e bateu a meta de quantidade do Goodreads, mas em compensação falhou em todos os desafios a que se propôs.

Já a Fanny está chegando em 50% da sua meta e, com sorte, vai terminar o ano com 40 livros livros (com, tipo, muita sorte!). Sobre os desafios, é melhor nem entrar nessa questão.

Ainda assim, está tudo bem. Sério.

As leituras mudaram, mas também mudou a nossa relação com elas. Evoluímos e chegamos em um estágio que saiu da dependência para a co-dependência, vivemos junto com os livros não por eles.

Faremos metas inatingíveis para o ano que vem? Com certeza, mas agora aprendemos a não sofrer se não as atingirmos.

 

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