Posts com a tag:Ítalo Calvino

Entre páginas – O visconde partido ao meio

Por , 4 de janeiro de 2018 9:15

Já havia tempos que estava ensaiando retomar as minhas leituras da obra de Italo Calvino. Depois que conheci sua narrativa poética e sagaz em O cavaleiro inexistente, sabia que deveria seguir viagem com O visconde partido ao meio, mas simplesmente não conseguia inserir esse livro na pilha enorme que se acumulava na minha cabeceira.

Bom. Ano novo, vida nova, proposições novas e assim resolvi iniciar o ano de leituras com esta obra. E que início auspicioso!

 

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O visconde partido ao meio, publicado originalmente em 1952, veio a compor com O cavaleiro inexistente e O barão nas árvores uma trilogia a que Italo Calvino (1923-85) chamou de Os nossos antepassados, uma espécie de árvore genealógica do homem contemporâneo, alienado, dividido, incompleto. É a história de Medardo di Terralba, o voluntarioso visconde que, na defesa da cristandade contra os turcos, leva um tiro de canhão no peito, mas sobrevive, ficando absurdamente partido ao meio. A metade direita atormentada pela maldade, e a esquerda, pela bondade.

 

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Chá das Cinco – Porque um clássico é um clássico?

Por , 22 de outubro de 2015 17:00

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Esse post faz parte do Desafio Shakespeare!
Para conhecer o desafio completo, clique AQUI!

Ao montar o planejamento para esse desafio, eu tinha em mente que nessa data eu iria subir um texto tentando responder essa pergunta tão capciosa: Porque um clássico é um clássico?

Fui pedir ajuda para uma cabeça maior, e me esbarrei em ninguém menos que Italo Calvino, que em Porque ler os clássicos, tenta definir o conceito de um livro clássico propriamente:

“2. Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os lido e amado, mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela primeira vez nas melhores condições para apreciá-los.”

Na equipe, temos um conceito bem definido que alguns livros simplesmente não chegaram a hora de serem lidos. São grandes obras da literatura mundial, clássicos em sua essência, mas que a nossa maturidade não foi atingida para poder apreciá-los da forma correta.

Nessa lista se encontra alguns gigantes como Graça Infinita, Dom Quixote e Os Miseráveis, porém como tamanho não nos assusta estamos encarando em uma leitura coletiva nada menos que Guerra e Paz.

Poderíamos (e eu a Sabrina até tentamos) ler esse livro no passado, mas devido talvez a idade (eu tinha 14 anos), ou a necessidade de ter outras bases mais fortes, a leitura se tornou um fardo e abandonei no final do primeiro livro e ainda faltando mais de 1000 páginas. Mas hoje, devagar e sempre, vamos não só lendo como apreciando muito a história.

Um clássico se torna clássico pelo boca-a-boca, pela insistência ou pela sua relevância para um período. Poucos sobrevivem ao teste do tempo, mas a sua importância está sempre ali.

No mesmo livro, Italo fala que “Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira e que toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.”

E termina dizendo, “Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”.

E porque eu tirei exatamente o dia de hoje para falar sobre esse tópico?

Porque amanhã o nosso review do desafio não é só de uma das mais importantes peças do mundo, mas a história de amor que cada um conhece: Romeu e Julieta. Apesar de conhecer e saber tudo que acontece, era um livro que tinha o que dizer para mim.

Eu achava que tinha lido a peça quando mais nova e quando terminei e até mesmo na minha resenha, coloquei que devo ter lida somente adaptações, porque o texto extremamente belo de Shakespeare teria me conquistado, teria me feito perceber a grandeza e magnitude daquele texto.

Porém, a maturidade deve ter sido mais importante que isso, e amanhã ao ler a minha resenha ou quando decidir ler essa peça tão básica para a humanidade, você vai perceber porque ela é tão famosa e comentada: Simplesmente porque é a melhor.

Break a Leg: Shakespeare além das peças!

Porque ler os Clássicos de Italo Calvino – 286 páginas

Café irlandês – Os 10 autores de quem mais tenho livros

Por , 12 de agosto de 2014 9:00

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Meu nome é Sabrina e eu sou uma acumuladora de livros.

Desde que me entendo por gente, sempre sonhei em ter uma biblioteca, recheada de livros. Não importa o gênero, o autor, ou o número de páginas: ela guardaria todas as obras que eu quisesse ler.

O tempo passou e esse sonho começou a ser colocado em prática (leia-se: comecei a trabalhar e pude finalmente “bancar” a construção dessa biblioteca).

 

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Porém, comecei a perceber que eu sofro de um mal um tanto… estranho. A mania de, ao me encantar com a leitura da obra de algum autor, querer adquirir todos os volumes já escritos por ele. Não interessa se eu li apenas um de seus livros ou metade. Gosto de saber que, ao terminar a leitura, tenho outro exemplar me esperando.

Isso me levou fazer verdadeiras coleções, que infelizmente crescem em um  ritmo muito diferente da minha capacidade de lê-las. Mas, ao mesmo tempo, estes livros se tornam uma espécie de desafio pessoal. Acredito piamente que um dia finalizarei a leitura de todos eles.

E foi pensando nesse assunto que eu cheguei ao tema do Café irlandês de hoje. Afinal, quais seriam os autores com mais livros na minha estante?

É claro que esse número varia por uma série de fatores… Alguns autores simplesmente escreveram mais livros do que outros (senão, sua participação seria bem maior…). Também existem aquelas séries com volumes infinitos, ou aqueles livros dos quais possuo mais de um exemplar (são casos raros, mas existem).

 

Confira a lista! Será que ela se parece com a sua?

Blá Blá Blá – Por que ler (ou não) os clássicos?

Por , 31 de maio de 2014 13:24

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O que são “os clássicos”?

Aqueles volumes grossos, velhos e empoeirados que vivem adormecidos nas estantes? Aquele texto lento, cheio de palavras complicadas e linguajar arcaico? A pavorosa leitura obrigatória da escola?

Parece que se referir a um clássico é como falar um palavrão – como assim você adora ler esses livros antigos? – ou então, passar a impressão de uma “falsa” intelectualidade. Ora, quem leria uma coisa dessas senão para se gabar depois?

A bem da verdade é que os clássicos geralmente vêm acompanhados com uma certa aura de preconceito sob o ponto de vista dos leitores mais jovens (entre os quais eu me incluo). E é para tirar um pouco essa “má impressão” que resolvi escrever este post.

 

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Entre Páginas – O Cavaleiro Inexistente

Por , 5 de março de 2012 17:43

Foi em uma deliciosa tarde de sábado, sentada com amigas ao redor de uma mesa farta em um café digno dos tempos de Jane Austen, que ouvi falar pela primeira vez nas obras de Ítalo Calvino. O relato foi tão empolgante e apaixonado, que minha vontade era sair dali e ir direto para uma livraria, adquirir os livros tão comentados. E foi exatamente o que fiz, começando por O Cavaleiro Inexistente.

Uma freira confinada num convento cumpre a penitência de narrar a bizarra história de Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura, cavaleiro que se distingue pela impecável armadura branca – e pelo fato de não existir. Por defender a virgindade de uma donzela, Agilulfo se tornou paladino de Carlos Magno, posição que exerce com seriedade extrema. Mas aquele feito heroico é posto em dúvida. Para comprová-lo, Agilulfo sai em busca de “uma virgindade perdida quinze anos atrás”, e no caminho viverá aventuras engraçadíssimas, dignas de um ótimo romance de cavalaria às avessas.

Uma freira enclausurada que tem como penitência contar uma história. Um jovem rapaz que não vê a hora de pegar em armas para vingar o pai assassinado. Uma mulher destemida que luta melhor do que os homens. Um cavaleiro inexistente.

Resultado? Um romance de cavalaria às avessas, que poderia muito bem ser uma mistura de Dom Quixote com Monty Payton. Honra, humor e conflitos existenciais se sucedem ao longo das páginas de O Cavaleiro Inexistente, costurados por uma escrita belíssima e repleta de figuras de linguagem.

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