Category: Sonhos Literários

#CafenaFlip – A 12º Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)

Por , 3 de agosto de 2014 18:42

A Flip 2014 acaba hoje, mas realizando um antigo sonho a Thaís da Mata e Fanny Ladeira da nossa equipe foram passar o dia em Paraty ontem e contam tudo que aconteceu e as suas impressões do evento.
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Nesse momento, nossa equipe e o blog já trouxe a experiência pessoal de cada um nas bienais do Rio de Janeiro e São Paulo e na feira do livro em Porto Alegre. Mas estava faltando uma importante festa literária para essa leva, e tratamos de redimir isso, participando do sábado dia 02 de agosto da Festa Literária Internacional de Paraty que esse ano está na sua 12 edição.

Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira Festa Literária Internacional de Paraty, realizada em 2003, inseriu o Brasil no circuito dos festivais internacionais de literatura. Ao longo de suas edições seguintes, a Flip ficou conhecida como um dos principais festivais literários do mundo, caracterizada não só pela qualidade dos autores convidados, mas também pelo entusiasmo do público e pela hospitalidade da cidade. Nos cinco dias de festa, a Flip realiza cerca de 200 eventos, que incluem debates, shows, exposições, oficinas, exibições de filmes e apresentações de escolas, entre outros, distribuídos em Flip.

Não podemos negar que adoramos uma aventura. Depois de enfrentar um bate e volta inesquecível no mau sentido da Bienal do Rio de Janeiro, embarcamos ( Thaís e Fanny)   para Paraty com o mesmo preparo e o mesmo sistema de bate e volta.
Tentamos achar pousada mas acabamos desistindo por causa preço.

Tentamos comprar ingresso mas não conseguimos para as mesas de autores pela internet e já estavam todos esgotados desde o dia da abertura dos ingressos.

Mas não podíamos exigir tanto, já que decidimos ir para lá de última hora, mais especificamente na quinta dia 31/07, na hora do almoço.

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Sonhos Literários – A Casa de Jane Austen

Por , 5 de maio de 2011 9:20

Trilha sonora para a leitura:

“… but fot my own part, if a book is well written I always find it too short.”- Jane Austen


Olá, viajantes! Como este é o meu último post na coluna Sonhos Literários, decidi embarcar verdadeiramente no tema Jane Austen e escrever de um jeito diferente! Espero que gostem! Preparem os bordados e apertem o play da trilha sonora… A viagem vai começar!

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Sonhos Literários – Hogwarts

Por , 31 de março de 2011 20:19

Accio trilha sonora!

Sempre esqueço…

King's Cross St. Pancreas - Só falta o Ford Anglia do Sr. Weasley!

Senhores e senhoritas, bruxos, abortos, trouxas ou elfos. A viagem de hoje é para Hogwarts! Espero que todos já tenham guardadas as vestes compradas na Madame Malkins. Não se esqueçam de que todo primeiro-anista pode levar, se quiser, uma coruja, um gato ou um sapo. Preparem-se para muitas citações, no meio do texto. Empunhem as varinhas e guardem a bagagem. O Expresso de Hogwarts já está pronto para sair!

-Eu juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom.

“Plataforma 9 ¾. Esse número não existe… existe?”

Bem, na verdade ele não fica exatamente entre as plataformas 9 e 10. Confesso que tive que andar um bocado na estação de King’s Cross St. Pancreas para encontrar a tal parede de tijolinhos.

Mas, SIM, esse número existe e tem um carrinho atravessando a parede, chamando a atenção de qualquer pottermaníaco que passa por ali! O que você faria se encontrasse a Plataforma 9 ¾? Bom, como infelizmente não dá pra atravessar na realidade, a gente sonha e tira uma foto no ar!

Voando de King’s Cross para Victoria Station, comprei um bilhete para o segundo destino: Universidade de Oxford! Já acomodada na cabine e com muitos sapos de chocolate (“Eu tirei o Dumbledore!”), feijõezinhos de todos os sabores (“Jorge jura que até de meleca ele já comeu”) e bolo de caldeirão, coloquei os fones de ouvido e me preparei para mais uma viagem no meu inconsciente, trazido à tona.

O trajeto demora mais ou menos uma hora e meia, dependendo do tipo de trem que você pega e de quantas paradas ele faz. Como os galeões eram escassos, acabei pegando um que parava 3 vezes antes de chegar em Oxford.

A estação é pequena, igual à cidade. Basicamente de universitários, com prédios e campus espalhados em todas as regiões. Desde os mais modernos, como o de engenharia e tecnologia, quanto os mais tradicionais, como Christ Church, meu destino final.

As fachadas das construções mais antigas são deslumbrantes. Quase totalmente esculpidas. É impossível perceber todos os detalhes nos primeiros 10 minutos, mas alguns padrões podem ser notados: anjos, demônios, vinhas, brasões e símbolos do século XIII.

Christ Church está quase perdido, lá no final da rua, disfarçado por um parque e um portão de ferro que escondem toda força daquele lugar. É um complexo de prédios de ensino que compreende basicamente muitas salas de aula, uma biblioteca monstro, um pátio gigante e uma igreja.

Logo na entrada, corredores labirínticos, como os das masmorras. Muitas portas pesadas de madeira, e eu podia jurar que a qualquer momento o professor Snape sairia de alguma delas, dizendo: atrasada para a aula, novamente, Srta. Gonzalez. Menos vinte pontos para a Grifinória.

O mais sensacional em andar em lugares como o Christ College é que, sim, há igrejas, claustros e passagens estreitas que você tem certeza de que já abrigaram muitos monges safadinhos ou alunos fugitivos, no passado.

Aliás, a Igreja da propriedade é fantástica. Com seus vitrais coloridos, órgãos gigantes, daqueles com dezenas de tubos, e fileiras de mesinhas, com luzes e livros para as celebrações. Dado do mal: John Locke (aquele moço do liberalismo) está enterrado lá.

Infelizmente a biblioteca não estava aberta para a visitação. Uma pena, porque eu realmente precisava de um livro da Seção Restrita, sobre pragas e bruxos das trevas do século V.

Quando cansei de andar, como mágica, acabei na entrada de uma ala. A ala das escadas (“elas gostam de mudar”), que conduziria ao tão procurado e esperado Grande Salão (“Que se inicie… O banquete”).

Peço licença para colocar o texto em legendas, agora. Fotos grandes são necessárias.


 

Espaçosas, rodeadas de janelas e guardadas por luzes em forma de poste, lá estavam elas. E, novamente, a sensação de dejavu: Neville Longbottom, o sapo perdido, a apresentação de Draco e Harry e a face séria de Minerva McGonnagall, reprimindo a bagunça antes da seleção oficial para as casas.

Com um agito de varinha (“é só girar e sacudir”), as portas se abriram e meu queixo caiu. TUDO estava lá. As mesas enormes, a ala dos professores, o teto (que "foi enfeitiçado para parecer o céu, à noite”), o cheiro de comida gostosa e os quadros, que a qualquer momento acenariam ou ririam da minha cara de primeira-anista.

E se eu fechasse os olhos, as mesas se encheriam com diferentes pratos para o almoço. E eu poderia ouvir as risadas de deboche de Pansy Parkinson e as risadinhas das meninas da Corvinal para o novo artilheiro de quadribol da Grifinória. E sentir o cheiro de fuligem, imaginando por acaso a cabeça de Sirius surgindo, na lareira. E os olhos ternos do nosso eterno Dumbledore, fitando-me sob os oclinhos de meia-lua. E o som do correio-coruja, entregando a minha edição especial d’O Profeta Diário, com notícias de última hora sobre o Ministério da Magia.

Despertada por um senhor guia muito entusiasmado, ouvi que um dos quadros do lado direito era o retrato de Lewis Carroll, pai de outra das minhas paixões literárias: Alice. Aquela do frasco e do biscoito, do coelho branco, do gato, da Rainha de Copas, da Lebre, do Chapeleiro e do chá.

Ele estudou aqui! E escreveu seus livros, criando figuras parecidas com as que ele via em Oxford!

Estreitei os olhos e estiquei o pescoço para ouvir o resto da história. Imagine encontrar uma escultura com cara de Humpty-Dumpty! Ou ter aulas com um professor Mad-Hatter! Duvido que alguém acertaria a pergunta sobre o corvo e a escrivaninha.

Inclusive, a verdadeira Alice, a criança que o inspirou, comprava caramelos e doces numa loja perto daqui!

Foto: Divulgação - site de Alice's Shop

Aí ele pediu pra que eu saísse correndo. Não precisei nem ir muito longe. A Alice’s Shop ficava quase em frente a Christ Church e fechou meu dia com chave de ouro!

O que vendia? Doces, miniaturas dos personagens de todos os tipos, cartões, jogos, livros de muitas impressões diferentes, versões ilustradas, cartoons, joias, pins e claro chás, biscoitos, chaleiras e jogos de porcelana com desenhos do livro.

O que eu comprei? Bem, considerando que eu estava na Inglaterra, numa loja sensacional e fazia frio, eu escolhi um conjunto de pires e xícara, decorados com a cartola do Chapeleiro.

O último adeus a Oxford tinha cheiro de cookies e gosto de chá com leite.

Um suspiro.

-Mal-feito feito!

E a viagem de volta, já querendo me fazer ficar para sempre.

E agora, meninas, garantam suas almofadas no sofá, arrumem fitas bonitas, coloquem os cachinhos no lugar e preparem o bordado, porque o próximo destino é Alton, a casa da musa diva deusa rainha dos romances, Jane Austen… E eu já ouço o cavalo de Mr. Darcy chegando, na estrada…

Um saludo e até a próxima parada!

Domitila Gonzalez é colunista do Itu.com.br
Antiga brasileira, atual cidadã do mundo. Estudante de Jornalismo. Devora livros nas horas vagas. Passa horas ouvindo música. Fotografa com os olhos. Respira arte. Muitos colegas – poucos amigos. E adora contar histórias.

 

Sonhos Literários – Avalon

Por , 24 de março de 2011 16:22

Atualizado, com trilha sonora para o post!

Loreena McKennitt – The Mists of Avalon

 


 

A verdade é que era a minha segunda vez na Inglaterra. E eu estava decidida a conhecer Glastonbury, nem que eu tivesse que rodar Somerset inteira atrás das ruínas da abadia.

Um agradecimento especial ao casal mais querido de Londres: Vanessa e Andrew! Obrigada por participarem de um dos momentos mais incríveis da minha vida! – E por dirigirem o carro, também.

Senhores passageiros, acomodem-se e apertem os cintos. A viagem é longa, mas eu garanto fotos e relatos detalhados!

Prontos?

 

 

Embalada pelas palavras de Marion Zimmer Bradley e pelas imagens tantas vezes revisitadas em sonhos, conscientes ou não, escolhi meus destinos: Abadia de Glastonbury e Tor.

A cidade é pequena. Quase um povoado, uma aldeia. Ou pelo menos era a parte pela qual passeamos. As casas antigas, grandes  propriedades com portões de madeira, algumas com estábulos e cavalos nos fundos, uma manhã fria e ensolarada, o cheiro do inverno no ar e muitas placas indicando o caminho para Glaston.

Na subida para a rua principal, muitas lojas esotéricas, muitos restaurantes naturebas, e um cheiro constante de incenso, que mesmo com o vento forte tomava conta dos narizes e não fazia questão de ir embora.

Senti o ar sumir dos pulmões e os pelos eriçarem quando, depois da curva, avistei a torre de uma das igrejas da cidade. Eu não conhecia o caminho, mas sabia que estávamos perto. O sino soou: 11h da manhã. Estacionamos o carro e, à direita, uma placa: Abbey.

Aí eu já não sabia o que fazer primeiro. Voltar a respirar foi a melhor das opções, então depois que consegui retomar o fôlego, entramos por um caminho de pedra que terminaria numa grande e pesada porta de madeira e vidro. Abrindo a porta, um museu e a bilheteria.

Não lembro o preço, mas deve ter sido algo em torno de 6 libras – estudantes têm desconto.

Museus normalmente me agradam, e muito. Mas eu estava tão ansiosa pra entrar e ver as ruínas que acabei deixando de lado alguns fósseis e pergaminhos.

Como descrever uma Abadia? Uma grande propriedade, com várias construções. Nessa de Glastonbury, as ruínas distribuídas em  14 hectares (140 mil m²) de área incluem capelas, casa do “abbot” (não sei a tradução pra isso, mas era o “dono” do lugar), cozinha, claustro, refeitório, cozinha dos monges e por aí vai.

Eu me senti numa lenda. Mais do que uma lenda, senti que todas aquelas imagens que eu tinha das histórias de Marion Zimmer Bradley estavam ali, na minha frente. É uma pena ver o estado das ruínas, mas é um alívio saber que pelo menos uma parte delas ainda está lá.

Vi a grande capela, imaginei as cores das paredes, a altura do teto (que seria quase do tamanho da catedral de San Pietro, em Roma), vi azulejos do século XII escondidos debaixo de um minialçapão, conservados até onde as intempéries permitem.

Passeei pela Abadia, senti o cheiro das flores e imaginei monges andando ali e ensinando meninos, 9 séculos atrás. Por um momento, ouvi os sinos dos cristãos, espantando o povo de Avalon.

De repente, o susto: uma placa indicando um local.

“Local do antigo cemitério no qual em 1191 os monges cavaram para encontrar o túmulo de Arthur e Guinevere”.

CLARO que eu surtei e fui logo procurando o resto da história. Eu sabia que os corpos não estavam aí.

Do outro lado, dentro de uma das ruínas, outra placa:

“Dizem que no ano de 1191 os corpos de Rei Arthur e sua rainha foram encontrados no lado sul da Lady Chapel. Em 19 de abril de 1278, seus restos mortais foram removidos na presença do rei Eduardo I e da Rainha Eleanor, para uma tumba de marfim negro, neste lugar. A tumba sobreviveu até a dissolução da Abadia, em 1539”.

– Marfim negro é muito chique, né??

A verdade é que a história do Rei Arthur tem muitas versões. Até pouco tempo, eu achava que era lenda. Então, li As Brumas e fui atrás de referências e da história de Glastonbury. E um ano depois de ler a saga, visitei as ruínas da abadia, passei por lá, senti o vento e o magnetismo daquele lugar. E não me importo se os corpos estão perdidos há 6 séculos.

Eu acredito.

E acredito porque preciso acreditar em um rei justo e honesto, que apesar de todos os pecados que cometeu (Idade Média, gentem… santinho ele não era…), conseguiu governar por uma vida, colocando seus 12 cavaleiros (alusão aos 12 apóstolos?) numa posição igualitária, sentados à Távola Redonda.

Foto: Divulgação - site de Glastonbury

Outra surpresa agradabilíssima foi encontrar Matilda, a peregrina, passeando pelos campos entre as ruínas.  É um mimo que o pessoal de lá oferece: personagens da época vagando pela propriedade e contando a história de cada pedacinho de pedra.

Com Matilda, aprendemos não só sobre a Abadia, mas sobre os costumes da época. Na cozinha, grãos, frutos secos, raízes, pães e vinho. No corpo, se você não for da família real, somente cores neutras e tecidos leves. É uma moça de respeito? Então cubra seus cabelos. Na bolsa: uma faca, um cantil, uma cuia e uma autorização de viagem dada pelo bispo responsável pelo seu povoado. Quem não tem autorização de viagem e é flagrado só tem um destino – forca.

E quando eu achava que não havia mais nada para ver, descobrimos o caminho para o Tor.

Ele estava lá. No topo da colina. Já era final de tarde, então o vento estava mais frio, o sol estava indo embora e a névoa recomeçava a aparecer. Subimos, claro. E de lá dá pra ver toda Avalon Glastonbury, com suas grandes propriedades. Só senti falta de uma coisa: sentir o cheiro das macieiras de Avalon… Era inverno, então, macieiras FAIL pra mim.

Foi um dia mágico. E se você acredita, eu não sei. Mas, como diz Morgana:

…O que não é óbvio é secreto…

Un saludo e até a próxima parada: Oxford!

Domitila Gonzalez é colunista do Itu.com.br

Antiga brasileira, atual cidadã do mundo. Estudante de Jornalismo. Devora livros nas horas vagas. Passa horas ouvindo música. Fotografa com os olhos. Respira arte. Muitos colegas – poucos amigos.E adora contar histórias.

Sonhos Literários – Apresentação

Por , 16 de março de 2011 16:07

Antes de mais nada, imagine Hogwarts. Corredores, escadas e o grande salão, repleto de cadeiras e quadros.

Agora, salte para Avalon. O Tor, os campos e morros, a névoa e a Abadia de Glastonbury, soando o sino e chamando os cristãos para rezar.

Avance uns anos e alguns quilômetros e então veja Mr. Darcy (aiai) abrindo a porta da casa, interrompendo bordados e a canção acompanhada pelo piano, cantada pela sua irmã.

Para uma leitora que acreditava que viver tudo isto seria impossível e passava horas delirando no meio de páginas e mais páginas de seus livros preferidos, lidas inúmeras vezes, posso dizer que meus sonhos viraram realidade.

É possível! E tudo está a poucas horas de Londres, ainda na terra da Rainha, que abriga Avalon, Glastonbury, Oxford, J.K. Rowling, Elizabeth, Mr. Darcy e Jane Austen.

Como convite do Café Com Blá Blá Blá, contarei em 3 posts como foram as minhas andanças por 3 (e 3/4) dos lugares mais incríveis da minha vida:

  • Universidade de Oxford + Locações da Warner para Harry Potter e Alice’s Shop – Loja em que a verdadeira Alice, de Lewis Carroll comprava doces
    + Bônus: Estação de King’s Cross e Plataforma 9 3/4
  • (E finalmente) A casa em que Jane Austen (JANE AUSTEN!!) passou seus últimos anos de vida, revisou dois de seus romances e escreveu os outros.

Ainda dá tempo de pegar o trem… Vamos?

Domitila Gonzalez é colunista do Itu.com.br

Antiga brasileira, atual cidadã do mundo. Estudante de Jornalismo. Devora livros nas horas vagas. Passa horas ouvindo música. Fotografa com os olhos. Respira arte. Muitos colegas – poucos amigos.E adora contar histórias.