Entre Páginas – Jude the Obscure

Post do arquivo do Café com Blá Blá Blá*

Este post faz parte do arquivo do blog.

Em 2018 nós perdemos todos os posts antigos e, aos poucos, estamos subindo o conteúdo antigo para que todos tenham acesso.

 

Como vocês sabem, a Fanny e eu estamos a todo vapor no nosso #Projetopravida, que envolve uma série de clássicos que desejamos ler.

Algumas dessas leituras se dão de forma independente, mas tem algumas obras que simplesmente temos que ler juntas – afinal, com quem vamos poder confabular, suspirar e criar teorias sobre o enredo?

Entre essas leituras em conjunto está, claro, a obra de um autor que conhecemos esse ano mas que já se tornou um queridinho nosso: Thomas Hardy!

Começamos o ano com Tess of the D’Ubervilles, nos apaixonamos por Far From the Madding Crowd e, como não poderia deixar de ser, demos um jeito de furar a fila com Jude, the Obscure. Será que o livro ajudou a firmar o nosso amor por Hardy?

 

Sabrina

Comecei a leitura bastante empolgada. Hardy nos insere logo de cara na realidade de Jude, um órfão que vivia desde muito cedo com uma tia rígida em uma pequena cidade do interior da Inglaterra, que logo na infância toma gosto pelos livros e decide se tornar um acadêmico. Só que o que ele acaba aprendendo (beeeem na marra) é que sem dinheiro a gente não vai a lugar nenhum… muito menos à Universidade.

No início da narrativa, fiquei extremamente interessada, e já começava a questionar se este seria o meu Hardy favorito (um posto até então ocupado pelo “queridinho” Far From the Madding Crowd). Mas, aos poucos, toda a paixão e encantamento de Jude pelo mundo das letras (e nós por ele) vai sendo substituído pelo pessimismo e pela volatilidade de seu caráter. Explico.

Quando jovem, Jude só tem um objetivo: atravessar as “muralhas” de Crestminster e estudar nas grandes escolas. Mas aí ele conhece Arabela e logo desvia do caminho… Aliás, o “fraco” de Jude pelas mulheres (mais especificamente Arabela e Sue) é o grande responsável por ajudá-lo a ficar cada vez mais longe de seu sonho.

A relação do personagem com as duas mulheres também serve para evidenciar o moralismo da sociedade de Hardy. Ao mesmo tempo em que nos deparamos com ideias avançadas de divórcio e a “vontade” de viver com alguém com quem não há o laço do casamento, também constatamos que viver fora das normas estabelecidas pode acarretar em grandes tragédias – como Sue repete insistentemente na parte final do livro.

Ou seja, a impressão que tive ao ler a obra é a de que você pode sonhar o quanto quiser, mas a realidade é sempre implacável. É, eu sei. Soa radical, mas senti este como sendo o mais pessimista dos livros do Hardy que li até hoje (sendo este o autor que escreveu Tess, veja bem).

Porém, não posso deixar de destacar que apesar de tudo isso o escritor também nos brinda novamente aqui com suas reviravoltas impressionantes (e chocantes!) e com frases poéticas que marcam história.

Um bom livro? Sem dúvida! O melhor Hardy? Não!

Fanny

Hardy é vida! Vida!

Em Tess of the D’Urvilles ele criou Tess, uma personagem triste e sem sorte na vida.

Já em Far From The Madding Crown, temos Batsheba a personagem mais Girl Power do século 18.

Jude parecia tão promissor, mas no final a minha sensação é que o personagem não vale meia Tess. E vale talvez, talvez, o dedinho minguinho de Batsheba.

Hardy constrói um ambiente bem parecido com os outros livros, recheado de tragédias inesperadas e reviravoltas constantes ao longo da narrativa, mas Jude que no começo parece tão interessante, vai caindo em um emaranhando de paixões e ‘despaixões’ e envolvimentos com as duas mulheres que no final o acabam tirando do caminho que um dia ele quis seguir.

A qualidade de Hardy está ali, dá para sentir assim como nos outros dois livros que era um escritor a frente do seu tempo. A sua escrita parece de alguém que está contando o passado de um futuro distante.

Mas Jude é chato e o pouco de simpatia que você tem por ele vai morrendo ao longo das 490 páginas.

Para completar Sue e Arabela, são pessoas que você torce para que sumam a cada novo capítulo ou mudança da trama, porque elas são insuportáveis.

Pelos menos Jude serviu para fazer com que a Sabrina e eu nos lembremos de que há outros escritores no mundo, e no resto de 2015 não vai rolar mais Hardy (por enquanto).

 

Ficha Técnica:

Título: Jude the Obscure

Autor: Thomas Hardy

Editora: Wordsworth Classics

Páginas: 416

Avaliação: Sabrina: 3.5/5 estrelas

                  Fanny: 2.5/5 estrelas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *